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Músico Roy Rogers lembra o dia em que foi apresentado ao caubói Roy Rogers

Encontro aconteceu em 1991, durante a cerimônia de entrega do prêmio Grammy em Nova York

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h52

Roy Rogers diz que não se considera um bluesman tradicional. "A música é tão maravilhosa, você não precisa se prender a um único gênero para sentir-se realizado", afirma o músico.

Não por acaso, ele entra no estúdio uma semana depois de sua vinda ao Brasil para gravar seu terceiro disco com o tecladista dos Doors, Ray Manzarek. "Gravamos juntos, em 2008, nossa primeira colaboração, o disco Ballads Before the Rain", conta o guitarrista. No momento, excursionam com o segundo, que é um ambicioso trabalho de colaboração com literatos de diversas vertentes - tem letras inéditas de Jim Carroll (autor do livro Diário de Um Adolescente, e que morreu em Nova York em 2009), Michael McLure (poeta beatnik) e Warren Zevon (poeta, compositor e músico, também já morto).

"Não tenho relação com esse mundo beatnik, quem tem mais influência é o Manzarek. Só me influenciaram de um jeito indireto, eu sou mais do blues do Delta do Mississippi mesmo. Não vivi os anos 1950, embora veja semelhança entre o modo de vida de Kerouac e aqueles autores com o mundo do blues", afirma Rogers.

"Quando conheci Ray Manzarek, há uns seis ou sete anos, primeiro desenvolvemos uma amizade. Ele é um ícone do rock, não há lugar no planeta que não conheça The Doors. Mas vimos que havia uma compatibilidade musical entre a gente, o teclado dele caía como uma luva para minha guitarra. Nos divertimos muito por aí", conta.

Sua mãe era fã do caubói Roy Rogers (o ator, cantor e astro hollywoodiano cujo nome real era Leonard Franklin Slye, e que morreu em 1998). Daí a explicação para o nome que ele carrega mundo afora. "A parte legal de ter um nome assim é que você acaba ficando mais desencanado, aprende a se divertir com as situações que vão sendo criadas. É como você batizar alguém aí no Brasil de Tom Jobim", brinca.

Roy Rogers coleciona histórias com as confusões que seu nome causa. Mas nenhuma delas é tão interessante quanto o dia em que ele encontrou o próprio Roy Rogers. "Foi em 1991, durante a cerimônia dos prêmios Grammy, em Nova York, no Radio City Music Hall", recorda. "Nós nos encontramos nos bastidores e eu me apresentei. Acho que ele estava nos seus 84, 85 anos na época. Ele me disse que, ao longo da vida, já tinha sido apresentado a uns 20 Roy Rogers, que tinham tido a desventura de as mães batizarem com esse nome. Eu disse a ele que eu era o Roy Rogers real, já que o nome dele nem era esse, e o velho sorriu e brincou: bom, como eu vou me aposentar agora, deixo você com o encargo de levar adiante o nome."

O guitarrista, que nunca teve um cavalo chamado Trigger, toca aqui com seu trio, batizado de Delta Rhythm Kings, o que inclui Steve Ehrmann no baixo ("Está comigo há uns 30 anos, e foi o cara que me apresentou a John Lee Hooker", conta o guitarrista), e o baterista Billy Lee Lewis (na banda de oito a dez anos, contabiliza Roy). "Com um trio é mais fácil excursionar para lugares mais longínquos, e ao mesmo tempo é com o trio que encaro o desafio que mais me diverte", garante.

Segundo o guitarrista, a fidelidade ao slide guitar não tem a ver com a busca de um refinamento estilístico. "Eu sou um abençoado porque nunca persegui nada. Eu somente toquei, não decidi que ia desenvolver um estilo. Quando vi, estava ao lado de John Lee Hooker", diz.

Rogers já esteve no Brasil para festivais de blues em Rio das Ostras, mas já ouviu as histórias sobre as belezas de Paraty e está ansioso. "Já fiz alguns amigos por aí, amo a forma como vocês se dão bem com todos os tipos de música".

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