Músicos adotam o tema 11 de setembro

Patriotada de Bruce Springsteentudo bem, não é novidade. Mas de Neil Young? David Bowie? EricClapton? Caetano Veloso e Jorge Mautner? O fato é que poucagente escapou à tentação de dedicar canções e fazer discoscitando ou homenageando as vítimas do World Trade Center -alguns foram tão afoitos que agora estão recusando os convitespara participar de shows comemorativos, temendo asuperexposição. A homenagem de Neil Young foi discreta e saiu no recentedisco Are You Passionate? (Warner Music). Ele compôs umacanção celebrando a coragem dos passageiros do vôo que caiu (oufoi derrubado) nas imediações do Boston, um dos quatro aviõesseqüestrados naquele dia fatídico. Let´s Roll é o nome da música, também o brado quedeu ao celular, antes de desligar, um passageiro do vôo,anunciando que ia entrar no braço com os seqüestradores. "Eusei que disse que te amo/ E sei que você sabe que é verdade/ Eutenho que desligar agora/ E fazer o que temos que fazer", dizYoung. O novo disco do Bon Jovi, Bounce, previsto para sair emoutubro, também deverá ser como uma "resposta" aos fatos dodia 11, mas uma resposta otimista, segundo seu bandleader, JonBon Jovi, disse à Rolling Stone. "As pessoas estãofinalmente parando e se dando conta do tempo que perderam nosúltimos 20 anos fazendo um monte de nada", disse Bon Jovi, numsúbito acesso de urgência artística. "Criando filmes e música earte que era apenas descartável. Se você estava trabalhando numfilme tacanho no dia em que aquilo aconteceu, você deveriarefletir e perguntar a si mesmo: O que tudo isso fez com minhavida?" Springsteen foi fundo na sua obsessão americanista.Lançou The Rising, um álbum na qual 13 das 15 faixas foramcompostas nos dias e semanas seguintes ao dia 11. "Acredito queninguém jamais esquecerá isso, particularmente em New Jersey:você passava em frente da igreja local e, dia após dia, era umnovo funeral", explicou Springsteen em entrevista ao jornalLos Angeles Times. O minimalista John Adams compôs a sinfonia On theTransmigration of Souls. E os discos-tributo, que arrecadaramfundos para as famílias das vítimas, tiveram todo tipo deartista. The Concert for New York City, por exemplo, tinhaMick Jagger e Keith Richards, The Who, Paul McCartney e BillyJoel. Mesmo o ácido cartunista Art Spiegelman, que ganhou umprêmio Pulitzer pela saga Maus, publicada nos anos 80, nãoresistiu à tentação de fazer algo relacionado ao 11 de setembro.Está criando uma série autobiográfica de comics (de novo) para apublicação judaica Forward. Spiegelman mora na região doatentado e presenciou os fatos. "Acho que fiquei mais ou menosenganchado ao 11 de setembro", afirmou. No Brasil, um único artista fez referência ao atentado:Caetano Veloso. Ele diz que o seu álbum em parceria com JorgeMautner, Eu não Peço Desculpa, lançado recentemente, foitodo inspirado pelos acontecimentos. O fato é que é difícilachar alguma conexão: o disco é alegre, desobrigado deresponsabilidades. "Comecei a sentir o mundo estranho quando os talibãsdestruíram aqueles budas do Afeganistão e estive em Nova York nodia 10 de setembro", contou Caetano. "Isso e outras questõesme trouxeram uma amargura que só se interrompeu no carnaval,quando vi Mautner cantando o Hino do Carnaval Brasileiro (deLamartine Babo) num trio elétrico. Daí surgiu o disco",completa Caetano. O hino, não por acaso, está no álbum.

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