Na Estante da Semana, 70 poetas cantam São Paulo

Uma coletânea de poemas sobre São Paulo. Um estudo sobre as principais deusas que já foram adoradas pela humanidade. Uma discussão sobre a língua falada no Brasil - é português ou é brasileiro? Estas são algumas das indicações desta coluna de Nicodemus Pessoa.São Paulo quatrocentona, meu grande amor.Uma longa declaração de amor à metrópole que em janeiro completou 450 anos. Nada menos de 70 poetas, vivos e mortos, estão reunidos na antologia Paixão por São Paulo, organizada pelo também poeta Luiz Roberto Guedes, um paulistano da Zona Leste, e editada pela Terceiro Nome. A mesma editora que lançou, recentemente, São Paulo de Piratininga ? De pouso de tropas a metrópole, outra grande homenagem à cidade. Uma bela surpresa nas páginas de Paixão por São Paulo é a presença de muitos poetas não paulistanos (ou paulistanos importados) que verbalizam o seu amor pela cidade adotiva. Tem gente de muitos Estados, e até da Europa. Estão na galeria, ao lado dos importados, nomes do porte de Cassiano Ricardo, Afonso Schmidt, Augusto de Campos, Martins Fontes, Menotti del Picchia, Ribeiro Couto, Sérgio Milliet, Guilherme de Almeida e os dois Andrade, Mário e Oswald.Um pouco do sabor paulicéia da garoa impresso em uma das páginas:Tenho saudade da garoa antiga, Pálida amiga, Que me faz sonhar... Desse São Paulo, romanesco e belo, Que era um castelo Sob a luz lunar... Tenho saudades das gentis morenas, Lindas pequenas Do hibernal Friul... De uma, entre todas, cor de jambo-rosa, Flor perfumosa Do País do Sul... O apaixonado é um paulistano nascido a mais de 70 quilômetros da Praça da Sé: o santista Martins Fontes, autor de Serenata.UM DEUS OU UMA DEUSA? UMA DEUSA CHEGOU A TER MAIS PODER.Será que um dia uma deusa chegou a ser mais cultuada que um deus em todos os cantos da terra? Chegou, sim. Pelo menos é o que garantem os mais conceituados arqueólogos e antropólogos. Confira em Todas as Deusas do Mundo, de Claudiney Prieto. O livro discorre sobre os mitos das principais deusas. Em Todas as Deusas do Mundo (Editora Gaia, 352 páginas, R$ 39,00) encontram-se também algumas das lendas, atributos e símbolos da deusa, além de informações necessárias aos que tiverem dificuldade em encontrar referências sobre os mitos da deusa em diferentes culturas. Encontram-se, também, informações sobre a deusa e seus rituais de acordo com os preceitos da Wicca ? a Bruxaria Moderna. Segundo a Wicca, para a deusa tudo é sagrado e, por conseguinte, abençoado. Assim, os praticantes, independentes de sua classe socioeconômica, cultura ou sexo, sentem-se acolhidos e encontram na religião um elo para se conectarem com o sagrado e com o divino. Portanto, para deusa o importante é que as pessoas se encontrem livres de preconceitos e de visões limitadoras.Claudiney Prieto, um dos mais atuantes estudiosos sobre bruxaria no Brasil, divulga seus conhecimentos de forma clara e objetiva, em cursos e palestras. Além de Todas as Deusas do Mundo é autor de outros livros como o WICCA, a religião da Deusa (Editora Gaia), e Wicca, Ritos e Mistérios da Bruxaria Moderna.UM NOVO PORTUGUÊS, SIM. E PODERÁ MUDAR MUITO MAIS.A língua que se fala hoje no Brasil, mais de quinhentos anos depois do Descobrimento, é ainda o português? Não, não é mais. Não podemos ainda dizer que no Brasil fala-se uma nova língua, mas também não é mais o português falado em Portugal.As diferenças estritamente lingüísticas entre o português brasileiro e o português europeu atingem todos os níveis da língua: fonética e fonologia, sintaxe, morfologia, vocabulário e semântica. Essa é a conclusão a que chegou o lingüista Marcos Bagno, autor de Português ou Brasileiro? - Um Convite à Pesquisa, resultado de sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. No livro, editado pela Parábola (182 páginas, R$ 15,00), o professor Bagno afirma que estamos numa etapa intermediária na história da nossa língua. Quinhentos anos atrás, segundo ele, ela podia ser chamada simplesmente de português. Hoje, pode e deve ser chamada de português brasileiro. Mas, daqui a outros quinhentos anos, só poderá ser chamada de brasileiro.A proposta de Marcos Bagno é repensar a língua que se fala por aqui sem considerar que ela é cheia de erros. Deixando esse preconceito de lado, a missão, segundo ele, é passar a reconhecer que essa língua constitui, de fato, a nossa língua materna e o nosso meio de expressão. Bagno diz também que o brasileiro não gosta da língua que fala porque desde sempre ela foi comparada à falada em Portugal. Se passarmos a vê-la com olhos de brasileiros poderemos começar a construir uma auto-estima lingüística mais elevada.O QUE VOCÊ PREFERE CARO LEITOR: A NOTÍCIA OU O ESPETÁCULO?Um livro que acaba de chegar à terceira edição. Lançado no segundo semestre de 2001, Shownarlismo ? A notícia como espetáculo, de José Arbex Jr., tem parado pouco nas livrarias. Nele o autor questiona o comportamento da imprensa mundial durante a guerra do Iraque. Segundo ele, pelo menos 100 mil pessoas, incluindo mulheres, adolescentes e velhos iraquianos, morreram sob as 88,5 mil toneladas de bombas que os Estados Unidos despejaram em Bagdá, durante quarenta dias e noites, em janeiro e fevereiro de 1991. Mas quem acompanhou a transmissão da guerra ao vivo e a cores, em tempo real, feita pela rede mundial de televisão a cabo CNN, não viu sequer uma morte. As imagens mostraram uma guerra sem sangue. Uma parte da mídia impressa, por sua vez, utilizou as imagens distribuídas pela televisão para "analisar" o desenvolvimento do conflito e elaborar as notícias. Reforçou, com isso, a versão da "guerra limpa".Como foi possível levar a opinião pública a aceitar a versão absurda de que ninguém morreu em Bagdá, então uma capital com quase 5 milhões de habitantes? Que tipo de "mágica" permitiu à televisão ocultar um morticínio de gigantescas proporções? E se isso foi possível no caso da cobertura de uma guerra, que garantias tem o cidadão comum de que aquilo que ele vê na telinha ou lê nos jornais corresponde, ainda que minimamente, ao que de fato acontece na "vida real"?O livro Showrnalismo pretende oferecer respostas. O título, óbvia provocação, oferece uma pista daquilo que o autor julga ser o centro do problema na mídia, no mundo contemporâneo: transformar tudo em espetáculo. "Os fatos estão sendo tratados como um grande show segundo uma concepção maniqueísta do bem contra o mal", diz Arbex.Showrnalismo (Casa Amarela, 290 páginas, R$ 21,50) é o resultado da tese de doutorado que José Arbex Jr. defendeu no Departamento de História da USP. Mas é, sobretudo, resultado de sua experiência como repórter e das coberturas que fez de alguns dos eventos internacionais mais importantes do século passado, aí incluindo-se a queda do Muro de Berlim e a Primavera de Pequim. Atualmente, Arbex é editor da revista Caros Amigos e dá aulas de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e na Casper Líbero.UM ALDOUS HUXLEY ANTIGO ESTÁ DE VOLTA ÀS LIVRARIAS. COM O SELO DA GLOBO.Uma sátira cáustica e divertida sobre o desejo humano de viver para sempre. Em Também o Cisne Morre, publicado pela última vez no Brasil em 1940, e relançado pela Editora Globo (352 páginas, R$ 32,00), Aldous Huxley traça o retrato de um milionário californiano dos anos 30 que tem medo de morrer. Jo Stoyle, o milionário, paga uma fortuna para o inescrupuloso doutor Obispo pesquisar um modo de prolongar a vida humana. O enredo tem muito de ficção científica: Stoyle descobre que um nobre inglês encontrou um modo de materializar sua idéia fixa. Viaja, então, à Inglaterra para encontrá-lo. Mas, aí, a decepção: o nobre era muito parecido com um macaco. Mesmo assim, decide imitá-lo, sem medir as conseqüências.Esses são os elementos da sátira de Aldous Huxley sobre o desejo humano de viver sem interrupção. Com sutileza e sofisticação intelectual, ele acompanha seus personagens na busca pela eternidade, terminando com uma nota de horror.A história do livro. Em 1937, Huxley mudou-se para os Estados Unidos, fixando-se no ano seguinte em Hollywood, onde tornou-se roteirista de cinema. Também o Cisne Morre, publicado em 1939, é o resultado do exame que Huxley faz da cultura norte-americana, particularmente do seu narcisismo, da sua superficialidade e da sua obsessão pela juventude. O título provém de um verso do poema "Tithonus", de Lord Tennyson, sobre uma figura da mitologia grega a quem Zeus deu vida eterna, mas não a eterna juventude."Também o Cisne Morre é, acima de tudo, uma parábola da loucura americana, do delírio de Los Angeles. Nada escapa ao sarcasmo de Huxley", diz o jornalista Sérgio Augusto, autor do prefácio.UMA VISÃO DO CINEMA BRASILEIRO. EM NOVO LIVRO DO CRÍTICO ISMAIL XAVIER.Um novo título acaba de ser incorporado pela Editora Paz e Terra à sua Coleção Leitura: O Cinema Brasileiro Moderno, de Ismail Xavier. O livro reúne três textos que desenham visões de conjunto do nosso cinema. Escritos em épocas diferentes - e guardando suas inflexões próprias -, compõem, no entanto, imagens do cinema moderno que se interpenetram: o primeiro dá ênfase à noção do "moderno" no Brasil; o segundo é mais descritivo e delineia, principalmente, a produção do Cinema Novo; o terceiro faz uma apresentação concisa do trabalho de Glauber Rocha, principal cineasta da época. A primeira versão de O Cinema Brasileiro Moderno foi publicada em 1995, por ocasião do Festival do Cinema Jovem de Turim, na Itália, que reuniu cineastas e críticos brasileiros para um debate em torno dos anos polêmicos que envolveram o Cinema Novo e o Cinema Marginal.Em O Cinema Brasileiro Moderno (156 páginas, R$ 4,00), Ismail Xavier, considerado um dos principais críticos do cinema brasileiro, destaca não apenas a atuação de Glauber mas analisa também a resposta do cinema brasileiro no período compreendido entre o golpe militar e a reabertura democrática.

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