Musical ´Sassaricando´ chega para empolgar São Paulo

Com Eduardo Dussek e Soraya Ravenle no elenco, espetáculo estréia na cidade

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h09

Está estressado? Vá ver Sassaricando - E oRio Inventou a Marchinha. O musical que estréia quinta-feira, 5, emSão Paulo, depois de temporada de grande sucesso no Rio, além deum afago na memória dos mais velhos, é uma ducha caudalosa debom humor e musicalidade brejeira. Todos os envolvidos noprojeto têm tarimba no assunto. A direção é do expert emmusicais Cláudio Botelho. A concepção, o roteiro e a pesquisasão assinados pelo escritor e jornalista Sérgio Cabral e pelahistoriadora Rosa Maria Araújo. Eduardo Dussek, que tem amarchinha e dois de seus melhores autores, Lamartine Babo eBraguinha, entre suas referências, encabeça o elenco, ao lado deSoraya Ravenle. Ambos já se envolveram em projetos sobre CarmenMiranda e dominam muito bem a arte de divertir cantando. Afinados com eles estão Alfredo Del-Penho e Pedro PauloMalta, que acabam de lançar seu terceiro CD em dupla, obem-humorado Cachaça Dá Samba. Ivana Domenico e Juliana Dinizcompletam o elenco e têm atuações entre emotivas e hilariantes.Em conjunto, duplas, trios e solos, eles se encarregam deinterpretar mais de 90 marchinhas que foram reunidas em blocostemáticos, com direção musical e arranjos de Luis Filipe de Lima. A banda de sete músicos, que toca tudo ao vivo, inclui oscobras Henrique Cazes (cavaquinho), Beto Cazes (percussão). Osarranjos no geral são bem próximos dos originais, mas brincamaté com o iê-iê-iê e funk carioca, em citações divertidas. "Eu imaginava que fosse um projeto só para o verão; emuito específico de um público cultural que vai ao centro do Rio. Não imaginava que ia tomar as proporções que tomou", diz Dussek que ficou surpreso com a reação do público paranaense quandoSassaricando foi apresentado no festival de teatro de Curitibaem maio. "As pessoas subiram no fosso da orquestra do TeatroGuaíra para dançar carnaval no meio do ano", lembra o cantor,que, quando foi convidado por Cabral e Rosa para estrelar o show tinha dúvidas se o público não cansaria de ouvir tantasmarchinhas juntas. Acontece que há um enredo conduzido pelas letras dasmarchinhas, que é o grande achado de Sassaricando. É umhistórico da crônica social carioca e brasileira pela ótica dohumor, desde os anos 1920 até os 70, período áureo da marchinha.Tudo passou pelo filtro do carnaval de salão. Selecionadas entremais de 400, as marchinhas do show mexem com tipos epreconceitos, fazem sátira política, zombam dos costumes ecantam a beleza do Rio, terminando com um grande baile cantandoo próprio carnaval, com um quê de nostalgia romântica.Marchinhas O show começa com ruídos de tiroteio, sirenes, tráfego,buzinas, batida de funk-favela. É o Rio tenso lá de fora doteatro. Uma das personagens então abre o baú de lembranças, coma leitura em off de uma carta do avô, passando a ela o legado dealegria de outros carnavais. Mais adiante, quando são projetadasimagens dos grandes compositores das marchinhas - Braguinha(também conhecido como João de Barro), Lamartine, Noel Rosa,Wilson Batista, Mário Lago, Haroldo Barbosa, Ary Barroso, ZéKetti - no telão, o público aplaude tanto que é impossível ouvira narração. Motivos para gargalhadas há vários, mas também tem genteque chora de saudade ao ouvir Máscara Negra (ZéKetti/Hildebrando Matos) ou Pastorinhas (João de Barro/NoelRosa). Em alguns momentos a performance vira caricatura, masessa também era uma das características das marchinhas. Além degrandes clássicos carnavalescos há raridades que até Dussek, um"marchinheiro" convicto, não conhecia. Gravada em estúdio, a ótima trilha sonora já saiu em CDduplo e no sábado foi gravado o DVD do musical, que deverá estarà venda em meados de agosto. A temporada carioca, que terminouontem, teve 72 apresentações e público de 53.500 espectadores."Sinto que o show vai além de uma memória cultural e emocionalque atinge a terceira idade. Acho que acontece um reavivamentoda inocência da cultura brasileira. É uma coisa que as pessoasestão carentes, porque hoje é tanta baixaria...", aponta Dussek."E eu digo cultura brasileira porque o espetáculo pega umperíodo em que o Rio de Janeiro era a capital do País. Então éum pouco da história do Brasil que está aí." O repórter viajou a convite da produção do showSassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha. 120 min. 14 anos.Tom Brasil-Nações Unidas (1.800 lug.). R. Bragança Paulista, 1281, 11-2163-2000. 5.ª, 21 h; 6.ª e sáb., 22 h; dom., 20 h. R$50 a R$ 120. Até 15/7

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