Na estante da semana, Gilberto Freyre, García Márquez...

A sétima edição de Nordeste, do mestre Gilberto Freyre; o primeiro volume da autobiografia de Gabriel García Márquez; a reedição de um clássico de Roland Barthes. Estes são alguns dos destaques da coluna Estante da Semana, de Nicodemus Pessoa. MAIS UM GILBERTO FREYRE NO CATÁLOGO DA GLOBAL. AGORA, NORDESTE.Depois de ter lançado, nos últimos seis meses, Casa-grande & Senzala, Sobrados e Mucambos e Ordem e Progresso, a Global Editora apresenta agora Nordeste, que chega à sua 7ª edição com a apresentação do professor Manoel Correia de Andrade. Publicado inicialmente em 1937, com o subtítulo Aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil, o livro não integra a famosa trilogia do autor, mas guarda um valor irrefutável pela sua originalidade. Misturando ensaio com poesia, Gilberto Freyre se propôs a fazer um "estudo ecológico do Nordeste", quando a palavra ecologia ainda não estava na moda, e a região Nordeste ainda era olhada a distância mais com compaixão do que com atenção. Nordeste constitui a primeira denúncia no Brasil e possivelmente na América, em termos sociológicos, da poluição dos rios pela imprudência das indústrias. Ler Nordeste (272 páginas, R$ 48,00), hoje, é recuperar parte da história de um drama social que ainda não acabou. Sobretudo, é entender que os nordestinos, já há muito tempo, conhecem bem seu drama regional e sabem que são parte tanto do problema quanto da solução.NAQUELES ANOS DISTANTES, MUITO DISTANTES. NA BOCA DO LIXO.Na época de sua primeira publicação, na década de 70, Boca do Lixo já soava nostálgico por focalizar um cenário e um bando de personagens que não existiam mais. Quem diz isso é o jornalista Marçal Aquino, que assina a apresentação do livro. As histórias da Boca, contadas por Hiroito de Moraes Joanides, evocam, segundo ele, um tempo que desapareceu. Pertencem agora, assim como todos os seus personagens, ao terreno da lenda. No entanto, num momento em que livros-depoimento trazem notícias - más notícias, é bom que se diga - de um Brasil conflagrado, o relançamento de Boca do Lixo (264 páginas, R$ 29,90), pela Labortexto Editorial, é mais do que pertinente, já que propicia um material muito rico para reflexão. Hiroito resgata os tempos dos reis da Boca, personagens que já nasceram decadentes. Suas histórias e façanhas, embora temperadas com uma dose aguda de violência em alguns casos, parecem quase românticas nestes tempos de organizações criminosas ultraprofissionais. Os métodos da "Gangue da Parker", por exemplo, um bando que se valia de verdadeiras técnicas de prestidigitação para faturar canetas na Boca, seriam considerados ingênuos por qualquer ladrão de Rolex que ataca nos semáforos nos dias de hoje.O GRANDE GARCÍA MÁRQUEZ, O GABO. COM MUITAS HISTÓRIAS PARA CONTAR.Um homem para quem a proposta de aposentadoria é uma agressão. Aos 75 anos, Gabriel García Márquez trabalha e cria como se cada segundo fosse imprescindível. Em Viver Para Contar, primeiro volume de sua autobiografia, lançado pela Record, acompanhamos as origens do realismo fantástico e da Colômbia. Logo no início, Gabo adverte os leitores que a vida é mais do que o que vivenciamos. É, ainda, as lembranças que guardamos dos fatos que vivemos. E ao ser apresentado aos principais acontecimentos da vida do escritor, o leitor reconhece muitas das passagens mais interessantes de seus romances. Em Viver Para Contar (490 páginas, R$ 55,00), García Márquez retorna a Aracataca, sua cidade natal, com a mãe, para vender a casa da família. E segue até 1957, quando viaja ao exterior pela primeira vez. O livro acompanha, principalmente, a infância do escritor e os fatos que influenciaram de forma decisiva sua carreira. Filho de um operador de telégrafo colombiano, é o mais importante escritor de língua espanhola na atualidade. Seu estilo de contar histórias em que o real e o sobrenatural se confundem está presente na maior parte das obras que criou ao longo da carreira, iniciada como jornalista na década de 40. Foi correspondente na França, na Espanha e em Nova York. Paralelamente, García Márquez começou a publicar contos em vários jornais e revistas.UM CLÁSSICO DE ROLAND BARTHES, RELANÇADO COM O SELO DA DIFEL.Um dos livros mais importantes da extensa obra do francês Roland Barthes, um mestre da semiologia, está de volta às prateleiras. Seu Mitologias, que reúne ensaios escritos entre 1954 e 1956, publicados pela primeira vez em 1957, foi relançado pela Difel. Uma reedição ampliada, com dez textos novos. Em Mitologias (256 páginas, R$ 32,00), Barthes, falecido há 23 anos, faz uma crítica ideológica da chamada cultura de massa. Os ensaios, traduzidos por Rita Buongermino, Pedro de Souza e Rejane Janowitzer, permanecem atuais. O autor reflete também sobre alguns mitos da vida cotidiana francesa, tendo como ponto de partida um sentimento de impaciência frente à maneira natural com que a imprensa, a arte e o cinema mascaravam, segundo ele, a realidade, a serviço de interesses ideológicos.UM ANO DE ELEIÇÃO. ENTÃO, VAMOS FALAR COM QUEM ENTENDE DE ELEIÇÃO.As eleições municipais de 2004 estão lançando às ruas milhares de candidatos a vereador e a prefeito. Está mais uma vez em evidência o ritual cívico da democracia. A população transforma-se em eleitorado e é exposta à intensa competição entre os candidatos e suas propostas. Para auxiliar eleitores e candidatos a viver esse novo e instigante momento, a Fundação Konrad Adenauer acaba de lançar o Manual Prático de Marketing Político (74 páginas, R$ 15,00), da sua nova série Escola Política. Um livro com a assinatura de prestígio de Rubens Figueiredo. Nele o leitor encontrará uma descrição detalhada de todas as práticas e técnicas que se encontram agrupadas sob a expressão "marketing político", utilizadas em campanhas eleitorais. Com isso, pretende-se fornecer subsídios para melhor entender e avaliar criticamente os produtos do chamado marketing político, com os quais os cidadãos deparam-se atualmente, além de permitir ao futuro candidato ter noções básicas de todo o processo de comunicação.UMA HORA DIFÍCIL, MUITO DIFÍCIL. A ESCOLHA DA PROFISSÃO.Escolher uma profissão não é, e nunca foi, uma tarefa fácil. Ao contrário: a grande maioria dos jovens, segundo atestam depoimentos de psicólogos especializados, sofre, e sofre muito, na hora da decisão. Alguns beiram à angustia. Mas o que já era um problema de bom tamanho complicou-se mais ainda no Brasil atual. Por que tanta complicação? As respostas estão em A Escolha Profissional - Do Jovem ao Adulto, de Dulce Helena Penna Soares, lançado pela Summus Editorial. Nele (200 páginas, R$ 27,00 ), além da orientação para jovens, são abordadas as possibilidades de reorientação de carreira para adultos, sejam estes os insatisfeitos com sua situação, premidos pelas transformações do mercado de trabalho, ou aqueles que apenas tardiamente conseguiram iniciar sua formação universitária.A partir do questionamento da própria essência da orientação profissional, Dulce Helena Penna Soares, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina, e pesquisadora sempre atenta aos fatores que atuam sobre a escolha da profissão, formula suas propostas. O livro, resultado da tese de doutorado da autora, defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estimula o leitor a desenvolver seus próprios métodos, para a escolha da profissão, convidando-o a novas descobertas nesse campo.

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