Mutante da nova era

Sérgio Dias publica letra inédita para ser musicada pelo público

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2011 | 00h00

A quarta edição do Prêmio Musique, projeto realizado pelo C2+Música com a Rádio Eldorado, tem a missão de encontrar um parceiro para o guitarrista, compositor e líder dos Mutantes, Sérgio Dias. Os que quiserem participar precisam fazer uma música para a letra inédita Terra Nossa, publicada ao lado, de autoria de Sérgio. As inscrições que começam hoje ficarão abertas até o dia 18 de março. Depois de compor a canção, os interessados devem enviar suas gravações em MP3 para o site do Musique e se inscreverem. A letra de Sérgio não pode ser modificada e as inscrições podem ser feitas por brasileiros que morem aqui ou em outros países.

Um grupo de jurados, presidido pelo pianista e arranjador Amilton Godoy, do Zimbo Trio, faz uma primeira seleção para escolher apenas quatro finalistas. Ao mesmo tempo, uma votação online, realizada no site do Musique, escolhe um quinto finalista. As cinco gravações são então enviadas para que o próprio Sérgio dê o veredicto. O ganhador tem sua música lançada pelo Grupo Estado por meio de entrevistas no C2+Música e na TV Estadão, além de execuções na Rádio Eldorado FM. A música vencedora também é regravada no estúdio Mosh, em São Paulo, e ganha um clipe, produzido pela empresa Jotaeme.

 

Sergio Dias e a sua guitarra feita com peças de ouro (ROBSON FERNANDJES/AE)  

O vencedor terá também a chance de fazer um show no Rock in Rio 3, que será realizado em outubro, no Rio. Até lá, haverá cinco vencedores de Musiques. Uma votação pela internet vai escolher, dentre os cinco, qual poderá fazer um show no Palco Sunset do Rock in Rio. Os vencedores até agora são Oleives (edição Arnaldo Antunes), André Lima (edição Tom Zé) e banda F292 (edição Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial).

A experiência de outros Musiques mostra que muitos inscritos preferem pisar em terreno seguro, ou seja, explorar o universo do artista que fez a letra. Na edição Dinho Ouro Preto, por exemplo, bandas enviaram músicas que pareciam ter sido gravadas pelo Capital Inicial. Sérgio Dias, aqui, diz o que pensa de seus possíveis parceiros. "Mais do que soar como Mutantes, é preciso haver emoção. O cara precisa primeiro se emocionar com a letra e depois traduzir aquela emoção musicalmente. É por aí."

Uma vez emocionado, vem a transpiração. Afinal, diz o guitarrista, é bom levar a letra de um mutante a sério. "Acho bom o cara se preocupar mesmo com os detalhes (risos). É assim que sempre fazemos, sempre miramos alto. Fazer música assim, com detalhes, é como um quebra-cabeças. A dificuldade é o que dá graça. E a intimidação é boa, traz uma adrenalina diferente. Eu mesmo sinto isso. Quando componho para os Mutantes sinto uma energia totalmente diferente da energia que sinto quando componho para discos solos."

As inscrições anteriores também mostraram aos envolvidos no prêmio que sempre chega de tudo. Músicos amadores e profissionais de todos os Estados e de outros países enviam músicas inspiradas por samba, reggae, rock, música erudita. Alguns gravam apenas com voz e violão no quarto de casa. Outros produzem suas faixas em estúdios profissionais com arranjos de música eletrônica. "Esse é um processo muito louco. Uma letra é entendida de muitas maneiras. Quero só ver como as pessoas vão entender o que eu quis passar com essa letra."

Sérgio está com os Mutantes em Nevada, Estados Unidos, se preparando para embarcar para uma turnê na Austrália. Seu novo disco, Haih or Amortecedor, acaba de ser lançado também no Brasil. Os Mutantes estarão no Rock in Rio 3, assim como um dos vencedores das edições do Musique.

 

SAIBA MAIS:

http://musique.estadao.com.br/

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.