Na estante da semana, Fernando Morais em antologia de reportagens

Textos do jornalista são comentados pelo próprio autor. E mais: o racismo no Brasil visto por um abolicionista, o perfil das principais árvores encontradas na cidade de São Paulo, um novo romance policial do americano John Lescroat...O TALENTO DE FERNANDO MORAIS, NUMA ANTOLOGIA DE REPORTAGENS.Um livro que reúne doze reportagens do jornalista Fernando Morais, escritas ao longo de uma carreira de quase quarenta anos. Cem Quilos de Ouro (Cia. das Letras, 328 páginas, R$ 37,50) é a amostra de um autor que, como escreve Ricardo Setti na orelha do livro, tem "sangue, nervos, vísceras e alma de repórter". Acrescidas de comentários do autor elas valem como verdadeiras aulas de jornalismo.A matéria que dá nome ao livro trata do seqüestro do empresário Guilherme Affonso Ferreira, O Willy, ocorrido na Bahia em 1988 (época em que esse tipo de crime ainda era raro no Brasil). Os seqüestradores exigiram cem quilos de ouro para libertar o refém. A reportagem "O sonho da Transamazônica acabou" foi escrita quatro anos depois de Morais ter ganho o Prêmio Esso com uma reportagem pioneira sobre a rodovia. O repórter percorreu 5.296 quilômetros da estrada, desde a Paraíba até o Acre.A TRAJETÓRIA EXEMPLAR DE UM INTELECTUAL ABOLICIONISTAEm O Fiador dos Brasileiros, a historiadora Keila Grinberg faz uma análise da biografia de Antônio Pereira Rebouças, um dos principais defensores do abolicionismo. O livro, editado pela Civilização Brasileira, mostra um pouco do que era de ser negro ou pardo no Brasil oitocentista, ainda sob a influência do trabalho escravo. Explora também a questão de adoção de políticas afirmativas para o combate ao racismo e coloca no centro do debate a questão das identidades raciais no país.A autora acompanha a trajetória do político e advogado Rebouças desde o seu nascimento, em 1798, até sua morte, em janeiro de 1880. Analisa como Antonio Pereira Rebouças, filho caçula da mulata Rita dos Santos e do português Gaspar Pereira Rebouças, transformou-se num dos maiores especialistas em direitos civis do país, além de pai do engenheiro abolicionista André Rebouças. O Fiador dos Brasileiros (350 páginas, R$ 39,00) descreve como as modestas posses da família levaram Rebouças a trabalhar como escriturário em Salvador - de tanto lidar com leis, tornou-se rábula, doutor sem diploma.Advogado autodidata, várias vezes deputado, nas décadas de 1830 e 1840, Rebouças funciona como fio condutor das mudanças no tratamento dos negros brasileiros. Ele é o paradigma de um novo negro: intelectual formado nos quadros da moderna cultura ocidental.OS ALICERCES DE UMA CARREIRA. SAIBA COMO ESCOLHER.E agora? Como não dá para adaptar o mundo às suas necessidades, o que lhe resta fazer? Ora, adaptar-se - com inteligência e discernimento - às demandas que o mundo impuser. Essa é a questão. Em E Agora, o Que é Que Eu Faço?!, Adriano Silva vai direto ao ponto e mostra os principais passos para escolher ou mesmo verificar se sua escolha de profissão está certa. Utilizando-se de sua própria experiência, o autor mergulha nas dúvidas mais freqüentes sem julgar, apenas reconhecendo-as e mostrando um caminho, sem querer impor nada.O livro (Alegro, 168 páginas, R$ 25,00), deixa claro que entender a diferença entre emprego e carreira é fundamental para que o vestibular possa tornar-se um aliado na posterior realização profissional. Todas essas decisões importantes devem ser tomadas nesse período onde a vida está apenas se apresentando.O autor, gaúcho de Porto Alegre, é mestre em marketing internacional pela Universidade de Kyoto, Japão.UM GRANDE PARQUE CHAMADO SÃO PAULO. A CIDADE DE 450 ANOS.A artista plástica Jean Irwin Smith apenas nasceu nos Estados Unidos. Desde muito criança mora em cidades da América do Sul. Em São Paulo, por exemplo, está há mais de 25 anos. "Meu coração é brasileiro", costuma dizer ela. Paulistano, sobretudo. A sua primeira declaração de amor à cidade pode ser encontrada no livro Que Árvore é Aquela?, publicado pela primeira vez em 1981. Um sucesso na época, logo se esgotou. Eram pequenos perfis de árvores, ilustrados por aquarelas, mas não eram muitas.Um parque muito maior voltou às livrarias, nas páginas de Árvores Ornamentais da Cidade de São Paulo, editado pela Terceiro Nome (89 páginas, R$ 35,00). Exatamente 31 árvores têm agora suas histórias contadas por Jean Irwin Smith. A maioria dos nomes é conhecida, como Aroeira, Ipê-rosa, Dália-gigante e outras. Mas lá estão também algumas surpresas, como Pata-de-vaca, Angelim-de-morcego e Mangue-de-praia.As árvores são apresentadas em ordem alfabética, de acordo com a família a que pertencem. Mas, para facilitar a leitura, os seus nomes científicos (em latim, sabidamente) e seus nomes comuns, em inglês e português, estão listados no índice remissivo, no final do livro, também em ordem alfabética.Um exemplo da precisão da autora na apresentação de cada uma das árvores. Escolhemos a primeira do livro: a Aroeira. A Aroeira, conhecida nos Estados Unidos como Brazilian Pepper Tree, recebeu o batismo científico de Schinus terenbinthifolius. Por quê schinus?A palavra schinus, segundo Jean Irwin Shmith, indica uma planta nativa da região do Mediterrâneo. Todas as partes dessa árvore são mastigadas pelas mulheres árabes, para clarear os dentes e adoçar o hálito. Terebinthifolius, por sua vez, é uma palavra que descreve o forte cheiro de terebintina que emana das folhas esmagadas.UM LIVRO COM INGRDIENTES PESADOS. MUITOS INGREDIENTES.Está de volta o advogado Dismas Hardy, personagem do escritor norte-americano John Lescroat. Agora, em Nada Além da Verdade, editado pela Rocco (520 páginas, R$ 44,00).Crime, sexo, política, incêndio criminoso, seqüestro, pornografia infantil, luxuria, traição,perdão.Com todos esses ingredientes, John Lescroat mantém sua receita sob controle e o resultado é um fascinante romance policial, em que Dismas Hardy, advogado, tem setenta e duas horas para solucionar um crime ocorrido há três semanas.O tempo é crucial, pois Frannie, sua esposa, foi presa por desacato após se recusar a revelar, diante do grande júri, um segredo que lhe fora confiado por um amigo, Ron Beaumont.Do inicio ao fim da rede de intrigas e interesses contrariados, o que mais ressoa são segredos domésticos que afetam Hardy e seu casamento. A tensão de lealdades correntes e o sentimento de cada um dão profundidade e vigor à trama, galvanizada pela luta de Hardy para libertar a esposa e solucionar o crime em tempo recorde.COISAS DA INFÂNCIA, NA VISÃO DE DEZESSEIS INTELECTUAIS.Em Os Intelectuais na História da Infância, da Cortez Editora, organizado pelos professores Moises Kuhlmann Jr. e Marcos Cezar de Freitas, estão trabalhos de nada menos de dezesseis autores, brasileiros, portugueses, argentinos e norte-americanos.A idéia do livro (504 páginas, R$ 46,00) é mostrar momentos singulares, nos quais o trabalho intelectual transformou os temas criança e infância em "objetos de ciência" e razão de ser da constituição de muitas "obras de referência" sobre o assunto. A origem do projeto está no livro História Social da Infância no Brasil, cuja primeira edição, em 1997, abriu caminho para um processo de reflexão concatenada, no país e fora dele, a respeito das tramas de idéias e representações que, nos últimos séculos, têm acompanhado interpretações socialmente partilhadas sobre a criança em suas particularidades e também em suas repercussões políticas.Quando o livro História Social da Infância no Brasil foi publicado, anunciou-se que uma coletânea já entrava em processo de organização. É o livro Os intelectuais na História da Infância.UM GUIA INTELIGENTE E PRÁTICO PARA O SUCESSO DE EMPRESASUm lançamento da Campus: Relacionamentos Estratégicos A chave do sucesso nos negócios, de Leonard Greenhalgh, professor de administração e gestão de relacionamentos da Amos Tuck School of Business Administration em Dartmouth College. O livro de Greenhalgh (356 páginas, R$ 59,90) chega às livrarias brasileiras acompanhado de elogios de peso. "Um guia inteligente e prático, baseado em experiência real e profunda", diz dele, por exemplo, Michael Wheeler, professor de Administração da Havard Business School. Vejamos o que se discute em Relacionamentos Estratégicos.Qual é o segredo da vantagem competitiva no mundo dos negócios atual? Será que basta aos gerentes planejar, organizar, dirigir ou controlar, como no passado? Para Greenhalgh, os gerentes bem-sucedidos de hoje são antes de mais nada negociadores hábeis em estimular, orientar, proteger e apoiar relacionamentos de cooperação, além de gerenciar conflitos com colegas, funcionários, chefes, fornecedores, clientes e concorrentes. Segundo o autor, as empresas que terão sucesso na nova era serão as que souberem fazer os elementos organizacionais atuarem em conjunto - integrar, com eficiência, estratégia, processos, organização do negócio, recursos, sistemas e pessoal com empowerment. O autor mostra também como os relacionamentos, ao invés da tecnologia ou know-how, são a base da nova empresa ampliada.O ÓBVIO PODE SER UM BOM NEGÓCIO. EXCELENTE NEGÓCIO.Quadro 1. Entra em cena um personagem. Seu nome? Óbvio. Saído da imaginação da administradora de empresas e publicitária Luciene Branco, Óbvio ganhou um rosto no traço do artista gráfico Raghi. O Óbvio reside em todo lugar, freqüenta a mesma padaria e a mesma banca de jornais da rua. Mas é um ilustre desconhecido no bairro. Quadro 2. Outro morador do bairro é o empresário Bernardo Ramos.Os dois personagens, um imaginário mas extraído do mundo empresarial brasileiro, e o outro, Óbvio, real, palpável, convivem e dialogam ao longo das 144 páginas de Mark-Óbvio, um manual de markenting dirigido especialmente a pequenos e microempresários, administradores de empresas, gerentes de vendas e publicitários. Enfim, os profissionais interessados ? ou mesmo dependentes ? das ferramentas do marketing.Mark-Óbvio, da Summus Editorial (R$ 21,00), é, assim, uma aula de ditadismo da primeira à última página.Um livro de texto leve, claro. Não apenas profissionais mas também o leigo ? o leigo interessado em conhecer os conceitos fundamentais do marketing ?, pode usufruir, e aprender muito, com a leitura de Mark-Óbvio.A autora, formada em administração pela FAAP, e pós-graduada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, reúne em Mark-Óbvio sua experiência como consultora de empresas e sua vivência em agências de publicidade do porte da McCann-Erickson e da Logus.

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