Na Estante da Semana, a história do Brasil sem tédio

AS MUITAS TRANSFORMAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA. EM UM LIVRO DA EDIOURO.Em 400 páginas, cinco séculos. A escritora Mary del Priore, que já nos havia dado, em 1999, o importante História das Mulheres do Brasil, retorna com O Livro de Ouro da História do Brasil (Ediouro, 400 páginas, R$ 39,00). Nele, del Priore analisa, em parceria com Renato Pinto Venâncio, especialista em demografia histórica e professor da Universidade Federal de Ouro Preto, as transformações sofridas pela sociedade brasileira da colônia aos dias de hoje. Os autores analisam a influência exercida não apenas por figuras destacadas de cada período, mas também por pessoas comuns que anonimamente construíram o Brasil. De fato, um verdadeiro livro de ouro. Mary del Priore e Venâncio revelam,ao abordarem cada período da História do Brasil, dados importantes sobre alimentação, vestuário, habitação, organização familiar, moda, crenças, desejos e temores, festas, hábitos domésticos, tipos de comércio e trocas etc. Cerca de cem ilustrações auxiliam o leitor a compreender todos os tópicos abordados.Por muito tempo acostumamo-nos a pensar que a História do Brasil era apenas uma disciplina de colégio: tedioso desfilar de nomes e datas, que precisávamos a todo custo decorar. Mas há alguns anos a coisa começou a mudar. Foram surgindo novos autores.Surgiu uma nova historiografia, jogando luz sobre os fatos passados do país de modo a nos fazer compreender seu percurso e seu presente. É nessa vertente que se insere o livro dos historiadores Mary del Priore e Renato Pinto Venâncio que, no entanto, distingue-se dos demais por sua amplitude de enfoque. Sem abrir mão do rigor científico, O Livro de Ouro da História do Brasil destina-se não somente ao especialista, mas a todo aquele que almeja conhecer melhor a História de nosso país, de suas origens aos dias de hoje, narrada de forma vívida e envolvente.OS VIOLEIROS CANTADORES DO NORDESTE, SEGUNDO O GRANDE LEONARDO MOTA.O prefácio de Cantadores, um livro a essa altura sessentão, editado a primeira vez pela Imprensa Universitária do Ceará, coube ao mestre Luís da Câmara Cascudo. Nada menos de 23 páginas de louvores à pessoa e ao trabalho do autor, Leonardo Mota (1891-1948). Diz coisas assim: "Ele, Leonardo, escreveu antes de ler e aprendeu a olhar antes de falar. Baixo, grosso, impetuoso, a máscara risonha, irradiante de simpatia. Era um toro de aroeira, ardendo ao sol do Ceará, povoado de violeiros. Ouví-lo era ver o sertão inteiro, tradicional e eterno, paisagem horizontal dos taboleiros, candelabros de mandacarus. Em qualquer parte do Brasil onde estivesse ressuscitava o Nordeste como nenhum escritor poderia fazer ou outro artista tentar".O que são os cantadores? São os poetas populares que perambulam pelos sertões, cantando versos próprios e alheios. No desafio é que se consolidam as reputações dos bardos populares do Nordeste. Todo cantador deve ser repentista: nem merece esse nome quem não é adestrado nas improvisações.Pois bem, a história desses personagens, escrita por Leonardo Mota, acaba de ser reeditada. A sétima edição. Cantadores (Editora ABC, 292 páginas, R$ 25,00).APRENDA UM POUCO MAIS SOBRE MAQUIAVEL. ESTE LIVRO ENSINA.Uma nova biografia de Nicolau Maquiavel. Esta, O Sorriso de Nicolau, editada pela Estação Liberdade, foi escrita por Maurizio Viroli, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, e consultor da presidência da República italiana. A tradução é de Valéria Pereira da Silva. Em O Sorriso de Nicolau (312 páginas, R$ 34,00), Viroli mostra que o pensador italiano não foi somente o autor de O Príncipe, livro considerado o fundador do pensamento político moderno. Era também uma personalidade complexa, inquieta, inclinada a viver as mais diversas experiências. O autor descortina nesta aprimorada biografia os encontros de Maquiavel com os poderosos, as amizades, os amores, as viagens, seus sucessos e suas derrotas. "Sempre fui fascinado pelo pensamento político e pelo que escreveu Maquiavel e, sobretudo, pelo seu modo singular de rir da vida e dos homens. Escrevi estas páginas para compreender o significado do sorriso que emerge de suas cartas, suas obras e de alguns retratos seus, pois acredito que esse sorriso encerra uma grande sabedoria de vida, ainda mais profunda do que o seu pensamento político", afirma Maurizio Viroli.NAS LIVRARIAS, A FASCINANTE E DRAMÁTICA HISTÓRIA DAS CRUZADAS.O autor, W. B. Bartlett, sempre mostrou-se fascinado pela história das Cruzadas. Era um projeto antigo escrevê-la. A sua História Ilustrada das Cruzadas (503 páginas, R$ 49,00), numa tradução de Nelson Almeida Filho, faz parte da coleção História Ilustrada, da Ediouro. De fato, um livro amplamente ilustrado, e de fácil compreensão. Nele, W. B. Bartlett reporta o leitor para todo o drama do movimento que durante grande parte da Idade Média procurou estabelecer a cristandade no seu local de nascimento. Trata-se de uma saga rica em paradoxos e contradições: ambição mundial e auto-sacrifício espiritual, orgulho e humildade, valores extraordinários e covardias indignas. A trajetória das Cruzadas é um dos capítulos mais ricos da História da humanidade. Historiadores vêm discutindo por anos o significado do movimento, considerado um dos mais atraentes do mundo Medieval, talvez até de todos os tempos. A primeira Cruzada foi iniciada pelo Papa Urbano II, em 1095, e as posteriores até a última em 1291.UM DEUS OU UMA DEUSA? UMA DEUSA CHEGOU A TER MAIS PODER.Será que um dia uma deusa chegou a ser mais cultuada que um deus em todos os cantos da terra? Chegou, sim. Pelo menos é o que garantem os mais conceituados arqueólogos e antropólogos. Confira em Todas as Deusas do Mundo, de Claudiney Prieto. O livro discorre sobre os mitos das principais deusas. Em Todas as Deusas do Mundo (Editora Gaia, 352 páginas, R$ 39,00) encontram-se também algumas das lendas, atributos e símbolos da deusa, além de informações necessárias aos que tiverem dificuldade em encontrar referências sobre os mitos da deusa em diferentes culturas. Encontram-se, também, informações sobre a deusa e seus rituais de acordo com os preceitos da Wicca - a Bruxaria Moderna. Segundo a Wicca, para a deusa tudo é sagrado e, por conseguinte, abençoado. Assim, os praticantes, independentes de sua classe socioeconômica, cultura ou sexo, sentem-se acolhidos e encontram na religião um elo para se conectarem com o sagrado e com o divino. Portanto, para deusa o importante é que as pessoas se encontrem livres de preconceitos e de visões limitadoras.Claudiney Prieto, um dos mais atuantes estudiosos sobre bruxaria no Brasil, divulga seus conhecimentos de forma clara e objetiva, em cursos e palestras. Além de Todas as Deusas do Mundo é autor de outros livros como o WICCA, a religião da Deusa (Editora Gaia), e Wicca, Ritos e Mistérios da Bruxaria Moderna.A SÃO PAULO DE AGORA E A HISTÓRIA DE MILHARES DE RUASUma pesquisa persistente e dedicada. Durante dois anos, Silvia Costa Rosa percorreu os arquivos municipais, recorreu a revistas e jornais antigos, entrevistou familiares e vasculhou a internet para escrever 1001 Ruas de São Paulo, agora editado pela Panda Books. No livro (222 páginas, R$ 29,00), ela mostra o que cada homenageado fez pelo bairro, pela cidade ou pelo país, lista locais e datas de nascimento e morte, e conta até em que ano a rua foi batizada. É um belo documento, para matar a curiosidade de todos os paulistanos!Vejam alguns exemplos.· Paulista, AvenidaParaíso/ Sé (1930)Aberta em 1890, recebeu esse nome de Joaquim Eugênio de Lima, antigo proprietário dos terrenos onde nasceu. Foi solenemente inaugurada em 8 de dezembro de 1891, já com iluminação, redes de água e esgoto e linha de bonde. Foi também a primeira via pública asfaltada e arborizada da cidade.· Oscar Freire, RuaJardim Paulista/ Pinheiros (1923)Oscar Freire de Carvalho. Nasceu na Bahia a 3 de outubro de 1882. Médico. Fundou a Sociedade de Medicina Legal e Criminologia e a Sociedade de Educação e Ensino. Deixou numerosos trabalhos no ensino de perícias. Faleceu em São Paulo, a 11 de janeiro de 1923.

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