Na Flip, biógrafo de Roberto Carlos anuncia contra-ataque

Paulo César de Araújo participa da Flip ao lado de Ruy Castro e Fernando Morais

Agencia Estado

06 de julho de 2007 | 16h39

Paulo César de Araújo resolveu contra-atacar: depois de fazer consultas com diversos especialistas jurídicos, ele entrou com uma contestação na Justiça para retomar o direito de publicar sua biografia Roberto Carlos em Detalhes (editora Planeta), que, desde abril, tem a circulação proibida. "A luta é minha e, como me senti prejudicado, vou seguir agora esse caminho", disse ele nesta quinta, 5, em Paraty, em entrevista gravada para a Rádio Eldorado-AM, que vai emiti-la nesta sexta, a partir das 10 horas.Araújo participa da 5.ª Festa Literária Internacional de Paraty, ao lado de outros dois biógrafos, Ruy Castro e Fernando Morais, que já declararam abertamente seu apoio ao escritor. O livro Roberto Carlos em Detalhes teve sua circulação proibida em 27 de abril depois que os advogados do cantor entraram em acordo com os representantes da Planeta, que se comprometeu a recolher todos os exemplares disponíveis nas livrarias brasileiras. "Até então, eu não participei do processo, pois a intimação foi feita a um outro Paulo César de Araújo que, por sina, pretende processar Roberto Carlos pelo constrangimento", disse o biógrafo, que é representado pela advogada Débora Steinberg, responsável pela contestação já apresentada na justiça.Falsas versões O retorno do livro serviria também para impedir a proliferação de falsas versões que circulam na internet. Segundo Araújo, diversas adulterações foram feitas. "Muitas pessoas acrescentaram fatos que não são verdadeiros e descaracterizaram totalmente a obra." As consultas feitas com outros especialistas garantem a Araújo uma possibilidade de vitória. "O livro não é ofensivo e nem calunioso, como o próprio Roberto já admitiu", disse. "Também não tem invasão de privacidade, pois muitas histórias contestadas por ele ou foram publicadas pela imprensa na época ou foram divulgadas pelo próprio cantor em sua obra." Araújo cita como exemplo a canção Quando as Crianças Saíram de Férias. "Na época, 1972, ele estava casado com Nice e não tinha nenhum momento de privacidade justamente pelo fato de os filhos ainda serem pequenos", conta. "Roberto, na verdade, é um cantor de sucesso justamente por saber dividir seus amores com o público, em suas canções. É curioso, portanto, que justamente agora ele tenha se tornado o paladino da privacidade." O biógrafo disse que pretende, se vencer, relançar o livro pela mesma Planeta, embora não conte com nenhuma ajuda jurídica da editora."Cabe a eles a decisão de manter ou não a obra em seu acervo." Paulo César de Araújo sabe que o processo levará tempo, embora o acordo conseguido pelos advogados de Roberto Carlos tenha sido feito em tempo recorde. "Levei 15 anos pesquisando dados para esse livro e não me importo em gastar outros 15 lutando por ele." Enquanto briga na Justiça, Araújo começa a se preocupar com sua próxima obra, que tanto poderá ser outra biografia como uma análise da música popular brasileira, como foi seu primeiro livro, Eu Não Sou Cachorro, Não (Record). "Tenho mais de 200 entrevistas gravadas com grandes nomes da MPB, como João Gilberto e Tom Jobim, e usei apenas parte desse material na confecção dos dois livros", conta ele que, embora fã de Roberto Carlos, não esconde seu desapontamento. "Ele é um artista que sabe como não errar. Sempre tomou as decisões certas, por isso que faz sucesso até hoje. Mas, ao proibir meu livro sem argumentos convincentes, ele cometeu um erro colossal."

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