Clovis Ferreira/AE-15/12/1992
Clovis Ferreira/AE-15/12/1992

Na companhia de três mulheres

Admirador da obra e do homem retratado, Nelson Pereira dos Santos divide a direção de A Música Segundo Tom Jobim com Dora Jobim, filha do compositor, que já dirigiu outro filme sobre ele, Vou Te Contar. Em sua outra produção, A Luz do Tom, o cineasta manteve-se no ambiente familiar, para contar a história do amigo, por meio da visão das três mulheres mais importantes de sua vida. Nelson deu esse título inspirado no livro de memórias Antonio Carlos Jobim - Um Homem Iluminado, de sua irmã Helena.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2011 | 00h00

"Filmei Helena na beira do mar em Florianópolis para contar as histórias da infância do irmão", conta o diretor. "Tereza, a primeira mulher de Tom, está num segundo momento. Escolhi um jardim lindo, maior do que um campo de golfe, numa fazenda na serra carioca, para essa parte. É um jardim integrado com a natureza e nesse espaço Tereza lembra os momentos mais importantes da vida profissional de Tom que viveu com ele. Quando eles começaram a namorar, ele era um garoto da praia que ia estudar arquitetura. Então frequentava os inferninhos na noite carioca, até que começa a aparecer o Tom Jobim criador, compositor. Ela lembra mais os momentos de criação dele", prossegue o diretor.

Os depoimentos de Ana foram filmados no Jardim Botânico e tratam da vida mais recente de Tom . "Elas tiveram liberdade total para contarem o que quisessem", diz Nelson. "Tom era uma figura muito amada, muito admirada. E ele tinha os pontos onde era possível conviver com ele abertamente. Tive o privilégio de conhecê-lo por intermédio de Cacá Diegues. Tom continuava envolvido com cinema, já tinha feito trilha sonora para Paulo César Saraceni e outros."

Certa vez Nelson dirigiu um programa na TVE, em que usou Saudade do Brasil, de Tom. Acabou de editar o programa e foi procurá-lo pelos bares da zona sul para pedir autorização pela música. "Perguntei quanto ele cobrava, disse que era para a TVE e aí ele me falou: Não precisa pagar nada, não, porque a "tevê é" não é, ninguém vai ver, ninguém vai ouvir", conta.

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