Na essência, ele é um camaleão

NOVA YORK

, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Organizada pelo Los Angeles County Museum of Art e Tate Modern, de Londres, Pure Beauty revela a essência camaleônica de John Baldessari (foto). Nos anos 1960, quando começou a carreira em National City (Califórnia), perto da fronteira com o México, ele pintava, atividade logo dispensada.

Em vez de tinta, ele preferiu aplicar nas telas trechos de manuais de arte e fotografias, como se vê em Clemente Greenberg (1966-68) e Looking East on 4th and C, Chula Vista, Calif (1966-68).

Na década seguinte, adotou de vez a fotografia, com a qual registrou a importância do acaso na realização artística. Empregou o vídeo em I am Making Art (1971) e Baldessari Sings LeWitt (1971). Nos anos 1980, apropriou imagens da cultura de massa em obras de grande dimensão, que aboliram o formato retangular. A justaposição das fotos estimulou novos significados em Man and Woman with Bridge (1984). É comum naquele período pintar uma bola sobre o rosto das pessoas fotografadas, procedimento que altera o foco do olhar, como fez em Three Red Paintings (1986) e Bloody Sundae (1987).

Nas últimas duas décadas, explorou o corpo humano, exibindo-o em fragmentos - é o caso de Noses & Ears, Etc.: Blood, Fist, and Head (with Nose and Ear) (2006). Intensificou o uso das cores vibrantes e da tinta acrílica.

O artista tem influências diversas: de Giotto ao dadaísmo. (O pintor renascentista dá nome ao seu cachorro.) É fascinado pela linguagem fragmentada e acessível da propaganda. Tem predileção pelos filmes B. Aos 79 anos, Baldessari está entre os artistas mais influentes da atualidade, tendo realizado mais de 200 exposições individuais.

Em 2009 recebeu o Leão de Ouro na 53.ª Bienal de Veneza dedicado à sua carreira. Suas obras ganham valor crescente no mercado. Artistas como Barbara Bloom, Jack Goldstein, David Salle e James Welling foram alunos do seu curso iconoclasta sobre arte. Cindy Sherman e Barbara Kruger também devem a ele.

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