Na Estante da Semana, a paixão pelo jogo vista por Dostievski

O MARCANTE JOGADOR DE DOSTOIEVSK NO CATÁLOGO DA BERTRAND BRASIL As obras mais famosas do romancista russo são, como sabemos, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamozov, mas O Jogador, relançado pela Bertrand Brasil, não está muito longe desse patamar de qualidade. O Jogador (192 páginas, R$ 26,00) é uma análise, profunda e impiedosa, de um homem dominado por seus impulsos e incapaz de resistir à tentação do jogo, razão pela qual arrisca o próprio destino na roleta. Neste livro, Dostoievsk faz-se o modelo de seu personagem. Foi o que escreveu Thomas Mann: "A paixão pelo jogo foi sua segunda doença, possivelmente relacionada com a primeira (a epilepsia), uma obsessão verdadeiramente anormal. A isso devemos o maravilhoso romance O Jogador, que se passa numa estação de águas alemã, inverossímil e perversamente chamada Roletemburgo. Neste romance, a psicologia da paixão mórbida e do demônio Sorte é exposta com incomparável veracidade".Dostoievski punha em tudo que produzia a marca de sua genialidade, a profundeza de sua visão da alma humana, o vigor na caracterização de situações e personagens. Nasceu em Moscou, em 1821, e faleceu em São Petesburgo, em 1881. Após concluir a faculdade de Engenharia, sofre com o brutal assassinato do pai. Seu primeiro romance, Gente Pobre, escrito em 1844, sofreu forte influência de Gogol. UM LIVRO EM QUE O RIO DE JANEIRO É CENÁRIO E TAMBÉM O PERSONAGEM Um desfile de personagens (ou celebridades?) ilustres do Rio. O autor, Francisco Paula de Freitas, jornalista, nasceu no bairro do Méier, na zona Norte. Os outros são mais conhecidos na Zona Sul: o também escritor Fausto Wolff, que assina o prefácio de Café e Bar Ponto Chic (Bertrand Brasil, 240 páginas, R$ 29,00), Benício Medeiros e o cartunista Jaguar, responsáveis pelas duas orelhas. O livro mostra a intimidade do autor com alguns bairros da cidade, de Copacabana ao Méier. São 27 histórias cheias de humor, paixão e também de algumas tragédias. Café e Bar Ponto Chic é a estréia de Francisco Paula de Freitas como contista. Antes, ele havia publicado um livro de poesias: Os Suicidas se Atiram de Pés Descalços, que mereceu elogios de pessoas do porte de Manoel de Barros, Millör Fernandes e Antônio Torres. O DIFÍCIL PROCESSO DE ESCOLHA DE PROFISSÃO, EM UM LIVRO DA SUMMUS. A autora, Sônia Regina Vargas Mansano, paranaense de Apucarana, é especialista em Recursos Humanos. Em Vida e Profissão - Cartografando Trajetórias (152 páginas, R$ 23,70), lançado pela Summus Editorial, ela faz uma análise sobre o período de escolha profissional e reúne um apanhado histórico sobre o conceito de adolescência e as diferentes escolhas que ocorrem nesse período. O livro de Sônia Regina, hoje professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina, responde a perguntas como estas: Qual é a idade adequada para uma escolha profissional? A escolha deve ser definitiva? Quais são efetivamente os fatores que a orientam? É desejável limitar a experimentação característica da adolescência obrigando o jovem a fazer uma escolha prematura?AS BOAS LIÇÕES DE HUGH DAVIDSON, COM O SELO DA EDITORA CAMPUS.O autor, Hugh Davidson, assina alguns best-sellers na área de marketing e é também professor visitante da Cranfield, uma das mais conceituadas escolas de negócios da Europa. Seu livro Compromisso Total, lançado pela Editora Campus (tradução de Guilherme Basílio), mostra que quando as empresas discutem visão e valores existe uma distância muito grande entre teoria e prática. Para Davidson, o gerenciamento desses dois fatores está ainda "na idade das trevas", em comparação com o marketing, as finanças e as operações em geral. Os pilares do livro (360 páginas, R$ 75,00) são entrevistas feitas pessoalmente pelo autor com líderes de 136 empresas de destaque nos Estados Unidos e na Inglaterra."Nunca se tem certeza se os líderes organizacionais estão pintando cenários cor-de-rosa. Por isso, as entrevistas cara a cara são mais eficazes", afirma Davidson.Sua pesquisa girou em torno de questões como: projeto e momento oportuno, vínculos com os fatores críticos de sucesso, comunicação por meio da ação e impregnação mediante avaliações e recompensas. À exposição desses temas, juntam-se centenas de exemplos de empresas como a PepsiCo, DuPont e Save the Children.UMA HISTÓRIA ALTERNATIVA DA FILOSOFIA. PROPOSTA DE SUSAN NEIMAN.Uma intelectual de muitas andanças, e também de muitos títulos. Susan Neiman, autora de O Mal no Pensamento Moderno (Difel, 392 páginas, R$ 49,00), que os editores brasileiros apresentam como uma história alternativa da filosofia, é hoje diretora do Einstein Forum, em Potsdam, na Alemanha. Antes, estudou na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e de lá saiu para dar aulas em Tel Aviv, Israel. Um nome de prestígio (muito) nos Estados Unidos e na Europa. O que mostra Susan Neiman em seu O Mal no Pensamento Moderno? Respostas: - O mal ameaça a razão humana, pois desafia a nossa esperança de que o mundo faça sentido. Para os europeus do século XVIII, o terremoto de Lisboa foi o mal manifesto. Hoje vemos o mal como uma questão de crueldade humana e Auschwitz como a sua encarnação extrema.A tradução é de Fernanda Abreu.O ESCRITOR NORTE-AMERICANO CHUCK PALAHNIUK, DE VOLTA ÀS LIVRARIAS.O primeiro sucesso de Chuck Palahniuk, considerado hoje um dos nomes de maior destaque da literatura norte-americana, foi o Clube da Luta, também editado no Brasil pela Nova Alexandria. Agora, chega-nos, com o mesmo selo - e em tradução de Marcelo Oliveira Nunes -, o romance Sobrevivente. Nele, uma crítica ácida, bem ao estilo de Palahniuk, aos valores e à educação da chamada sociedade consumista. Em Sobrevivente (240 páginas, R$ 32,00), ele diz coisas assim: hoje não há mais qualquer problema em oferecer Valium ao peixinho de estimação, nem mesmo em aprender algumas "técnicas úteis" para remover sangue de um teclado de piano. O importante é consumir, e basta, segundo Palahniuk. Não importa os compromissos morais.A marca de Palahniuk, segundo a maioria dos críticos, é a audácia e a contestação. Um autor imprevisível, dizem alguns. Hoje jornalista e escritor, antes eles passou por uma série de experiências profissionais: mecânico de automóveis, artista de rap, instrutor de academias de ginástica e membro assíduo de reuniões para viciados em sexo.

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