Na Alemanha, réplica do Oficina recebe "Os Sertões"

Na Alemanha, um novo Oficina, réplica do brasileiro, está sendo construído especialmente para abrigar o espetáculo Os Sertões, transposição cênica de José Celso Martinez Corrêa para o livro homônimo de Euclides da Cunha. Recriar arquibancadas e passarela não está sendo difícil. "Complicado é conseguir terra vermelha para cobrir o palco, como no Brasil. Na Alemanha, a terra é preta. Técnicos estão trabalhando para alcançar a cor exata", diz o alemão Mathias Pees, curador do festival de teatro Rühr Festspiele.A convite da organização desse festival, criado em 1946, 60 pessoas do Grupo Uzyna Uzona, equipe técnica e 40 atores, vão viajar em maio para a cidade de Hecklinghausen, localizada na região industrial do vale do rio Rühr, onde acontecem os dois maiores festivais de teatro da Alemanha. Um deles, o mais antigo, é o Rühr Festspiele, cuja programação contará, entre os dias 20 e 31 de maio, com duas apresentações de Os Sertões, cada uma delas com 20 horas de duração. Com o título de Krieg im Sertão (Guerra no Sertão), a montagem será apresentada em quatro espetáculos de cinco horas cada - A Terra, O Homem 1, O Homem 2 e A Luta. Essa última parte é inédita no Brasil e fará sua pré-estréia na Alemanha, com apoio financeiro do evento. A seriedade e o respeito no trato com o diretor brasileiro não se limita à reconstituição do espaço cênico criado originalmente pela arquiteta Lina Bo Bardi. Uma das grandes preocupações da curadoria está em ajudar os espectadores alemães a compreender o espetáculo com o máximo de profundidade.Enquanto isso, por aqui, quem ainda não conhece a arquitetura do Oficina, ameaçada por um processo de especulação imobiliária, ou ainda não viu a montagem de Os Sertões tem uma nova chance. A partir de sexta, o grupo Uzyna Uzona volta a apresentar as três primeiras partes: A Terra (às sextas-feiras), O Homem 1 (aos sábados) e O Homem 2 (aos domingos). O texto de A Luta ainda está sendo criado. Mas uma pequena parte dele pode ser conhecida amanhã, quando Zé Celso abre a programação do Projeto Dramaturgias, do Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, com a leitura dramática do que ele chamou Prelúdio, a transposição de um embate - uma verdadeira carnificina - travado entre soldados e seguidores de Conselheiro na cidade de Uauá, próxima a Canudos. Após a leitura, haverá um debate com diretor e atores. Sem barreira de idioma. Um privilégio que não dever ser desperdiçado.Programa Dramaturgias - Prelúdio, inspirado na Luta, última parte de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Após leitura, debate com diretor e elenco. Amanhã, às 20 horas. Grátis (retirar senha com meia hora de antecedência). Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, tel.: 3113-3651.

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