Na arena, com a cor de Mamoulián

Já se passaram quase 70 anos desde que Tyrone Power, na pele de um jovem toureiro, deixou-se seduzir pela tentadora Dona Sol e ela, interpretada por Rita Hayworth, permanece como um dos emblemas da sedução na tela. O romance Sangue e Areia, de Blasco Ibañez, já havia sido filmado em Hollywood com Rodolfo Valentino - e teria outras versões, depois -, mas a de 1941 é a melhor de todas. O dândi Power oscila entre suas duas mulheres, Rita e Linda Darnell e ainda existe uma terceira figura feminina, a mãe que reza por ele, quando está na arena. Nazimova é quem faz o papel e, assim como Rita, é deslumbrante, ela é emocionante. O filme foi dirigido por Rouben Mamoulián, cineasta de origem armênia que merece ser colocado entre os grandes construtores da linguagem cinematográfica, graças a outro clássico, Rainha Cristina, com a divina Greta Garbo, de 1933. As imagens de Sangue e Areia beiram o sublime. Não por acaso, Ernest Palmer e Ray Rennahan dividiram o Oscar de fotografia por seu pioneiro e elaborado trabalho com a cor.

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