Na Argentina, Plácido Domingo... e greve

Após driblar conflitos sindicais e complicações climáticas, o tenor espanhol Plácido Domingo apresentou-se na quinta-feira à noite ao pé do Obelisco, na Avenida 9 de Julho. O concerto, que incluiu árias de óperas, trechos de zarzuelas e tangos, foi ovacionado por mais de 120 mil portenhos e turistas.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2011 | 00h00

Domingo - que há 13 anos não fazia espetáculos na Argentina - viajou a Buenos Aires para duas récitas organizadas pela Fundação Beethoven, que programou uma noite no Teatro Colón e outra ao ar livre, na Avenida 9 de Julio. No entanto, ao desembarcar em Buenos Aires o cantor soube que havia se tornado o epicentro de uma feroz disputa entre os sindicatos de músicos e funcionários do Colón e o governo da prefeitura de Buenos Aires.

Os sindicalistas deixavam claro que a orquestra e o coro não se apresentariam, já que estavam em plena briga com o prefeito Maurício Macri. O governo municipal, desesperado, tentou negociar, sem resultados, com os sindicalistas, que se mantinham irredutíveis. Em meio à discussão entre portenhos, o espanhol Domingo, com tato diplomático, interferiu. Em uma coletiva de imprensa, o cantor sustentou que compreendia as reivindicações trabalhistas e disse que esperava que em breve os sindicatos e o governo pudessem chegar a um acordo. Além disso, expressou seu desejo de cantar no Colón, no ano que vem, quando completará quatro décadas de sua estreia em palcos sul-americanos.

Os sindicatos decidiram ceder e liberaram a realização do espetáculo ao ar livre. No entanto, recusaram-se a permitir a noite prevista no teatro Colón. Dessa forma, a Filarmônica e a Orquestra Estável do Colón puderam apresentar-se com Domingo na avenida. Previsto para quarta-feira, o concerto foi adiado para quinta por conta da chuva. Além de cantar, Domingo atuou como regente, interpretando a abertura da ópera A Força do Destino, de Verdi.

Conflitos. Os problemas entre sindicato e prefeito devem prosseguir ao longo deste ano. Perante as incertezas, a prefeitura e o Colón anunciaram que as entradas das récitas programadas de forma individual serão vendidas apenas dois ou três dias antes (e não em pacote e de forma antecipada). Além disso, informaram que, diante da greve da orquestra do Colón, as montagens de balé serão realizadas com música gravada.

No caso da ópera O Grande Macabro, de Ligeti, com o grupo catalão Fura del Baus, as apresentações, entre 30 de março e 8 de abril, serão acompanhadas por um piano. Críticos de arte ressaltaram, com ironia portenha, que isso seria equivalente a um show do Deep Purple interpretado por um conjunto de flautas doces.

Desde o início de 2009 - ainda durante as obras -, o teatro foi agitado por problemas sindicais que provocaram a suspensão da venda antecipada das entradas das apresentações programadas para este ano. Os sindicatos exigem aumentos salariais de 40%, além da suspensão de punições aplicadas a diversos trabalhadores.

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