Na estante da semana, a volta da poesia do paulista Cassiano Ricardo

Antologia traz os melhores momentos do poeta, nascido em 1915. E mais: o fascínio dos diálogos de Platão, as relações entre o jornalismo e a publicidade, as idéias malucas da ciência...A POESIA DO PAULISTA CASSIANO RICARDO, DE VOLTA ÀS LIVRARIAS. Aos 20 anos, em 1915, Cassiano Ricardo, um paulista de São José dos Campos, estreou com Dentro da Noite. A partir de 1926 ? depois de ter abraçado a experiência modernista ?, juntamente com Plínio Salgado, Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia levantou a bandeira do ?verde-amarelismo?, em resposta ao nacionalismo exacerbado do movimento ?Pau-Brasil?, liderado por Oswald de Andrade. Segundo a professora e crítica de literatura Nelly Novaes Coelho, Cassiano Ricardo demonstrou não só uma vitalidade inigualável em sua geração, como também submeteu-se a uma série de provações: empenhou-se na conquista de novas soluções estilísticas, em decorrência de novas imagens de mundo e continuou fiel à sua ?garra? original.Na apresentação de Melhores Poemas de Cassiano Ricardo (Global, 304 páginas, R$ 34,00), de volta às livrarias, a professora Luiza Franco Moreira destaca que a maior parte dos poemas selecionados por ela nesta antologia está fora do prelo há muito tempo. Por esse motivo, o livro permite ao público retomar contato com o trabalho de um poeta que exige muito do leitor, mas ao mesmo tempo proporciona recompensas inesperadas. ?Os melhores momentos de sua poesia são notáveis pelo bom humor e a espontaneidade?, diz ela.UM JORNALISTA FALANDO DE SEU TEMA FAVORITO, A PEREGRINAÇÃO. A palavra peregrinação está quase sempre ligada a uma viagem a lugares sagrados. Quase sempre. Mas para o jornalista norte-americano Phil Cosineau uma peregrinação tanto pode conduzir a Jerusalém, e ser de cunho religioso, quanto à cidade que é o cenário de um filme favorito. Ou uma viagem a uma aldeia que um escritor escolheu como o seu lugar do coração. A idéia do livro A Arte da Peregrinação (Editora Ágora, 259 páginas, R$ 33,00) surgiu da constatação de que o turista moderno freqüentemente refere-se a uma sensação de vazio final de uma viagem. ?Por que faltou-lhe um significado mais profundo em suas andanças?, diz Cousineau.Recorrendo à sua própria experiência (que é vastíssima) e a relatos que colheu, o autor orienta as pessoas que desejam se pôr a caminho de modo diferenciado e as encoraja a criar suas próprias jornadas.Ao ler A Arte da Peregrinação, o futuro peregrino é levado a refletir sobre os lugares que lhes são sagrados ou depositários de uma qualidade mágica e, então, sua grande viagem já começou.O MELHOR DE PLATÃO, COM ROUPA NOVA DA DIFEL. O mais famoso dos textos de Platão, com introdução e notas do professor J. Cavalcante de Souza, também responsável pela tradução. Em O Banquete, reeditado pela Difel (188 páginas, R$ 30,50), está um dos mais belos e mais simples de seus 28 diálogos. Segundo os estudiosos, o filósofo expõe, pela palavra de vários comensais, diversas concepções do amor. O que se passa em O Banquete? Num jantar em casa de um poeta, que comemora sua vitória em um concurso de tragédias, os convivas resolvem instituir outro concurso, oratório dessa vez, e em conseqüência cada um deles faz um discursso de elogio ao amor. Os discursos são reproduzidos a um grupo de amigos por um narrador, que os ouvira de um dos convivas. Essas peças constituem o arcabouço do Banquete. Para muitos, o fascínio exercido pelos diálogos de Platão consiste na combinação da sua filosofia com a finura literária com que a expõe, de forma a lhe emprestar o bom gosto estilístico que se exige numa obra de arte. Suas idéias influenciaram Aristóteles, os estóicos, Cícero, Plutarco e os primeiros escolásticos.Nascido na Grécia, por volta de 427 a.C., Platão tornou-se, ao lado de Homero, Dante, Shakespeare e alguns outros, num dos pilares culturais da civilização ocidental.A PUBLICIDADE TEM MESMO TANTO PODER SOBRE A NOTÍCIA? Em O Jornalismo na Era da Publicidade, o jornalista Leandro Marshall analisa a influência da publicidade sobre os meios de comunicação. O livro (Summus Editorial, 173 páginas, R$ 28,40), que nasceu de uma pesquisa nas principais obras relacionadas ao jornalismo, aborda as formas de submissão das empresas da área de comunicação às regras do mercado. De acordo com Leandro, repórteres e editores passaram a se autocensurar e a produzir apenas reportagens que rendam audiência, tiragem e lucro. O autor exemplifica uma série de fatos em que jornalistas criam, forjam e manipulam acontecimentos, visando o marketing. Esse tipo de prática, segundo ele, pode ser inserido em 25 formas disfarçadas de publicidade dentro do jornalismo, mapeadas no livro.O livro também comenta o chamado ?jornalismo cor-de-rosa?, preparado para não desagradar ninguém, seja leitor, usuário, consumidor, cliente, dono ou anunciante: páginas supercoloridas, infográficos, layouts e designs mais arrojados, aumento da cobertura de esportes, notícias de comportamento, moda e previsão do tempo. Nesse modelo, o jornalismo vive em um regime em que a regra é estabelecer elementos que atraiam compradores e investidores e mantenham, assim, a saúde financeira da empresa.UMA CIÊNCIA MUITO MALUCA. MAS PÕE MALUCA NISSO. O que você pensaria de um cientista famoso, respeitado, que lhe dissesse que o sistema solar tem dois sóis e não apenas um? Ou de outro que lhe garantisse que não é o vírus HIV que causa a AIDS? Pode parecer maluquice, mas não para eles. Muitas das grandes verdades científicas de nosso tempo nasceram assim, de proposições que, de início, pareciam estapafúrdias. Um divertido (e também sério) passeio por essas idéias ? mais exatamente, nove delas ?, é o que nos propõe em As Nove Idéias + Malucas da Ciência o físico Robert Ehrlich, professor da Universidade George Mason, nos Estados Unidos. Mergulhando em assuntos do dia-a-dia, como criminalidade urbana ou o bronzeamento de pele, e em temas intrigantes como o Big Bang ou a viagem no tempo, Ehrlich consegue expor em linguagem simples, sem paixões, e com farta leitura de muitas fontes, os méritos de cada hipótese para avaliar se ela tem futuro. Prepare-se: algumas de suas conclusões são surpreendentes.Um dos méritos do livro (Prestígio, 272 paginas, R$ 39,00) é que Ehrlich não está preocupado em "vender" sua posição. O que ele quer, mesmo, é criar um método de investigação, para que cada um, a seu modo, examine essas idéias ou qualquer outra. Naturalmente, só o tempo dirá se alguma das nove "idéias malucas" discutidas no livro é verdadeira. Mas descobrir idéias preciosas, num caldeirão de palpites bizarros, é por si um exercício fascinante.UM REPÓRTER PREMIADO INGRESSA NO MUNDO DA FICÇÃO O jornalista Luiz Taques, um mato-grossense de Corumbá, tornou-se conhecido pelos seus textos-denúncia, mas também pelos prêmios que com eles conquistou. Em 1991, por exemplo, ganhou o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, com uma reportagem sobre escravidão em carvoarias de Mato Grosso do Sul (Folha de Londrina, PR). Em 1990, foi um dos ganhadores do Prêmio Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), com um trabalho sobre tortura policial em Campo Grande, MS (Folha de Londrina). Em 2001, editou, para a Empresa de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul, o livro Águas, de Manoel de Barros.Agora, o repórter premiado acaba de ingressar no mundo da ficção. Em O Casamento Vai Acabar com o Poeta (70 páginas, R$ 15,00), uma edição do autor que passou a fazer parte do catálogo da Editora Casa Amarela, Taques reúne onze contos. Histórias curtas, curtíssimas, estilo Dalton Trevisan. Como diz, na apresentação do livro, o crítico Ahmad Shcabib Hany, Taques ?com o olhar de peregrino, que o torna mais partícipe que testemunha, constrói o rico universo social de suas personagens com vida própria, frutos de sua pródiga imaginação, lastreada em sua invejável trajetória de repórter ávido de verdade?.

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