Marcos Fernandes/AE
Marcos Fernandes/AE

Musical 'Fame' mostra luta pelo sucesso

Espetáculo, inspirado em filme dos anos 1980, estreia amanhã no Teatro Shopping Frei Caneca

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h12

O musical Fame, que estreia amanhã no Teatro Shopping Frei Caneca, passou por um peculiar processo de construção. Além da audição, comum a todas produções do gênero para selecionar atores, o elenco só foi definido depois de um workshop de duas semanas. "Recebemos dois mil currículos e selecionamos 480 para a audição. Daí, ficaram 80 candidatos que participaram do workshop, no qual testamos as qualidades de cada um para os papéis até ficarmos com os 33 atores definitivos", conta o produtor Ricardo Marques, que há quatro anos acalenta o desejo de montar o musical.

Na verdade, a ficção, de uma certa forma, tornou-se realidade. É que Marques é proprietário da 4Act Performing Arts, escola especializada na formação de performers para o teatro musical - e Fame acompanha justamente a trajetória de um grupo de jovens que, depois de ingressar na New York High School of Performing Arts, em Nova York, busca se iniciar na carreira artística e musical, sofrendo os percalços e se entusiasmando com os sucessos habituais.

"Foi muito interessante participar desse tipo de experiência, inédita até para mim", comenta o americano Billy Johnstone, diretor, coreógrafo e ator (participou de Cats) que foi responsável pela coordenação-geral. "Como conheço bem os personagens, aproveitei para, durante o workshop, estimular os candidatos brasileiros a conseguir a performance perfeita."

Inspirado no filme Fama, dirigido por Alan Parker em 1980, o musical foi produzido na Broadway em 1988 e já foi montado em mais de 30 países, visto por cerca de 15 milhões de pessoas. A música tema, que leva o mesmo título do musical, tornou-se sucesso mundial. Para a versão nacional, os papéis principais são ocupados por atores convidados, como os globais Paloma Bernardi, Klebber Toledo e Murilo Armacollo, além da VJ e estilista MariMoon, que faz sucesso na MTV - nenhum deles participou do workshop seletivo.

"Mesmo assim, precisei tomar muitas aulas de canto e dança para não fazer feio", conta MariMoon, que inicialmente recusou o convite para viver a louquinha Grace Lambchops. "Eu achava que não conseguiria fazer musical, mas, depois que meus amigos insistiram muito - e como percebi que poderia manter meus cabelos coloridos -, acabei aceitando", lembra.

Ela vive um dos diversos personagens em busca da fama - corrida, aliás, nem sempre honesta. "Carmen Diaz é muito diferente de mim", confessa Paloma Bernardi, que participou da novela Insensato Coração vivendo a personagem Alice Miranda. "Além de usar roupas muito provocantes, ela não pensa duas vezes em passar por cima de alguém se há alguma chance de fazer sucesso, mesmo que isso magoe alguém que ela gosta muito." Mesmo assim, Paloma garante que não vive a vilã da história.

Na verdade, a montagem brasileira busca amenizar uma certa ferocidade pela fama que marca o original americano, algo que não seria bem-aceito pelo público nacional. Aqui, a coreografia (entusiasmante) e as canções (com ritmo conhecido) são apostas certas. E a produção paulistana prepara uma surpresa para o final, quando um carro dos anos 1960, todo remodelado como um táxi, surge em cena - para isso, foi preciso construir um elevador abaixo do palco.

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