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Musical ganha inédito curso de formação

Iniciativa pretende formar intérpretes hábeis em cada uma das exigências desse tipo de espetáculo teatral

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2013 | 02h06

Uma parcela considerável do talento interno bruto dos musicais brasileiros, capitaneada por Miguel Falabella, estará presente às 11 horas de hoje em um evento na sede da Fiesp/Sesi, na avenida Paulista, onde tradicionalmente se reúnem os responsáveis por boa parte do produto interno bruto do Brasil. A coincidência não é aleatória - artistas e empresariado (representado pelo presidente das entidades, Paulo Skaf) vão anunciar, para imprensa e fãs do teatro musical, três projetos que deverão mudar o rumo do gênero no País.

O primeiro, e mais imediato, será a montagem de A Madrinha Embriagada, versão do musical The Drowsy Chaperone, que Falabella adaptou e vai dirigir, com estreia no dia 14 de agosto, no Teatro do Sesi; no mesmo mês, começarão as Oficinas de Vivência, programa de extensão educacional em que monitores vão utilizar as técnicas do teatro musical em uma nova forma de capacitação dos alunos das mais de 100 escolas mantidas pelo Sesi na capital e no interior de São Paulo; e, finalmente, em 2014, terá início o primeiro curso de formação de atores do teatro musical, iniciativa inédita no País, que pretende, em três anos, formar intérpretes hábeis em cada uma das exigências desse tipo de espetáculo, ou seja, cantar, dançar e interpretar.

"Percebemos que o teatro musical pode ser um importante complemento psicomotor na formação dos estudantes", explica Skaf, que acompanha de perto todos os projetos. A iniciativa começou há um ano, quando um grupo de artistas ofereceu à Fiesp/Sesi um projeto educacional. A ideia não apenas vingou como também cresceu - formou-se uma equipe que passou a atuar nas três frentes que resultariam nos investimentos a serem oficialmente anunciados hoje. "Fizemos uma pesquisa no mercado brasileiro, buscando as necessidades e as principais deficiências", comenta Cleto Baccic, ator e produtor, com participação nas montagens de Cats e Mamma Mia!, e agora um dos principais condutores do projeto.

Para formatar o curso de formação de atores e as oficinas de vivência, percebeu-se a necessidade de se conhecer experiências no exterior. Assim, foram feitas visitas técnicas aos principais centros do mundo, como na Flórida, Nova York, Pittsburgh e Boston, todos nos EUA, e também em Londres, na Inglaterra. "Passamos entre dois e três dias em cada lugar, descobrindo diferentes técnicas de formação, que vão desde a especificação do aluno para papéis principais e secundários até o aprimoramento das qualidades técnicas, seja para cantar, dançar ou interpretar", comenta Baccic.

A equipe, assim, cresceu e hoje é formada, além de Baccic, por atores consagrados no musical como Saulo Vasconcelos (O Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera) e Sara Sarres (Les Misérables, West Side Story), Floriano Nogueira, que também já atuou (Sweet Charity) e hoje trabalha na produção de diversos espetáculos, o diretor musical Carlos Bauzys, a atriz Stella Miranda (que viveu Carmen Miranda em South American Way), a preparadora corporal e também atriz (Aladdin) Vivian Albuquerque, e a diretora e educadora Christina Trevisan.

O curso de formação de atores ainda está sendo montado, mas as oficinas de vivência começarão em agosto na unidade Leopoldina do Sesi, com três turmas monitoradas por quatro professores cada. "Será um projeto piloto que utilizará o teatro musical para estimular o processo criativo do jovem", entende Paulo Skaf, pretendendo que o processo logo se estenda para toda a rede educacional do Sesi, hoje com 250 mil alunos.

Já a montagem de A Madrinha Embriagada pretende ser ousada. Com melodia e letras de Lisa Lambert e Greg Morrison e texto de Bob Martin e Don McKellar, o musical foi escolhido para agradar ao público que frequenta o teatro localizado na sede da Fiesp/Sesi, ou seja, além de satisfazer, tem a intenção de formar plateia para o gênero musical.

Como o espetáculo tem um humor particular, os produtores convidaram Miguel Falabella, hábil em adaptar textos sem perder a essência do original, para fazer a versão em português. Motivado com a trama ("É engraçadíssima e espirituosa"), ele pediu também para assumir a direção da montagem.

Paródia da comédia musical americana da década de 1920, The Drowsy Chaperone começa com um fã do gênero ouvindo o disco de um hit de 1928, chamado justamente The Drowsy Chaperone. Como em um passe de mágica, os show ganha vida no palco, com os cantores saltando do LP e recriando aquela época com seus irônicos comentários sobre música, teatro e atores.

Habilmente, Falabella transferiu a trama para a São Paulo dos anos 1920, cidade cuja economia crescia vertiginosamente além de abrigar os principais artistas modernistas. Assim, os interioranos do original se transformaram em caipiras na versão brasileira, que terá ainda figurinos de Fause Haten.

E o cenário será particularmente interessante, pois terá como ponto inspirador o quadro São Paulo (Gazo), pintado por Tarsila do Amaral em 1924. Ao todo, serão 25 atores em cena, como Saulo Vasconcelos, Sara Sarres e Kiara Sasso (que voltam a atuar juntas), além de um orquestra com 15 músicos. As escolhas foram feitas por seleção, da qual participaram mais de 2.600 pessoas.

O projeto está orçado em R$ 12 milhões, bancados pela Fiesp/Sesi sem utilização de leis de incentivo. A Madrinha Embriagada terá oito sessões por semana e deverá ficar 11 meses em cartaz. Os ingressos serão gratuitos, se adquiridos no site www.ticketsforfun.com.br ou a preços acessíveis, se comprados na bilheteria do próprio teatro.

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