Na estante desta semana, Lourenço Diaféria conta histórias do Brás

E há muito mais: poesia, meio ambiente, história...A POESIA DO PAULISTA CASSIANO RICARDO, DE VOLTA ÀS LIVRARIAS.Aos 20 anos, em 1915, Cassiano Ricardo, um paulista de São José dos Campos, estreou com Dentro da Noite. A partir de 1926 ? depois de ter abraçado a experiência modernista ?, juntamente com Plínio Salgado, Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia levantou a bandeira do "verde-amarelismo", em resposta ao nacionalismo exacerbado do movimento "Pau-Brasil", liderado por Oswald de Andrade.Segundo a professora e crítica de literatura Nelly Novaes Coelho, Cassiano Ricardo demonstrou não só uma vitalidade inigualável em sua geração, como também submeteu-se a uma série de provações: empenhou-se na conquista de novas soluções estilísticas, em decorrência de novas imagens de mundo e continuou fiel à sua "garra" original.Na apresentação de Melhores Poemas de Cassiano Ricardo (Global, 304 páginas, R$ 34,00), que caba de voltar às livrarias, a professora Luiza Franco Moreira destaca que a maior parte dos poemas selecionados por ela nesta antologia está fora do prelo há muito tempo. Por esse motivo, o livro permite ao público retomar contato com o trabalho de um poeta que exige muito do leitor, mas ao mesmo tempo proporciona recompensas inesperadas. "Os melhores momentos de sua poesia são notáveis pelo bom humor e a espontaneidade", diz ela.UM JORNALISTA FALANDO DE SEU TEMA FAVORITO, A PEREGRINAÇÃO.A palavra peregrinação está quase sempre ligada a uma viagem a lugares sagrados. Quase sempre. Mas para o jornalista norte-americano Phil Cosineau uma peregrinação tanto pode conduzir a Jerusalém, e ser de cunho religioso, quanto à cidade que é o cenário de um filme favorito. Ou uma viagem a uma aldeia que um escritor escolheu como o seu lugar do coração.A idéia do livro A Arte da Peregrinação (Editora Ágora, 259 páginas, R$ 33,00) surgiu da constatação de que o turista moderno freqüentemente refere-se a uma sensação de vazio final de uma viagem. "Por que faltou-lhe um significado mais profundo em suas andanças", diz Cousineau.Recorrendo à sua própria experiência (que é vastíssima) e a relatos que colheu, o autor orienta as pessoas que desejam se pôr a caminho de modo diferenciado e as encoraja a criar suas próprias jornadas.Ao ler A Arte da Peregrinação, o futuro peregrino é levado a refletir sobre os lugares que lhes são sagrados ou depositários de uma qualidade mágica e, então, sua grande viagem já começou.O MÚLTIPLO ROBERTO FREIRE, POR ELE MESMO.Uma editora ainda não muito conhecida ? a Maianga, de Salvador, Bahia. Mas o autor e personagem do seu mais recente lançamento, Eu é Um Outro, o paulista Roberto Freire, é um intelectual conhecido pelos seus muitos talentos: jornalista, médico com experiência em terapias alternativas, teatrólogo, romancista.A apresentação de Eu é Um Outro ? Autobiografia de Roberto Freire (Maianga, 448 páginas, R$ 39,00) coube a outro escritor, Ignácio de Loyola Brandão, seu companheiro, nos distantes anos 60, na redação do jornal Ultima Hora (SP). "Bela vida, Roberto. Belo livro", escreve ele. "Roberto Freire. Ele deu título ao meu primeiro livro. Convivemos no jornal Última Hora por anos. Ficamos amigos. Um homem impetuoso, desvairado, atirado, sempre em busca. De tudo. Atirando-se em tudo. Indo fundo. Eu sempre o invejei. Agora, atravessei sua vida inteira. Atravessem, como fiz, para redescobrir os bastidores de períodos da História do Brasil, vista pelos olhos dos criadores, não de frios historiadores".MUITAS HISTÓRIAS DO BRÁS, POR LOURENÇO DIAFÉRIA.O Brás, um dos bairros mais antigos de São Paulo, em novo livro. Agora, na visão do jornalista e escritor Lourenço Diaféria. Brás ? Sotaques e Desmemórias (Boitempo, 200 páginas, R$ 26,00) faz parte da série Trilhas, um dos quatro conjuntos temáticos da coleção Paulicéia, um projeto que pretende resgatar histórias e imagens da cidade. Os livros terão, todos, visões pessoais sobre bairros e regiões.Ao retratar o Brás, Diaféria evita atribuir-se o papel de historiador ou de sociólogo. Prefere o registro em forma de testemunho, e apresenta ao leitor um pedaço vasto de São Paulo, sem falsos sentimentalismos ou saudosismos. Percorre as ruas da região com a mesma sem-cerimônia com que descreve as pernas de Isaurinha Garcia, os milagres do Padre Eustáquio, o assassinato do sapateiro Martinez durante a greve de 1917, as pizzas do famoso restaurante Castelões e as lojas da rua do Gasômetro.Lourenço evita o pitoresco, o típico e o exótico. Com simplicidade e leveza, revê o lugar em que nasceu com os mesmos olhos do garoto que não fazia idéia de que aquilo fosse um bairro. Não por acaso, prefere chamar suas lembranças de desmemórias e destaca a sonoridade dos diferentes sotaques do Brás, para registrar as falas e as vidas dos muitos homens e mulheres, desde os portugueses, espanhóis e italianos dos primeiros anos do século XX, até os nordestinos de tempos mais recentes.UM LIVRO QUARENTÃO DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA. AGORA DE ROUPA NOVA.Uma obra em onze volumes, organizada pelo historiador, jornalista e crítico literário Sérgio Buarque de Holanda em parceria com Pedro Moacyr Campos. Chegou às prateleiras há mais de 40 anos, e agora volta de roupa nova. A Bertrand Brasil está relançando a História Geral da Civilização Brasileira.O livro (Bertrand Brasil, 420 páginas, R$ 55,00) analisa diferentes campos da formação histórica do país, da organização material da sociedade às formas da cultura e do pensamento. Diferentes especialistas estudam o processo de constituição e consolidação do Brasil como colônia, abrangendo desde os aspectos econômicos e sóciopolíticos até temas como medicina, música barroca e expedições científicas. O primeiro volume relançado, Do descobrimento à expansão territorial,pertence ao Tomo 1 ? A época colonial e está dividido em cinco partes.EM DISCUSSÃO, A DEFESA DO MEIO AMBIENTE.As alterações provocadas pelo homem no meio ambiente são a cada dia mais preocupantes. Nos últimos 400 anos, atingiu-se uma extraordinária expansão da produção mundial e também um excepcional avanço tecnológico. Mas, por outro lado, são igualmente extraordinários os números da destruição ambiental e do empobrecimento de consideráveis segmentos das populações mundiais. Como ficar indiferente diante desse desequilíbrio ecológico que está tornando inabitáveis e hostis ao ser humano várias áreas do planeta?Em Meio Ambiente: Uma Questão Moral, que acaba de ser editado, Samuel Murgel Branco deixa claro que estamos diante de uma questão moral, pois é a sobrevivência humana que está ameaçada. Ao tratar da questão ambiental como problema moral, ele se refere exclusivamente aos problemas gerados ao meio ambiente em que vivemos, pela utilização necessária ? e/ou excessiva ? dos recursos naturais. Com um roteiro que situa a questão moral sob a luz de seus diversos enfoques, sejam eles políticos, socioeconômicos, científicos ou religiosos, o livro (OAK, 224 páginas, R$ 34,00) apresenta os diversos conflitos decorrentes do desenvolvimento tecnológico, colocando-nos frente a frente ao dilema que traspassa a atualidade: o muitas vezes elogiado progresso ao gosto neoliberal e a perspectiva de uma catástrofe ambiental.

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