Musical-escândalo ganha fôlego novo aos 25 anos

O mais escandaloso musical dos anos 70 comemora 25 anos em grande estilo. A cultura de Rocky Horror Show está mais viva do que nunca: Las Vegas vira palco de uma convenção de fãs neste fim de semana, enquanto uma nova versão do espetáculo na Broadway é apontada como uma das promessas da temporada de outono. A versão cinematográfica, que continua sendo exibida em diversas capitais do mundo, acaba de ser lançada em DVD, em uma edição comemorativa.Rocky Horror é um dos mais intrigantes fenômenos da cultura pop de todos os tempos. Escrito por Richard O´Brien, o musical estreou em 1973 em Londres, em um teatro para apenas 60 pessoas. A história sobre um casal de universitários norte-americanos que encontra um transsexual alienígena que está construindo o companheiro perfeito virou sucesso instantâneo. Em 18 meses, o espetáculo estava em um dos principais teatros da cidade e fazia a transição para a tela de cinema.Quem apostou no potencial da história foi Lou Adler, produtor responsável pelo filme Monterey Pop, que retratou o famoso festival de música. Ele acertou ao vender o projeto do filme para a Fox mantendo praticamente a mesma equipe, que incluía o inigualável Tim Curry, como o Dr. Frank N´ Further, e o diretor australiano Jim Sharman, que havia trabalhado em montagens teatrais de Hair e Jesus Cristo Superstar.O filme, que tem Susan Sarandon como Janet Weiss e Meatloaf como Eddie, estreou em 1975 e foi um fracasso, ficando limitado a poucos cinemas. Enquanto isso, as versões do musical abriam em Los Angeles, Nova York e Sydney, na Austrália. Foi graças à decisão de uma gerente do Waverly Cinemas, no Greenwich Village, em Nova York, de promover sessões da meia-noite, em 1976, que The Rocky Horror Picture Show começou a ter um público cativo, que acompanhava as falas em clima de festa.Próximo à época do Halloween daquele ano, um grande número de pessoas vestidas à caráter se reunia para as sessões do filme, dando início às intervenções "oficiais". Quando Janet reclama da chuva, por exemplo, o público diz: "Compre um guarda-chuva, sua vaca pão-dura!" e abre guarda-chuvas no cinema. Há também "sacadas", como a hora em que o público pergunta: "Janet, você quer transar?" e Sarandon olha para a tela. "Pense no assunto", diz o público, e ela sorri para a câmera.Desde então, Rocky tem sido exibido em grandes capitais do mundo (ininterruptamente em Nova York e Los Angeles), com fãs alegando ter assistido ao filme mais de 1,3 mil vezes. O lançamento da produção em DVD tem trechos rodados em vários cinemas, com cenas da ação do público cativo e explicações sobre o crescimento do "culto".O filme deu origem a uma continuação, Shock Treatment, também escrita por O´Brien, que chegou a ter também um público cativo, mas não atingiu o mesmo caráter de fenômeno, ficando relegado aos fãs mais hardcore.Neste fim de semana, os mais fanáticos estão reunidos em Las Vegas na grande convenção dos 25 anos do musical. Além de leilões em que serão vendidas peças originais usadas por Tim Curry e outros integrantes do elenco original, o evento vai incluir um karaokê (em que estão previstas as participações de nomes como Bijoux Phillips, de Almost Famous, e Eric McCormack, de Will & Grace) para o canal por assinatura VH-1 e, claro, exibições de gala de Rocky Horror Picture Show, com direito a concursos de fantasias.A nova versão, que estréia na Broadway na semana que vem, tem tudo para reforçar o poder da produção. Christopher Ashley (do filme Jeffrey) dirige a "baderna", que tem Tom Hewitt como Fran N´Furter; a drag queen Lea DeLaria como Eddie e Joan Jett como Columbia, além de vários outros veteranos que já participaram dos melhores musicais da Broadway nos últimos anos. O cenário é de David Rockwell, responsável pelos espetáculos do Cirque du Soleil.

Agencia Estado,

13 de outubro de 2000 | 18h39

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