Na estante da semana, os melhores contos de faroeste

Antologia, que reúne famosos como Mark Twain e Jack London, é da José Olympio. E mais: a volta do clássico ?Eu, Robô?, de Isaac Asimov, a história das mudanças na mídia, os Jogos Olímpicos segundo um especialista em mitologia...UMA ANTOLOGIA DE TIROTEIOS. NELA, OS MELHORES AUTORES DO FAROESTE.O organizador da antologia, agora lançada no Brasil pela José Olympio, é o escritor inglês Jon E. Lewis. Antes, ele escreveu sobre histórias do Oeste norte-americano e ficção popular para numerosas publicações, inclusive o Time Out. Nasceu em Hereford, Inglaterra, em 1961, e mora atualmente no sul do País de Gales, onde trabalha como escritor e crítico free-lance. Em Os Melhores Contos de Faroeste (378 páginas, R$ 49,00) estão reunidos, entre outros autores, gente do porte de Bret Harte, Mark Twain, O. Henry, Stephen Crane, Willa Cather, B. M. Bower e Jack London. Dezessete novelas curtas. Jon E. Lewis falando do livro: "O faroeste possui uma relação especial com a América: é a única forma de arte verdadeiramente americana. Nenhum outro país possui uma literatura de faroeste. Mas ocorre que nenhum outro país possui um Oeste: aquela paisagem vasta que se estende entre o Mississipi e o oceano Pacífico. Além do mais, nenhum outro país tem uma história tão heróica de colonização pioneira (esquecendo, pelo momento, a aniquilação dos americanos nativos na fronteira). O Oeste é o mito americano. A América encontra a sua identidade nacional na história do Oeste".A tradução é de Roberto Muggiati.UMA COMOVENTE (E DOLOROSA) HISTÓRIA DE AMOR. E QUANTO AMOR.Um livro no qual a palavra pungente exige a companhia de outros sinônimos: doloroso, lancinante. De fato, uma marcante história de amor. Está em Mãe de UTI (176 páginas, R$ 31,00), que acaba de ser lançado pela Terceiro Nome, o relato comovente de Maria Julia Miele. "Divido agora com você a minha história de amor", diz ela. "Não do amor entre um homem e uma mulher, mas algo infinitamente maior: o amor de uma mãe por um filho". Na verdade, uma filha: Sofia. Na apresentação de Mãe de UTI, o médico psiquiatra e também escritor José Outeiral diz coisas assim: "O livro de Maria Julia Miele é um retrato claro de uma mãe que viveu durante um longo tempo uma situação em que, acompanhando seu bebê enfermo, teve experiências fortes e importantes. Ela descreve o que observou e sentiu nesse período. É uma atitude corajosa e generosa. Corajosa, porque se expõe e fala de seus sentimentos, e generosa porque contribui para que outros pais e especialmente os profissionais da área da saúde possam fazer uma reflexão. É um livro também de esperança, pois nos mostra como é possível elaborar situações dramáticas e dolorosas, criando a partir da dor e assim ajudando a si mesmo e aos outros".O jornalista Gilberto Dimenstein, que assina a contra-capa de Mãe de UTI, considera o livro "um texto que une um relato jornalístico, preciso, com poesia e reflexões filosóficas". Maria Julia Miele, segundo ele, mostra que fez de "uma lição de morte uma lição de vida". De fato, fez. A ONG Gahmpi (Grupo de Apoio Humano a Mães e Pais Intensivistas), sob o seu comando, e a presença de alguns voluntários, dedica tempo integral à assistência (inclusive jurídica) de famílias que vivem o mesmo doloroso drama que ela viveu.PRESENÇA DE UM PADRE NAS MEMÓRIAS DOS ANOS AMARGOSUm escritor empenhado em resgatar, e com a máxima exatidão, a memória dos anos amargos da ditadura militar. Depois de publicar, ainda nos anos 80, em parceria com o jornalista Oldack de Miranda, Lamarca ? O capitão da guerrilha, que originou o filme do cineasta Sérgio Resende, e mais recentemente uma biografia de Carlos Marighella, Emiliano José lança novo livro. Agora, As Asas Invisíveis do Padre Renzo (Casa Amarela, 432 páginas, R$ 40,00). Nele, Emiliano, professor da Universidade Federal da Bahia, narra as andanças do padre italiano Renzo Rossi pelas prisões do Brasil. Foi, segundo ele, um exército de amor e dor. O padre mergulhou num mundo de histórias cheias de sofrimento. Viu a morte, a tortura, o desespero. Homens, mulheres e crianças submetidos a uma ditadura cruel, que não conhecia limites.UMA DISCUSSÃO SOBRE DIREITO AMBIENTAL. NO TEXTO DE UM JUIZ.Um livro de interesse não apenas de profissionais e estudantes de Direito, mas de toda pessoa que realmente acredite em uma cidadania participativa. Em Política Ambiental ? Busca de Efetividade e de seus Instrumentos, da Editora Revista dos Tribunais, o juiz aposentado Geraldo Ferreira Lanfredi trata da reparação e da educação integradas à questão ambiental. O livro (300 páginas, R$ 43,00), calçado na melhor doutrina do Direito, enfatiza a predominância social, alargando o sentido da responsabilidade civil que se reveste de uma fisionomia mais humana e solidária. Um capítulo especial é dedicado à legislação que instituiu a Política de Educação Ambiental no Brasil.A Política Nacional de Meio Ambiente, lastreada na Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, desencadeou um vigoroso processo de mudanças. Vigoroso, sem dúvida. No entanto o seu dinamismo renovador é ainda pouco percebido pela grande maioria da sociedade. As boas ações, que crescem em muitas regiões do país, precisam ser mais divulgadas.O juiz Geraldo Ferreira Lanfredi acentua também a progressiva coletivização da idéia de responsabilidade com a socialização dos riscos ambientais e introduz a educação ambiental como elemento necessário à compreensão do nexo causal entre as ações humanas e os danos ao meio ambiente a serem reparados. O trabalho consciencioso de Lanfredi em Política Ambiental chega como nova semeadura. A hora é propícia. O autor foi feliz, principalmente, na clareza de seus objetivos e na qualidade do texto que produziu.A FICÇÃO CIENTÍFICA DE ISAAC ASIMOV, DE VOLTA ÀS LIVRARIAS.Na carona do sucesso do filme (do mesmo nome), está de volta às livrarias o clássico Eu, Robô, de Isaac Asimov, o grande mestre da ficção científica. Uma coletânea de nove contos que se entrelaçam. Em relação ao filme, há pouco o que comparar. Permanecem apenas as leis básicas da robótica (palavra criada por ele) e algumas situações, além do fato de que os robôs sempre acabam falhando. A doutora Susan Calvin, por exemplo, no livro é uma senhora, mas no filme aparece como uma jovem sedutora. Como a história tem mais de 50 anos, era natural que alguma coisa tivesse envelhecido. Mas não: houve até rejuvenescimento, como se vê. O relançamento é da Ediouro (230 páginas, R$ 39,90). Asimov, de origem russa, desembarcou nos EUA com três anos de idade. Escreveu 47 livros e uma enciclopédia, mas foi adaptado para o cinema apenas em quatro ocasiões, sendo O Homem Bicentenário o filme mais premiado. Mas é visível a sua influência em dúzias de outras produções, como o robô Robbie, de Planeta Proibido, sucesso nos anos 50, e também o robô do seriado Perdidos no Espaço.UM NOVO LIVRO DO POLÊMICO E BRILHANTE V. S. NAIPAULUm livro de breves 195 páginas, o que não é comum na produção do polêmico escritor V. S. Naipaul, que chega aos 70 anos de idade e aos 45 de carreira como um autor consagrado. Em Meia Vida, editado pela Companhia da Letras (R$ 28,50), alguns críticos vêem o grande romance sobre o deslocamento humano e a crise de identidade, temas freqüentes em nossa época. O livro é também uma espécie de síntese das preocupações presentes em toda a obra de Naipaul, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2001. Preocupações que estão tanto na sua vertente ficcional como na ensaística e autobiográfica. Em Meia Vida, estamos diante de um relato totalmente fictício, mas fundamentado na vivência e nas investigações do autor, ele mesmo uma espécie de apátrida, filho de indianos, nascido em Trindad e Tobago (América Central) e formado em Oxford.UMA VIAGEM PELAS MUITAS MUDANÇAS DA MÍDIA, DESDE O TEMPO DE GUTENBERG.Os autores são dois destacados historiadores ingleses: Asa Briggs é reitor da Universidade Aberta Britânica e Peter Burke leciona história da cultura na Universidade de Cambridge. Em Uma História Social da Mídia ? De Gutenberg à Internet (Jorge Zahar Editor, 380 páginas, R$ 49,00) está, de fato, uma visão da evolução dos meios de comunicação que merece ser chamada de panorâmica. Uma longa caminhada pelas sucessivas revoluções tecnológicas, da invenção da imprensa aos dias de hoje. Ao abordar as diversas transformações da mídia, os autores resistem às tentações maniqueístas, como considerar que tudo piorou ou, inversamente, admitir que houve um progresso contínuo e inexorável quando discutem o recente impacto da internet. Outros temas analisados pelos dois historiadores são a chegada do entretenimento à mídia, a coexistência entre mídias novas e antigas e a constituição da imprensa como o chamado "quarto poder".UM LIVRO REALMENTE ASSUSTADOR. A HISTÓRIA DE MUITAS DOENÇAS TERRÍVEIS.Um livro da coleção Assustadora História, da Ediouro. A autora, a norte-americana Jeanette Farrell, trabalhou, quando menina, em um centro de tratamento de tuberculose no Kentucky. Um centro fundado por seu pai. Mais tarde, na juventude, foi voluntária em um leprosário na Índia. Em A Assustadora História das Pestes & Epidemias (284 páginas, R$ 29,00), ela conta não apenas a sua experiência. O livro nasceu também de muitas pesquisas em livros, jornais, revistas e muitas outras fontes. Jeanette Farrell conta histórias sobre as sete doenças que alteraram para sempre o curso da história da humanidade. São elas: varíola, lepra, peste, tuberculose, malária, cólera e Aids. A varíola e a lepra parecem ter sido mais ou menos controladas. A malária e a tuberculose não perturbam mais os ricos, mas continuam a causar grandes sofrimentos em milhões de pessoas. E, por fim, a Aids, que os melhores esforços da medicina ainda não puderam conter.NO CATÁLOGO DA GAIA, UMA CRÍTICA AOS PROGRAMAS DE BIOTECNOLOGIA.A autora, Vandana Shiva, além de ativista ambiental, é física, feminista e filósofa. Mundialmente conhecida por suas ações sociais contra a destruição do meio ambiente e as críticas às mais novas tecnologias agrícolas e à engenhara genética. É detentora do Prêmio Nobel Alternativo da Paz de 1993 e do Prêmio Dia da Terra. Em Monoculturas da Mente (240 páginas, R$ 32,00), lançado pela Gaia, ela expõe seus argumentos a favor da proteção da biodiversidade e sobre as implicações da Biotecnologia e as conseqüências da predominância global do tipo de saber científico do Ocidente para a agricultura. De maneira séria e corajosa, Vandana Shiva tece suas críticas aos programas de biotecnologia e de monoculturas impostos por grandes empresas ou cooperativas, financiadas principalmente por agências internacionais que,segundo ela, destroem a biodiversidade e abafam milênios de saber da humanidade.NO ANO DAS OLIMPÍADAS, MUITAS HISTÓRIAS DE HERÓIS DA GRÉCIA ANTIGA.O norte-americano Phill Cousineau, que chegou pela primeira vez às livrarias brasileiras com A Arte da Peregrinação, editado pela Ágora, está de volta às prateleiras. Agora, com O ideal olímpico e o herói de cada dia, um livro da Mercuryo (278 páginas, R$ 35,00). Nele, o autor, apaixonado por esportes ? especialista em mitologia ? passeia sobre temas como as possíveis origens dos jogos, as mudanças de regras, a participação feminina e os segredos dos campeões. Mistura mitos e deuses da Grécia Antiga com o desempenho e performances de atletas que participaram dos jogos modernos. O livro tem o prefácio assinado por Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. A edição nacional também conta com um capítulo anexo que retrata a participação, ao longo dos anos, dos atletas brasileiros.RELATOS DE UMA GUERRA DO PASSADO. UM SUCESSO DE VENDAS.Até o momento, Soldados de Salamina vendeu 140.000 exemplares na Espanha, alcançando a 17ª edição. Sua qualidade literária garantiu-lhe a conquista de muitos prêmios. Um livro lançado no Brasil pela Editora Globo (tradução do jornalista Wagner Carelli) em que Javier Cercas, um conceituado jornalista, presta um tributo à memória dos que lutaram pela República na Guerra Civil Espanhola. Uma guerra que, aliás, continua sendo uma fonte inesgotável de histórias tão fascinantes quanto assombrosas. O que conta o livro de Cercas? A guerra está quase no fim e as tropas fascistas avançam sobre a Catalunha. As tropas republicanas, antes de baterem em retirada em direção à fronteira francesa, decidem fuzilar um grupo de presos franquistas. Entre eles, encontra-se Rafael Sánches-Mazas, escritor e fascista, fundador e ideólogo da Falange Espanhola, que escapou da morte e veio a ser ministro no primeiro governo de Francisco Franco.O livro de Cercas (256 páginas, R$ 29,00) tem sido também um sucesso de crítica. O escritor Mario Vargas Llosa, por exemplo, não poupa elogios a Soldados de Salamina: "O livro é de fato magnífico, um dos melhores que li em muito tempo... Quem acreditava que a chamada literatura engajada havia morrido precisa ler Soldados de Salamina para saber como está viva, como é original e enriquecedora nas mãos de um escritor como Javier Cercas".A HISTÓRIA DOS BÓRGIA. DESSA VEZ SEM ESCONDER NENHUM DETALHE.Um livro do premiado escritor espanhol Manuel Vázquez Montalbán. Em Ou César ou Nada, lançado pela Ediouro, ele, que é também jornalista, ensaísta e roteirista de cinema, conta a história da terrível família Bórgia, sem esconder nenhum detalhe. Mesmo aqueles mais sórdidos, que a História não registra. O livro (397 páginas, R$ 42,00), traduzido por Joana Angélica D?Avila Melo, mostra a trajetória dos Bórgia no período que vai da indicação do patriarca da família, Rodrigo, a chefe da Igreja Católica, com o nome de Alexandre VI, à morte de seu filho mais notável, César Bórgia. Nascido em 1939, Montalbán é autor de uma obra bastante diversificada, que incluiu, além das novelas policiais, protagonizadas pelo cético detetive Pepe Carvalho, também muitos ensaios. Em Ou César ou Nada, o que ele faz basicamente é uma versão popular da história da família, utilizando uma linguagem que dá a acontecimentos antigos o sabor de fatos contemporâneos.

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