Na França, editoras simpatizam com e-books

"O pânico acabou." A frase é de Olivier Nora, alto-executivo da Grasset, uma das grandes editoras francesas. Para ele, a relação das empresas com o livro eletrônico passou por fases distintas: na primeira, reinou o ceticismo; na segunda, o pânico, como se um novo mundo de bárbaros estivesse surgindo e que a sociedade fundada no papel estaria morrendo, dando lugar a um mundo de imagens; agora, trata-se de tirar o melhor proveito possível da nova tecnologia."Passamos da questão do suporte para a do conteúdo", afirmou, durante o Salão do Livro de Paris. "A digitalização é uma pré-condição para a exploração desse novo mercado, que ainda não se consolidou, e também a definição de questões legais", continuou. Uma das melhores mostras de que o mercado eletrônico ainda provoca grandes erros e especulações foi o CD-ROM, acredita ele. "As editoras norte-americanas apostaram nesse formato - e perderam muito dinheiro com ele, pois rapidamente ele mostrou seus inconvenientes", não conquistando o público.Para a gigante Vivendi Universal Publishing, só se ganha com a Internet, embora o livro de papel continue a ser seu negócio mais importante. O diretor de projetos de livros eletrônicos da empresa, Minh-Son N´Guyen, explica que o conteúdo das obras da corporação já são armazenados de modo digital há dez anos - e que, portanto, a Internet não provoca mais nenhum tipo de susto.Minh-Son diz que a Internet é um espaço ideal para lançar primeiros capítulos de livros, estimulando o consumo da obra, e que também pode, num futuro próximo, ser o primeiro ponto de venda de um texto, com o mesmo preço que ele chegaria ao escritor. "A idéia da publicação gratuita de livros na rede está fora de questão", afirmou. Por isso, a empresa busca associações com grupos especializados em vender e cobrar pela rede.Na França, o livro eletrônico já é uma realidade, embora ainda não tenha se tornado popular. O melhor hardware, da Cytale é vendido a um preço razoável (cerca de US$ 250), e há uma boa quantidade de obras já à disposição do público, custando no máximo o mesmo que um exemplar na livraria. Para baixar esses textos (e imagens), o custo da ligação telefônica é local, de qualquer parte do país.Segundo Emmanuelle Jehanno, autora de um estudo financiado pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica e publicado pela 00h00.com, especializada em livros eletrônicos, os editores franceses vêem as novas tecnologias como uma nova janela - de uma casa que tem muitas outras.Um dos grandes problemas que a Internet coloca é que as editoras são também, muitas vezes, distribuidoras. E, dessa forma, retiram parte do lucro que obtêm. Se a Internet e os meios de distribuição eletrônica se fortalecem, será preciso "desmontar" essa estrutura.Essa questão é, no entanto, ainda prematura. Antes, é preciso definir se os meios digitais são uma exploração primária (como crê Minh-Son) ou secundária (como defende Nora), o que implica em pagamentos em níveis diferentes de direitos autorais.

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