Musical que conta a vida de Cartola estréia no Rio

O compositor Cartola e dona Zica, personagens queridos da história do Rio e do samba, estão de volta. A vida deles é tema do musical Obrigado, Cartola!, que estréia nesta quarta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, com Flávio Bauraqui (o Jair Rodrigues do musical Elis e o Tabu do filme Madame Satã) e Mariah da Penha (a Viriata, escrava moralista de A Casa das Sete Mulheres) como o casal que tanto fez pela cultura carioca. A peça tem texto de Sandra Louzada (Somos Irmãs), direção-geral de Vicente Maiolino (O Samba É Minha Nobreza) e direção musical de Roberto Gnattali, que volta ao Rio após uma década em Curitiba. Além das músicas de Cartola, há um samba-enredo de Paulinho da Viola e Hermínio Belo de Carvalho, também intitulado Obrigado, Cartola!, feito para o espetáculo. Para ficarem fisicamente parecidos com o casal, Flávio e Mariah fizeram uma composição minuciosa, em que até uma fonoaudióloga ensinou Flávio a falar e a manter a expressão facial do compositor. "Mais que o gestual, procurei a essência de Cartola, seu humor ácido e contraditório e sua elegância, que lembra um Nelson Mandela", diz o ator, com um longo currículo de musicais em dez anos de carreira no Rio. "Houve uma época em que eu estava sempre no palco do CCBB. Mudava a peça, mas eu estava lá no elenco." O espetáculo mudou com os ensaios. "As músicas permaneceram, mas o texto foi reescrito com contribuições dos atores", diz Sandra Louzada, que criou a ação em dois planos. Na ficção, que recebe um tratamento realista, Bento, um compositor de morro, precisa fazer um samba-enredo sobre a vida de Cartola, da infância ao sucesso, que ele conheceu com mais de 60 anos, passando pela fundação da Mangueira, seu contato com a intelectualidade e sua cumplicidade com dona Zica, sua terceira mulher e esteio de sua carreira. Difícil foi selecionar o repertório, pois só os sucessos de Cartola dariam mais de duas horas de espetáculo e outras músicas que esclarecem quem foi ele precisavam entrar. Ficaram 22, entre clássicos como Acontece, As Rosas não Falam, O Mundo É um Moinho e Alvorada, e outras que pouca gente conhece, como o samba-enredo Ciência e Arte (com Carlos Cachaça, derrotado na Mangueira nos anos 40), uma maravilha que, mesmo gravada por Gilberto Gil, nunca estourou. "O samba do Paulinho e do Hermínio alinhava a história", revela Sandra. "Há mais de 30anos, eles foram parceiros em Sei lá, Mangueira e só agora voltaram a compor juntos."

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2004 | 18h49

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