Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Na CCXP, cosplay é ferramenta de interação social

Brincadeira para todas as idades é um dos pilares do evento

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2017 | 06h00
Atualizado 08 Dezembro 2017 | 13h34

De hobby a profissão, o cosplay é mais do que isso nos corredores da Comic Con Experience: é uma ferramenta de interação social livre de preconceitos.

É a ideia que se tira depois de cinco minutos andando pelo festival: toda a variedade de princesas da Disney, heróis da Liga da Justiça, personagens do Chaves, o palhaço Pennywise, o Coringa, Darth Vader e Obi-Wan Kenobi. Todos estão andando pelo São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5) e tirando muitas, muitas selfies com o povo.

Os ingressos para esta sexta-feira, 8, custam R$300 e R$150, e para o domingo, 10, R$400 e R$200. Os de sábado já estão esgotados.

O cosplay (mistura de costume, fantasia, com role play, interpretação) é um dos pilares da CCXP, que tem um espaço de mais de mil metros quadrados dedicado à atividade, recebe todos os dias desfiles e no próximo domingo, 10, sedia a final do Concurso Cosplay. O vencedor leva um Fiat Mobi novo para casa.

“Para a maioria das pessoas é um hobby, mas já tem gente que vive disso”, explica o publicitário Marcelo Forlani, sócio do grupo Omelete e curador do Concurso. Os modelos profissionais trabalham como promotores de eventos, ativadores das marcas e afins, e também como cosmakers, que produzem para outras pessoas.

'Gostaria que Tommen matasse a Cersei ou o Joffrey', diz Dean-Charles Chapman, de 'Game of Thrones'

O grande barato, porém, continua sendo o prazer que os envolvidos (de todas idades) tiram da atividade, brincadeira que pode ter resultados muito práticos na “vida real”, como grupos de cosplay que animam pacientes em hospitais, ou usados para ensinar nas escolas ou mesmo para angariar fundos.

O gerente de TI Alexandre Nasser, de 49 anos, não tinha idade para assistir ao primeiro Star Wars no cinema. Mas hoje ele anda na CCXP interpretando Darth Vader e chega a se emocionar tentando transmitir a sensação que recebe das pessoas. “Não tem desconfiança, todo mundo é amigo. É uma troca de energia muito forte que não acontece todo dia. Não consigo andar porque todo mundo quer interagir, tirar foto. Esse sentimento vale todo o investimento.”

+ HQ 'Amor é Amor' faz homenagem a vítimas do ataque à boate Pulse

Este é o primeiro ano que ele se dedicou a montar sua própria fantasia — a ética do Do It Yourself (DIY), presente em muitas outras atividades artísticas, também é prezada na área do cosplay. Esse inclusive é um dos critérios para o Concurso (junto com a fantasia em si e a apresentação, ou interpretação do personagem).

Os cosplayers mais comuns remetem à cultura geek americana (onde foi criado) e japonesa (onde se popularizou). Mas é cada vez mais comum personagens brasileiro: a Turma da Monica é por ora a preferida. “Lembro de um cara que faz o Lampião Verde”, diz Forlani. “A partir do momento que esse universo crescer no Brasil, vão aparecer mais personagens”, aposta.

O ambiente do cosplay é mesmo diverso — o curador diz não conseguir apontar um perfil específico das pessoas que praticam. “É gente apaixonada”, garante. A lógica do DIY permite que orçamentos mais baixos também consigam destaque. 

+ Fábio Moon e Gabriel Bá celebram 20 anos de '10 Pãezinhos' na Comic Con Experience

Num mundo (geek) que a timidez pode ser uma trava social chatíssima, e num país em que fantasias já são tradicionalmente vestuários festivos, o cosplay parece (ou deve aparecer) apenas natural.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.