Musical "Rua 13 de Maio s/n" mistura samba e funk

Quando recebeu o texto do musical "Rua13 de Maio s/n", o diretor José Renato ficou ao mesmo tempoempolgado e preocupado. "A peça é tão extravagante que, montadaem um palco tradicional, exigiria tantos recursos que setornaria inviável", diz ele, que para resolver o impasse decidiuretomar o sistema "arena" do qual foi o pioneiro, ou seja,manter o público rodeando o palco durante a encenação. Assim,"Rua 13 de Maio s/n" estréia nesta quinta-feira no Teatro dos Arcoscomo uma ópera popular inédita que resgata o teatro musicalbrasileiro. Escrita pelo dramaturgo e compositor Ricardo Monteiro, ahistória se passa em um casarão abandonado na rua 13 de Maio, noBexiga, onde realidade e ficção se misturam. Procurado pelapolícia e por traficantes, o jovem marginal JR refugia-se nolocal tido como mal-assombrado. Ali, conhece um velho mendigoque, em sua loucura, o toma pelo homem que fugira com sua mulher50 anos antes. Entre lembranças e delírios, o velho revive a históriadaquele grande amor que o abandonou, enquanto JR vai aos poucosse deixando seduzir por um estranho vulto de mulher que lheaparece toda noite. "O texto mistura diversas alegorias", contaRenato, que, ao lado do autor, fez diversos cortes no originalpara adaptá-lo adequadamente ao espaço."Foi muito estimulante voltar a fazer espetáculo em arena: eu mesenti renovado", comenta o diretor que, em fevereiro de 1955,inaugurou o Teatro de Arena, em São Paulo, com a peça "UmaMulher e Três Palhaços", estrelada pela então iniciante EvaWilma. O fato tornou-se um marco nas artes cênicas brasileirasjustamente pelo ineditismo do espaço arena. "É um trabalho maisexigente, pois o ator precisa trabalhar em vários focos e dele éexigida uma interpretação mais aprofundada. Não se pode cair naarmadilha de se obrigar a olhar para todos os lados apenas paraser visto pela platéia." Como o elenco de 15 jovens atores ainda busca maisexperiência, Renato cuidou da direção cênica enquanto o próprioautor se responsabilizou pelo comando musical - Fernando Prata,que também atua, o auxiliou no trabalho de canto. "Nenhum delesutiliza microfone, o que exige muito de cada um", comenta Renato que seguindo o exemplo da tradição operística promove umrevezamento nos papéis principais, por conta do esforço vocal.Assim, um elenco atua às quintas e sábados, enquanto outroligeiramente diferente entra em cena às sextas e domingos. A música, que também é executada ao vivo, percorregêneros diversos, desde o samba até o funk. "No espaço arena,fizemos algumas sugestões de ambientação, o que é facilitadotambém pela iluminação", diz Renato, que preparou o elenco paraa proximidade com o público. "Em montagens como essa, o canto, amaquiagem, a própria presença do ator ganham força diante daplatéia." Rua 13 de Maio s/n. 90 min. 12 anos. Teatro dos Arcos (160 lug). Rua Jandaia, 218, Bela Vista, (11) 3101-7802. 5.ª a sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 20 e R$ 25 (6.ª e sáb.). Até 12/11

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