Musical revê 50 anos de produção de Milton Nascimento

Foram seis anos de namoro. Mas a paixão de Charles Möeller e Claudio Botelho pela obra de Milton Nascimento vem da adolescência, quando "Milton era praticamente uma doença" para eles. O compositor retribui: é fã dos musicais da dupla - só "Beatles Num Céu de Diamantes" viu oito vezes. A ideia de montar um espetáculo como aquele, as canções como fio da meada, acabou aventada pelos três. "Quando vamos fazer o meu?", Milton, 70 anos em outubro, começou a cobrar.

ROBERTA PENNAFORT, Agência Estado

09 de agosto de 2012 | 10h25

Revista musical sem texto, "Nada Será Como Antes" resulta de pesquisa de 50 anos de produção de Milton Nascimento com diversos parceiros. Estreia quinta no Teatro Tereza Rachel, o mesmo espaço que, há sete anos, servia de quartel-general das empreitadas de Möeller e Botelho.

As letras suscitam situações interpretadas por onze atores, dez trazidos de elencos anteriores. Não se fez audição. "Como cantar Milton se ele próprio já cantou?", perguntou-se Möeller. "Musical tem uma embocadura específica. Queríamos vozes de MPB", explica Botelho.

Nas seis semanas de preparo, exigiu-se mais do que o já intrincado cantar-interpretar-dançar dos musicais: as catorze pessoas em cena ainda tocam instrumentos como piano, percussão, violão...

Möeller teve o estalo: dividir as quarenta e oito músicas selecionadas - clássicos e lados B - em estações do ano. As mais animadas, como "Bola de Meia, Bola de Gude" e "Aqui é o País do Futebol", compõem o momento verão; já o "vento solar" da criação artística de "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" e "Nuvem Cigana" remete à primavera. A densidade de "Caçador de Mim" e "Encontros e Despedidas" combinam, na visão deles, com o outono; o inverno, com "Nada Será Como Antes" e "Canto Latino".

É a 33º peça da dupla, em 22 anos. Ante a opulência de "O Mágico de Oz", a singeleza: o cenário é um casarão mineiro, com pinturas nas paredes, móveis de fazenda e certa atmosfera barroca, sem exagero. Os figurinos têm um cheiro anos 70, com cara de brechó hippie. É um desafio bem maior "do que botar gente voando e anõezinhos em cena", garante Botelho. "O simples pode parecer mais fácil, mas ele te desnuda. Nesse ponto da carreira, é bom nos reconstruirmos, é um morrer para germinar", considera Möeller. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

NADA SERÁ COMO ANTES

Teatro Net Rio (Rua Siqueira Campos 143, Copacabana). Tel. (21) 2147- 8060. 5ª a sáb., 21 h; dom., 20 h. R$ 80/ R$ 110. Até 25/11.

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