Musical 'O Mágico de Oz' une efeitos especiais e humor

Quando criou "O Mágico de Oz" em 1900, o escritor norte-americano L. Frank Baum pretendia oferecer um conto de fadas modernizado para as crianças, em que a admiração e a alegria se conservam e os sofrimentos e pesadelos são deixados de fora. Foi esse espírito que norteou a famosa versão cinematográfica de 1939, com Judy Garland, e também a única adaptação autorizada para o teatro musical, cuja montagem brasileira está em cartaz no Teatro Alfa.

AE, Agência Estado

20 de março de 2013 | 10h33

Dirigido por Claudio Botelho e Charles Möeller, "O Mágico de Oz" nacional honra a origem, feita pela Royal Shakespeare Company, seguindo praticamente todo o roteiro do filme, mas acrescenta o esperado toque caseiro, ainda que de forma discreta. O fio da meada é o tradicional: acompanhada de seu cão Totó, Dorothy é levada por um tornado até a terra de Oz, onde conhece o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Juntos, os três seguem a Estrada de Tijolos Amarelos em busca do Mágico de Oz, que vai lhes oferecer recompensas esperadas, mas antes têm de enfrentar as vilanias da Bruxa Má do Oeste.

Reis do musical no Brasil, Botelho e Möeller detêm o domínio necessário para narrar a trama com segurança, criando cenas que alternam a expectativa do público. Respaldados por efeitos especiais, criaram uma estética que, sem perder a alegria infantil, faz referência a um futuro sombrio e retrô, inspirado em Fritz Lang e Tim Burton. É justamente esse tom mais escuro que contrasta com o colorido solar dos figurinos de Fause Haten, criando o impacto necessário.

Outro desafio foi acrescentar novidade a uma história tão conhecida. Para isso, os diretores contaram com a sofisticação do elenco. A começar por Malu Rodrigues que, no papel de Dorothy, traz a jovialidade esperada como ainda impressiona pela beleza vocal, criando um novo caminho que a distancia da perigosa comparação com Judy Garland. Seus três amigos na terra de Oz também pedem atores carismáticos. O jovem André Torquato solidifica cada vez mais sua posição de grande talento ao oferecer uma ótima expressão corporal ao Espantalho, algo semelhante conseguido por Nicola Lama como o Homem de Lata, que encanta também pelo eficiente tom vocal.

Sem a mesma experiência em musicais que seus colegas, Lucio Mauro Filho invade o terreno do humor para criar um Leão cuja covardia o impede de assumir principalmente uma latente homossexualidade. E, antes de apelar para a caricatura, o ator consegue a adesão (especialmente do público juvenil) para a defesa da igualdade de relações.

A força do humor, porém, está concentrada em Heloisa Périssé e sua hilariante Bruxa Má do Oeste: as improvisações sempre dentro do contexto conferem o esperado toque nacional à produção. E não se pode esquecer da simpática participação de Miele como o Mágico: com tanta presença na história da MPB, ele mais que justamente tem um número exclusivo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O MÁGICO DE OZ

Teatro Alfa (R. Bento Branco de Andrade Filho, 722). Tel. (011) 5693-4000. 6ª, 21h30; sáb., 16h e 20h; dom., 15h e 19h. R$ 40/ R$ 180. Até 26/5.

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