Na estante da semana, memórias amargas da ditadura militar

Os tempos de repressão na Bahia estão na segunda parte do livro "Galeria F". E mais: crônicas de Machado de Assis; os gostos e encantos da culinária nordestina, por Moacir Japiassu; histórias de tiroteios, em ?100 Anos de Western?; a educação ambiental; o marketingNOVAS MEMÓRIAS DO CÁRCERE. UNS TEMPOS DE AMARGURA E TRISTEZA NA BAHIA.A repressão na Bahia, nos anos amargos da ditadura militar, narrada por homens e mulheres que sacrificaram a liberdade, ou mesmo a vida, no combate ao autoritarismo e à injustiça. Da experiência pessoal ? quatro anos de prisão na Penitenciária Lemos de Brito ?, Emiliano José partiu para um trabalho jornalístico que lhe permitiu reconstruir esse período com a densidade que só as histórias reais têm. Daí nasceu, no ano 2000, o livro Galeria F. Agora, acaba de chegar às livrarias, também com o selo da Editora Casa Amarela, a segunda parte das lembranças do escritor (152 páginas, R$ 25,00). Os depoimentos, carregados de dramaticidade, foram publicados inicialmente em capítulos no jornal A Tarde, de Salvador, entre agosto de 1999 e julho de 2000. A cada capítulo publicado, o jornalista corria atrás de fontes para escrever o próximo. Com isso, segundo ele, "a série assumiu um ar folhetinesco, novelesco, várias vezes me paravam na rua para perguntar o que ia acontecer no capítulo seguinte".O novo livro é, como o primeiro Galeria F ? Lembranças do Mar Cinzento, resultado dessa série e da paixão que despertou nos leitores. Emiliano José traz seu testemunho e o de tantos outros de sua geração, suprindo a lacuna da história oficial a partir de 1964 e aproximando a sociedade de sua história real.NOVA COLEÇÃO DE CRÔNICAS DA GLOBAL. COMEÇA COM MACHADO.Não poderia haver melhor começo ou recomeço. Na nova coleção de Melhores Crônicas da Global o primeiro é Machado de Assis. A direção, de novo, é de Edla van Steen, que, por sua vez, escolheu para selecionar os textos a professora Salete de Almeida Cara. Para melhor situar o leitor, vale lembrar que as crônicas de Machado de Assis têm importância enquanto testemunho histórico, pois foram escritas a partir de 1859, quando o escritor exercia um cargo público, chefiando a segunda seção da Diretoria de Agricultura do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, sendo responsável pelos assuntos ligados às questões sociais e políticas decisivas da época. Suas primeiras crônicas foram publicadas na revista O Espelho, publicação na qual assinava uma coluna sobre crítica teatral.Os textos reunidos nesta antologia (414 páginas, R$ 45,00) estão ordenados cronologicamente e são apresentados desde 1859, quando o autor, na revista O Espelho, mesmo com sua experiência de porta e dramaturgo, começou a exercitar os primeiros passos nessa modalidade de escrita, até 1897, em A Semana Ilustrada, onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana.EM DEBATE, A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL.Um clássico da literatura ambientalista, agora na sexta edição. Em Educação Ambiental ? Princípios e Práticas está um conjunto de informações fundamentais. A nova edição, revista e ampliada, traz, de forma comentada, os textos básicos das grandes conferências internacionais sobre o tema, promovidas pela Unesco e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ? Pnuma, em Belgrado (1975), Tbilisi (1977), Moscou (1987) e Tessalônica (1997). Inclui também as conferências brasileiras e documentos nacionais decisivos para o desenvolvimento do processo no país (históricos, cartas, declarações e outros). O livro de Genebaldo Freire Dias (Editora Gaia, 551 páginas, R$ 48,00) oferece ainda mais de 100 sugestões de práticas de educação ambiental e apresenta diversos elementos para subsidiar ações (suporte metodológico, legislação, vasta referência bibliográfica, nacional e internacional). Traz estudos de casos, acoplados a outros elementos para a compreensão das questões ambientais (cronografia, análise socioecossistêmica e artigos sobre alterações ambientais globais, a pegada ecológica, a cogestão e a sustentabilidade).Dada à sua riqueza de informações, trata-se de uma obra para consultas freqüentes, por todas as pessoas que, de alguma forma, estão envolvidas com a temática ambiental.O TEMPERO ARRETADO DE MOACIR JAPIASSU, DE VOLTA ÀS LIVRARIAS.Um autêntico clássico da gastronomia nacional. Assim pode ser definido o livro Danado de bom! ? O melhor da cozinha nordestina, do jornalista e escritor Moacir Japiassu, que a Editora Nova Alexandria acaba de relançar. "Uma nova edição, retemperada e mexida suavemente com a colher de pau", segundo o autor. O livro, que ficou fora do mercado por muitos anos ? embora tenha sido um best-seller de culinária por ocasião de sua primeira publicação ?, ganha agora novas receitas e ilustrações. Os cheiros, gostos e encantos da culinária nordestina estão presentes em pratos que compreendem desde os tradicionais, como o bolinho de aipim, bobó de camarão, baião-de-dois e variados tipos de moquecas, até novidades saídas do forno, como a surubada de siri catado, uma invenção do autor que envolve uma hilariante situação. Todos os pratos típicos do sertão, muitos deles tendo como base a carne de sol, encontram-se no livro, revelando também os truques e segredos de uma cozinha bem temperada, que mistura o agreste e o gosto do mar em proporções deliciosas.Como afirma Sílvio Lancellotti, na apresentação, Japiassu, com este Danado de bom! (112 páginas, R$ 39,00) "revoluciona a pesquisa culinária do país e consolida, numa obra indispensável, os múltiplos rastros da gastronomia do Nordeste do Brasil".UM RELATO SOBRE 100 ANOS DE TIROTEIOS. AQUELES DO VELHO OESTE.Um livro sobre os filmes que retratam os tempos de tiroteios no Velho Oeste norte-americano. Nele, as respostas para muitas perguntas. Como estas:? Você sabia que:Um dos Djangos mais populares do "Bang Bang à italiana" era um ator brasileiro chamado Anthony Steffen?Que o nome verdadeiro de John Wayne era Marion Michael Morrison?Que Sean Connery, para se livrar do estigma de James Bond, atuou em um filme de faroeste ao lado de Brigitte Bardot?Que o ator-diretor Clint Eastwood começou sua carreira em uma série de faroeste para a TV?Ou ainda que o ator Johnny MacBrown foi relegado aos filmes de faroeste B por ter se envolvido com a namoradinha de um famoso magnata da imprensa norte-americana?Pois bem, as respostas, todas, estão em 100 Anos de Western (Opera Graphica Editora, 148 páginas, R$ 32,00), do ítalo-brasileiro Primaggio Mantovi, que acaba de chegar às livrarias.O livro conta toda a história do gênero, desde seus primórdios, em 1903, até os dias de hoje, passando por fatos históricos que marcaram não só o cinema, mas o mundo de modo geral. Desfilam pela obra grandes personagens como Búfalo Bill, Calamity Jane e Wyatt Earp. Escritores como James Fennimore Cooper e Zane Grey. Diretores como John Ford, Raoul Walsh e Sam Peckinpah. Além de astros e estrelas como John Wayne, Gary Cooper, Gregory Peck, Randolph Scott, Clint Eastwood, Barbara Stanwick, Marlene Dietrich e Maureen O?Hara.EM PAUTA, UMA DISCUSSÃO SOBRE O MARKETING. AFINAL, HERÓI OU VILÃO?A apresentação do livro coube a Júlio Ribeiro, o conceituado publicitário, presidente do Grupo Talent. Diz ele, por exemplo: "Fico feliz em constatar que pessoas como Samuel Szward tenham a lucidez de estudar e preservar em forma de livro os elementos essenciais que caracterizam o marketing de nossa época". De fato, em Marketing: Herói ou Vilão? (Summus Editorial, 138 páginas, R$ 23,00), está, no estilo ao mesmo tempo sério e descontraído de Szward, uma demonstração de como a dinâmica dos mercados e o marketing mudaram. Está um apanhado crítico e elucidativo das idéias e métodos que transformaram, nos últimos anos, o marketing nesse conceito tão controverso e discutido. "Todos começaram a usar o marketing como sinônimo de mentira, de logro", protesta o autor, que, além de advogado e jornalista, é também publicitário e marqueteiro. A sua proposta: "Vamos separar, urgente, o joio do trigo. Se o meu livro conseguir fazer com que as pessoas pelo menos tenham dúvidas, já terei alcançado o meu objetivo", acrescenta ele.

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