Na França, os melhores escritores do ano são estrangeiro

O Goncourt, o mais importante prêmio da língua francesa, foi para o escritor afegão Atiq Rahimi

EFE,

10 de novembro de 2008 | 15h00

O franco-afegão Atiq Rahimi, de 46 anos, escritor e cineasta e autor de Syngué Sabour - Pierre de Patience  ('Pedra de Paciência', em tradução livre), foi laureado o vencedor da edição de 2008 do Prêmio Goncourt, a mais importante honraria da Literatura em língua francesa. É  o primeiro livro de Rahimi em francês, anunciaram os organizadores do concurso, cuja decisão foi divulgada hoje, como de hábito, no restaurante Drouant de Paris. O autor tem dupla nacionalidade francesa e afegã.A distinção veio horas depois que outro estrangeiro, o guineense Tierno Monenembo, de 61 anos, ter sido escolhido o vencedor do prêmio Renaudot, por seu romance Le Roi de Kahel.   Exilado político, Rahimi era um dos favoritos a receber o Goncourt 2008, ao lado dos franceses Jean-Marie Blas de Roblès, autor de Là oú Les Tigres Sont Chez Eux, e Michel le Bris, de La Beauté du Monde. A decisão foi anunciada no final da manhã desta segunda, 10, em Paris, após um segundo turno de desempate, do qual o afegão saiu vencedor por 7 votos contra 3 para Le Bris. Nascido no Afeganistão em 1962, filho de um juiz e político e membro de uma família "liberal e ocidentalizada", Rahimi estudou na escola franco-afegã de Cabul. Sua posição privilegiada na sociedade local, porém, não resistiu aos 40 anos de guerras pelos quais o país atravessa. Depois de se exilar na Índia, no Paquistão e na França, o jovem retornou a seu país em 1980, quando trabalhou na mineração. A experiência lhe rendeu seu primeiro livro, Terre et Cendres, escrito em persa, o qual adaptou ao cinema, recebendo o prêmio Regard d’Avenir no Festival de Cannes, em 2004. Rahimi lançou na França, ainda em persa, duas outras obras: Les Mille Maisons Du Rêve Et de La Terreur, de 2002, e Le Retour Imaginaire, de 2005. Syngué Sabour, em 2008, faz o escritor retornar ao tema da guerra e dos dramas humanos por ela despertados. O romance narra a história de uma esposa que se dedica a cuidar de seu marido, um ex-soldado em estado vegetativo em razão de um ferimento a bala. "A língua materna é aquela na qual aprendemos as proibições e os tabus", disse à revista Nouvel Observateur, ao explicar por que decidiu escrever em francês.   Além do Goncourt, também foi entregue hoje o prêmio Renaudot que, após 11 rodadas de votação, ficou com Tierno Monenembo por Le Roi de Kahel (Seuil) na categoria romance, e para Boris Cyrulnik por Autobiographie D'un Épouvantail (Odile Jacob), na categoriaensaio.

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