Na feira Pinta, mais Brasil

Plataforma comercial para a produção latino-americana moderna e contemporânea, a feira de arte Pinta deu destaque ao Brasil na sua 5.ª edição anual em Nova York, realizada no fim de semana. Como artista convidado, apresentou o luso-carioca Antonio Manuel, que também tem na cidade a sua primeira individual nos Estados Unidos, em exibição até o próximo dia 10 na sede da Americas Society. A participação brasileira foi acentuada na feira pela escolha de Jacopo Crivelli Visconti, ex-curador da Fundação Bienal de São Paulo, que fez a curadoria de projetos nesta edição.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2011 | 03h06

Para contrastar com o recorte político da exposição na Americas Society, que focaliza principalmente obras produzidas no período de ditadura militar brasileira, Antonio Manuel mostrou 3 dos 15 quadros de uma série erótica que criou em 1984. "Feiras como esta, a de Basileia (Suíça) e a Arco (Espanha) estão com qualidade cada vez maior e participar delas é somar público ao meu trabalho", disse o artista.

Na feira Pinta, Jacopo Crivelli Visconti procurou mostrar a desconstrução da linguagem pura do modernismo e do concretismo como ponto em comum de gerações diferentes. O curador selecionou obras da brasileira Lygia Pape (1927-2004), do uruguaio Rómulo Aguerre (1919-2002) e do venezuelano Claudio Perna (1938-1997) para simbolizar a primeira delas. E apontou relações com a ruptura iniciada por eles em vídeos, fotos e instalações dos argentinos Patricio Larrambebere e da dupla Faivovich & Goldberg, do venezuelano Ivan Candeo, do mexicano Jonathan Hernandez, e dos brasileiros Fernanda Gomes e Eder Santos, numa colaboração com Leandro Aragão.

Sem pretender que o público percebesse sutilezas em tendências análogas entre esses escolhidos, Visconti encontrou questões que se entrelaçam nos trabalhos da maioria deles, como a herança da colonização europeia e crítica a situações políticas semelhantes. Para ele, a feira de arte é uma oportunidade única de visibilidade internacional e, mesmo sem ter ainda a tradição de eventos semelhantes, a Pinta "tem a vantagem de estar em Nova York, que é o centro do mundo da arte".

Seis galerias brasileiras participaram entre as 50 de vários países das Américas, da Europa e dos Estados Unidos que ocuparam, por quatro dias, o 11.º andar de um edifício na frente do Empire State. O argentino Diego Costa Peuser, fundador e diretor da feira (que é realizada também em Londres, no primeiro semestre), falou da intenção de expandir seu mercado, incluindo nela artistas espanhóis e portugueses, transformando-a numa feira ibero-americana. / T.C.

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