Na estante da semana, duas abordagens sobre a literatura brasileira

E mais: a história da luta dos sem-terra, a trajetória do piloto Ayrton Senna, um pianista que mostra como fazer música no computador...UMA NOVA REEDIÇÃO DO MINEIRO SILVIANO SANTIAGOUm relançamento: Nas Malhas da Letra, de Silviano Santiago. Publicado em 1988, o livro reúne 16 ensaios sobre literatura e cultura brasileiras, escritos entre os anos de 1982 e 1988, sendo uma referência à avaliação crítica da criação literária nacional: seus rumos, desvios e influências. O escritor mineiro aponta alternativas para o projeto de modernização artística brasileira.Nas Malhas da Letra (Rocco, 276 páginas, R$ 30,50) está dividido em quatro partes. Na primeira, uma análise da produção literária pós-64. Na segunda parte, a preocupação é com os modernistas. O autor exercita uma crítica que pressupõe uma tomada de posição consciente, relevante e polêmica. Na terceira, retoma a questão das relações entre a Europa e as Américas pelo viés do ensaio de Umberto Eco, Viagem pela hiperrealidade, e pela crítica de uma forma de censura artística em país tão democratizado quanto a Alemanha pós-hitleriana. E, por último, recupera a preocupação teórica que se encontra disseminada nos seus textos que tangenciam a literatura comparada. O objetivo é questionar a metodologia de leitura, que se encontra em sua produção recente. Também fazem parte do debate proposto na obra as relações de poder, as grandezas e impasses surgidos com os ideais da Semana de Arte Moderna de 1922 e a interferência da mídia na produção e legitimação da literatura.A HISTÓRIA DO PILOTO AYRTON SENNA, CONTADA POR DANIEL PIZA.Uma coleção em homenagem aos 450 anos da cidade de São Paulo. Começa com a história do piloto Ayrton Senna, contada pelo jornalista e escritor Daniel Piza. Em Ayrton Senna ? O Eleito (Ediouro, 144 páginas, R$ 29,00) está a trajetória do garoto que começou brincando de kart nas ruas do bairro de Santana, na zona Norte da cidade, e se tornou um dos maiores ídolos mundiais.Na apresentação do livro, os editores explicam a idéia da coleção. "Uma metrópole como São Paulo", diz o texto, "é feita de anônimos e de muitas vozes que se misturam. Entre os milhões de habitantes da cidade, no entanto, algumas vidas, nomes e obras tornaram-se inesquecíveis". Como Ayrton Senna, por exemplo.A coleção, segundo a editora, mostrará também as histórias de personagens como Caio Prado Junior, José Hamilton Ribeiro, Hebe Camargo e Jânio Quadros.NOVAS MEMÓRIAS DO CÁRCERE. UNS TEMPOS DIFÍCEIS NA BAHIA.A repressão na Bahia nos anos amargos da ditadura militar narrada por homens e mulheres que sacrificaram a liberdade, ou mesmo a vida, no combate ao autoritarismo e à injustiça. Da experiência pessoal ? quatro anos de prisão na Penitenciaria Lemos de Brito, Emiliano José partiu para um trabalho jornalístico que lhe permitiu reconstruir esse período com a densidade que só as historias reais têm. Daí nasceu o livro Galeria F (Casa Amarela, 125 páginas, R$ 15,00). Os depoimentos, carregados de dramaticidade, foram publicados inicialmente em capítulos no jornal A Tarde, de Salvador, entre agosto de 1999 e julho de 2000. A cada capítulo publicado, o jornalista corria atrás de fontes para escrever o próximo. Com isso, como explica, "a série assumiu um ar folhetinesco, novelesco, varias vezes me paravam na rua para perguntar o que ia acontecer no capítulo seguinte".O livro é a resultado dessa série e da paixão que despertou nos leitores. Emiliano José traz seu testemunho e o de tantos outros de sua geração, suprindo a lacuna da historia oficial a partir de 1964 e aproximando a sociedade de sua historia real.A HISTÓRIA DAS LUTAS DOS SEM-TERRA. AGORA EM LIVRO.Uma ampla pesquisa, realizada entre 1995 e 2000, resultou, primeiro, em uma tese de mestrado em Ciência Política e, agora, chegou às estantes. O livro A Ação Política do MST, de Bruno Konder Comparato, mostra a organização dos sem-terra como um intrépido ator político. "Contrariando toda uma suposta tradição de passividade e anomia do povo brasileiro, o MST consegue se organizar, ter força política e desafia os poderes", afirma o autor.O livro (Expressão Popular, 237 páginas, R$ 8,00) ganhou prefácio nobre. Nada menos que a assinatura do grande criminalista Evandro Lins e Silva, falecido recentemente, depois de uma vida toda dedicada à defesa da liberdade e do povo brasileiro. O prefácio foi o último texto que escreveu, segundo os editores.Bruno Konder Comparato é engenheiro naval, formado pela Escola Politécnica da USP, e cientista social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, também da USP, perante a qual defendeu a tese que embasa o seu Ação Política do MST.UM POUCO DA HISTÓRIA DA PARAÍBA. EM ANOS AGITADOS.Uma historiadora da Paraíba de nome marcante: Martha Maria Falcão de Carvalho e Morais Santana. Em seu livro, Poder e Intervenção Estatal (Editora UFPB, 277 páginas, R$ 20,00), ela discorre, em estilo leve e fluente, sobre os acontecimentos decisivos na vida econômica, social e política do Estado nos longínquos anos 30 e 40.O livro, que nasceu de sua tese de doutorado em História, defendida na Universidade Federal de Pernambuco, registra o caos social e os índices de pobreza e miséria da população paraibana não apenas no período estudado, mas também dos anos 20. Descreve um verdadeiro caos. Eram assombrosas, segundo ela, as cifras da mortalidade infantil na Capital ? que ainda não se chamava João Pessoa e, sim, Paraíba ?, principalmente devido às deficiências na alimentação das crianças.Poder e Intervenção Estatal é o segundo livro de Martha Maria, professora adjunta do Departamento de História da UFPB. O primeiro, Nordeste, Açúcar e Poder, em que ela estuda a oligarquia açucareira da Paraíba, foi publicado em 1990. Era sua tese de mestrado.CUIDE BEM DO SEU BOLSO. E CUIDE TAMBÉM DA NATUREZA.Um livro que ensina, basicamente, a economizar. Lições de sobrevivência, preciosas. Mas no centro de seus 28 capítulos está a defesa do meio ambiente. A autora, Isalva Accioly, jornalista e professora universitária, define-o como um guia básico para equilibrar as finanças pessoais, defender seus direitos e proteger a natureza.De fato, é um guia recomendável. Idealizado a partir de casa, onde começa todo o processo educativo, Economize Sempre - O Planeta Agradece e o Seu Bolso Também (Mescla Editorial, 230 páginas, R$ 29,00), ensina a elaborar o orçamento doméstico que, evidente, varia de acordo com as prioridades, as necessidades e o dinheiro de cada pessoa.A preocupação com a natureza está, como dissemos antes, presente em todas as páginas. Está em mini-aulas sobre a importância de economizar água, gás, energia elétrica e não desperdiçar alimentos.Vejamos Isalva Accioly falando de água, por exemplo: "Hoje, dos seis bilhões de habitantes do Planeta, 30% (1,8 bilhão) enfrentam a escassez da água. Os árabes já estão sofrendo com esse problema, mesmo sendo tão ricos. Mas, até 2025, três bilhões de pessoas (metade dos habitantes do Planeta), em 48 paises, serão afetados com a escassez da água. A demanda de água cresce de 5% a 10% ao ano, diz Leon Awerbuch, presidente do Programa Técnico da Associação Internacional de Dessalinização (ADI)".Uma ameaça já bastante conhecida? Sim, mas apenas no pequeno universo de estudiosos do meio ambiente. Nada custa insistir com os que, quase sempre inconscientes, contribuem para o lastimável desperdício de água.UM LIVRO DA EDITORA CAMPUS, PARA MÚSICOS E APRENDIZES.Um livro em que Luciano Alves, pianista, compositor e analista de softwares mostra como é possível fazer música com o auxílio de equipamentos eletrônicos e informatizados. Chama-se Fazendo Música no Computador, e chegou recentemente às livrarias.O livro (Editora Campus, 324 páginas, R$ 49,00), com revisão técnica de Sólon do Valle, outro especialista na matéria, pode ser utilizado por iniciantes que pretendem entrar no mercado da música digital ou por aqueles que já conhecem a matéria, mas desejam se aprimorar. Novos campos de atuação para músicos e produtores foram criados, segundo o autor, com a introdução da informática na música. A própria tecnologia dos computadores desencadeou ou contribuiu para o surgimento de novos estilos musicais. A tecnologia atual permite registrar notas uma a uma, emendar trechos já gravados e utilizar bases pré-seqüenciadas de forma que, em curto espaço de tempo, a música está montada.O MESTRE DO PSICODRAMA JACOB MORENO, EM DICIONÁRIO.Depois de nove anos de pesquisas, a psicoterapeuta paulista Rosa Cukier reuniu em um dicionário os principais conceitos utilizados pelo criador do psicodrama. Palavras de Jacob Levy Moreno (Editora Ágora, 368 páginas, R$ 46,00), facilita a compreensão do pensamento do autor, conhecido também pela complexidade de seus textos. O dicionário é útil tanto para especialistas em psicodrama que queiram apenas confirmar ou ampliar o conhecimento dos conceitos utilizados por Moreno, como para aqueles que estão iniciando os estudos sobre o tema e queiram evitar mal-entendidos.Rosa Cukier, psicoterapeuta formada pela Sociedade de Psicodrama de São Paulo e pelo Instituto J.L. Moreno, teve a idéia de fazer o vocabulário de conceitos morenianos há 15 anos, quando começou a escrever livros sobre psicodrama e pesquisava a obra do autor à procura de alguma citação ou definição que havia lido em algum lugar, mas não se lembrava onde.

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