Musical faz ode às canções francesas

Françoise Forton e Aloísio de Abreu são par romântico em ‘Nós Sempre Teremos Paris’, peça de Artur Xexéo

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 19h00

Não existe lugar no mundo que tenha sido tão retratado. A capital francesa já foi cenário de dezenas de filmes. Tornou-se personagem principal de uma série de livros. Foi imortalizada em telas por incontáveis nomes da pintura. O espetáculo Nós Sempre Teremos Paris inclui o teatro nesse coro de reverências à Cidade-luz. Só que o faz sob o ponto de vista de dois brasileiros.

 

 

Nessa breve produção musical, Françoise Forton e Aloísio de Abreu interpretam um casal que, após 20 anos, retornam a Paris em busca do café onde se viram pela primeira vez. “É uma história de amor. Só que contada de maneira muito leve”, comenta a atriz.

Simples, o cenário não faz menção às paisagens à beira do Sena. São as canções que marcaram o século 20 que cumprem a função de ambientar a trama. Acompanhados por uma banda, os atores desfiam temas populares, como C’est Ci Bon, La Vie en Rose, Hier Encore, Que Rest-t-il de nos Amour. Há também títulos um pouco menos conhecidos da plateia brasileira, como Et Maintenant.

Onipresente, a música não serve apenas para evocar a paisagem francesa. Letras e melodias da ‘chanson française’ são essenciais para que o enredo avance. Há algumas versões para o português – assinadas pelo próprio Artur Xexéo. Em sua maioria, porém, o público acompanha as canções originais. O que não deve prejudicar a compreensão da trama, crê Françoise. “Os personagens preparam emocionalmente a cena. Então, o público compreende o que está sendo colocado, mesmo que não saiba o significado das letras. Ainda que cantado em francês, o espetáculo é muito popular.”

O casal protagonista se conheceu durante a viagem a Paris. Viajavam sozinhos. Ela fugia de frustrações no trabalho e vendeu o pouco que tinha para passar o maior tempo possível flanando pela cidade. Ele comprou um daqueles pacotes turísticos para visitar quase uma dezena de países em uma dúzia de dias.

Por acaso, os personagens se cruzam em um café de Montparnasse – bairro que se tornou conhecido pela presença de intelectuais e pela tradição boêmia. Lá, começam a conversar. Descobrem que, além de outros interesses comuns, estão unidos pela paixão à música francesa. Ainda que os intérpretes já tivessem experiência em musicais, a preparação do espetáculo incluiu aulas de canto e dança.

Em Nós Sempre Teremos Paris, cujo nome remete à célebre frase do filme Casablanca, os protagonistas apaixonam-se à primeira vista. Mas, por descuido, separam-se e não voltam a se encontrar. A peça retrata esse primeiro enamoramento. E também suas tentativas de retomar os laços.

Ao longo de duas décadas, a vida de ambos mudou. Ele teve outros relacionamentos. A personagem feminina se casou, teve dois filhos. Mas, ao se ver viúva, decidiu retornar a Paris para acertar contas com a ilusão que acalentou durante todo esse tempo: a de ter encontrado (e perdido) o amor de sua vida. “A peça fala de bons sentimentos. Mas não de uma maneira ilusória, idealizada”, observa Aloísio. “São pessoas que já tiveram outras relações. E buscam afetos possíveis.”

Mais de um ano em cartaz no Rio, a produção nasceu de forma independente e com a expectativa de fazer uma temporada curta, pouco mais de um mês. A aceitação do público, também já levou a peça em turnê para Curitiba, Brasília e Vitória.

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