Na Estante da Semana, peças de Plínio e crônicas de Ana Miranda

Cinco peças de Plínio Marcos, reeditadas em coleção dirigida pela crítico Sábato Magaldi. Mais de 70 crônicas de Ana Miranda reunidas em um volume. Um dicionário dos animais do Brasil que estava esgotado há mais de 30 anos. Estes são alguns dos destaques dos novos lançamentos das editoras.O TEATRO DE PLÍNIO MARCOS, NUMA COLEÇÃO COM O CARIMBO DE MAGALDI.A coleção, dirigida pelo crítico Sábato Magaldi, já publicou O Melhor do CPC da UNE e O Melhor de Gianfrancesco Guarnieri. Agora, a Global Editora apresenta o Melhor Teatro Plínio Marcos (288 páginas, R$ 30,00). A seleção coube à Ilka Marinho de Andrade Zanotto, que compôs a antologia do escritor e dramaturgo (nascido em Santos, São Paulo) com cinco peças: Barrela, escrita em 1958; Dois Perdidos Numa Noite Suja, de 1966; Navalha na Carne, de 1967, O Abajur Lilás, de 1969 e Querô, uma Reportagem Maldita, adaptada para o teatro em 1979, a partir de um romance de 1976.O autor, que renovou os padrões da dramaturgia brasileira, mereceu de Décio de Almeida Prado estas palavras: "Plínio tinha uma experiência humana ligada às classes pobres e levou este mundo para o teatro, até então em grande medida desconhecido. O teatro dele não era exatamente político, de pobres contra ricos, mas trazia uma experiência amarga dos pobres, e isso representou uma grande novidade. Navalha na Carne é uma peça com muita força, com três excluídos que sofrem e nos fazem sofrer", disse sobre ele o historiador e crítico de teatro.A EXPERIÊNCIA DE UMA JORNALISTA E PROFESSORA. UM LIVRO DA SUMMUS.A matéria-prima de A Arte de Tecer o Presente ? Narrativa e Cotidiano a autora recolheu em nada menos de quatro décadas de batente como jornalista e professora de Comunicação Social. Cremilda Medina, que nasceu em Portugal, e de lá saiu em 1953 para viver no Brasil, costuma definir a sua trajetória como "uma busca de identidade em terras banhadas pelo sol". Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e é hoje professora da Universidade de São Paulo. Mais precisamente, orientadora de cursos de pós-graduação.O seu livro (Summus Editorial, R$ 25,80) começa com uma história vivida no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo, onde mora. E é dentro desse contexto que, ao longo de 152 páginas, ela navega em uma pesquisa sobre costumes e comportamentos e revela aspectos do cotidiano local e seus personagens, alternando suas experiências práticas e reflexões teóricas. Cremilda opta por desvencilhar-se de preocupações formais de redação. Trata-se de sua relação com o mundo contemporâneo e os suportes de pesquisa e experimentação que essa narrativa procura mostrar. "O que mais prezo é ser uma repórter do meu tempo. Os textos nos são dados pelas pessoas e situações que descobrimos", diz ela.AS CRÔNICAS DA CEARENSE ANA MIRANDA (MAIS DE SETENTA) EM NOVO LIVROA trajetória de Ana Miranda, uma cearense de Fortaleza, como escritora começou com uma homenagem ao poeta baiano Gregório de Matos Guerra, um dos maiores nomes da literatura brasileira do período colonial. Lançou, em 1989, o romance histórico Boca do Inferno. Era esse o apelido do personagem, merecido pela carga satírica de seus textos. Com o livro, ganhou em 1990 o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Depois vieram O Retrato do Rei (1991), A Última Quimera (1995), outro romance ? esse sobre o poeta paraibano Augusto dos Anjos ?, Desmundo (1996) e, mais recentemente, em 2000, Caderno dos Sonhos.Um novo livro de Ana Miranda acaba de chegar às livrarias. Nele, Deus-dará (Casa Amarela, 223 páginas, R$ 27,50), estão mais de setenta crônicas publicadas na Caros Amigos desde o nascimento da revista, há quase sete anos. Na apresentação de Deus-dará, a própria autora festeja o livro recém-nascido. Diz ela: "Eu tinha medo de publicar textos que não fossem meus livros. Quando me ligaram da Caros Amigos, convidando-me a colaborar com a revista que acabava de nascer, aceitei, na certeza de que duraria apenas um ou dois números. E lá se vão sete anos... Foi uma das decisões mais afortunadas de minha vida. A revista me proporcionou um encontro mensal com pessoas do Brasil inteiro, e meu deu a oportunidade de escrever crônicas, esse gênero tão leve e comunicativo".A HISTÓRIA DE NOSSOS ANIMAIS, EM VERBETES CONSISTENTES.Um livro que estava esgotado há mais de 30 anos. Isso mesmo, mais de 30. Agora, por iniciativa da Editora Difel, o Dicionário dos Animais do Brasil, do zoólogo gaúcho Rodolpho von Ihering, está de volta.O dicionário (604 páginas, R$ 95,00) reúne verbetes que discorrem sobre as mais variadas espécies de animais da fauna brasileira e levam quem o consulta a uma viagem pelos quatro cantos do nosso território.Não é sem razão que se tornou uma referência para biólogos, ambientalistas e também para todos os que se interessam pela vida animal. Um algo mais do competente trabalho de Ihering: o livro contém explicações sobre os costumes e lendas que dizem respeito aos animais de cada região. A presente edição do Dicionário dos Animais do Brasil chega na hora certa, uma vez que as questões ligadas à preservação do meio ambiente estão hoje, mais do que em qualquer outro momento da História do país, na ordem do dia.O zoólogo mostra-nos seus sólidos conhecimentos sobre a nossa fauna, bem como sobre a flora, formação geológica e aspectos climáticos, constituintes dos ambientes ecológicos, que permitem o desenvolvimento da vida animal. Unindo forma e conteúdo, o dicionário apresenta desenhos a bico-de-pena e pranchas coloridas com as figuras dos animais tão bem-feitas, que parecem reais.O CLÁSSICO DE MAQUIAVEL. AGORA COM COMENTÁRIOS DE NAPOLEÃO.Um livro escrito há mais de 500 anos, mas que permanece entre as obras de teoria política mais instigantes e influentes. O Príncipe, do florentino Nicolau Maquiavel, está de volta às livrarias. Roupa nova e um acréscimo precioso: um comentário de Napoleão Bonaparte. O manuscrito, publicado primeiro pelo abade Aimé Guillon, em 1816, teria sido encontrado na carruagem do imperador depois da batalha de Mont-saint-Jean, no dia 18 de junho de 1815. As anotações de Napoleão estão em alguns rodapés da nova edição (Editora Campus, 172 páginas, R$ 29,00).Por conta de seus conselhos, que, segundo alguns estudiosos, nem sempre privilegiam os princípios morais, Maquiavel mereceu muitas críticas. Ganhou o adjetivo "maquiavélico", quase sempre empregado em sentido pejorativo. Nem por isso o seu livro deixa de ser uma referência obrigatória para estudantes e profissionais de diversas áreas. Em O Príncipe, o autor ensina aos governantes como lidar, por exemplo, com os bajuladores e os opositores. Para ele, é mais importante (muito mais) o dono do poder estar afinado com a maioria da população do que com as minorias que só querem vantagens.OS MELHORES CONTOS DE CRIME E MISTÉRIO, NUMA ANTOLOGIA DA EDIOURO.Uma nova antologia da Ediouro, com uma tiragem de 10 mil exemplares. Agora, Os 100 Melhores Contos de Crime e Mistério da Literatura Universal. A organização coube, de novo, ao jornalista e escritor gaúcho Flávio Moreira da Costa, responsável por um dos maiores sucessos recentes da editora: Os 100 Melhores Contos de Humor.A nova antologia (832 páginas, R$ 79,00) reúne quase três mil anos de excelente literatura, abrangendo autores de variados tempos, estilos e países. As memórias do crime vão de Sófocles a Dashiel Hammett, de Maurice Leblanc a Rex Stout, passando ainda por Chandler, Poe, Machado de Assis, Borges e Simenon. Casos criminais e policiais, histórias de investigação, suspense, thrillers, enigmas, pulp fiction, hard-boiled e outras tantas que se originam em antiqüíssimas narrativas (Bíblia, Mil e Uma Noites). Tudo está de alguma forma representado na nova e exaustiva pesquisa à prova dos mais zelosos detetives na qual, além dos incontestáveis clássicos, há achados dignos do aplauso de um minucioso Sherlock Holmes.Jornalista desde os 15 anos, o gaúcho Flávio Moreira da Costa foi crítico de cinema, música e literatura. Redator, editor e tradutor, tem hoje cerca de 30 livros publicados. Em tempo e a propósito: Flávio dedica a antologia de Crime e Mistério a seu amigo Tim Lopes, o jornalista recentemente assassinado pelo narcotráfico.UMA LONGA VIAGEM PELOS CENÁRIOS DO PASSADO. CENTENAS DE ANOS ATRÁS.A autora, Eliette Abécassis, nasceu em Estrasburgo, na França, em uma família judia vinda do Marrocos. Seu pai, professor de Filosofia, é considerado um dos grandes pensadores contemporâneos do judaísmo. Foi no ambiente familiar, portanto, que ela começou amealhar os ingredientes que acabaria levando para o seu O Tesouro do Templo, agora editado no Brasil. Os principais ingredientes: suspense, aventura, religião, esoterismo e também uma pitada de romance.Em O Tesouro do Templo (Ediouro, 296 páginas, R$ 36,00), Eliette Abécassis leva o leitor a uma longa viagem por alguns acontecimentos marcantes do passado. O narrador é o escriba Ary Cohen. Os cenários percorridos são os de Israel, Paris e Portugal. O livro reúne uma seqüência de histórias de crimes, mistérios seculares e uma aula sobre os mais extraordinários enigmas da História.UM LIVRO SOBRE AS AMIZADES DA INFÂNCIA E A DESCOBERTA DO SEXOUm lançamento da Bertrand Brasil. Em Anjos Caídos (384 páginas, R$ 39,00), segundo romance de Tracy Chevalier, autora do best-seller Moça com Brinco de Pérola, estão algumas histórias sobre as amizades de infância, a descoberta do sexo e a fragilidade humana. Histórias assim. Em janeiro de 1901, um dia após o falecimento da rainha Vitória, duas famílias visitam túmulos vizinhos, num elegante cemitério londrino. Uma das sepulturas é adornada com uma sentimental estátua de anjo; a outra, com um jarro primoroso. A família Waterhouse, apegada às tradições vitorianas, reverencia a falecida rainha; já os Coleman buscam uma sociedade mais moderna. Para desconforto das duas, elas passam a se relacionar quando suas filhas ficam amigas por trás das lápides. E, pior, amigas também do filho do coveiro, um garoto que está sempre sujo de terra.Um romance denso. A tradução é da jornalista Beatriz Horta. Tracy Chevalier, a autora, embora nascida em Washington, nos EUA, mudou-se ainda muito jovem para a Inglaterra. Vive em Londres, com o marido e o filho. Seus livros têm como cenário o mundo londrino. Moça com Brinco de Pérola, também lançado no Brasil pela Bertrand (2002), já está na terceira edição.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.