Musical com sabor de Brasil

Cia. Empório de Teatro Sortido encena Cambaio, de Chico Buarque e Edu Lobo

IGOR GIANNASI, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h10

Em abril de 2001, o aguardado retorno da parceria entre Chico Buarque e Edu Lobo na composição para o teatro se concretizava, enfim, depois de 13 anos, no musical Cambaio. Com texto de Adriana e João Falcão (também dirigido por ele) e direção musical de Lenine, o espetáculo, com status de superprodução, lotou a sala do Sesc Vila Mariana e rendeu um disco que retrabalhava as músicas originais, interpretadas por Gal Costa, Zizi Possi e o próprio músico pernambucano. Agora, mais de uma década depois, o musical ganha uma releitura enxuta na montagem Cambaio (a Seco), realizada pelos jovens encenadores da Cia. Empório de Teatro Sortido e pelos músicos do coletivo de violonistas 5 a Seco, em curtíssima temporada: a estreia foi na semana passada e a peça fica em cartaz até 4 de abril, sempre às quintas-feiras, no Sesc Pompeia.

Ainda que não se lembre muito bem da montagem original, o diretor desta versão, Rafael Gomes, considerou que o espetáculo seria ideal para se "desvirginar" na seara dos musicais, após a direção de Música para Cortar os Pulsos, que ganhou o prêmio de melhor peça jovem da APCA em 2010, além de ir na contramão das megaproduções "made in Broadway", colocando no palco paulistano um musical brasileiro. "São músicas muito lindas que tinham ficado meio esquecidas nos últimos anos", comenta.

A peça se passa em uma noite em que o cambista Rato (Geraldo Rodrigues) dá o último ingresso do show do pop star Cara (Guilherme Gorski) para Bela (Mayara Constantino) poder entrar na apresentação. Em meio a situações que misturam realidade e sonho, o triângulo amoroso se forma e os rapazes tentam conquistar o amor da jovem. No plano onírico, um personagem se imagina como o outro, que no seu sonho também pensa que é o outro. Ao "secar" a história, Gomes manteve este núcleo principal e eliminou as partes referentes ao coro. "A trama mesmo já se dava com três pessoas", explica. E a característica de ter sido um espetáculo que se construía a cada dia também acabou contribuindo para deixar mais enxuta a adaptação. "Curiosamente, ninguém tinha o texto completo, faltava um pedaço", conta ele, que aproveitou então o material de que dispunha.

Além da produção mais modesta, há outra diferença na concepção do espetáculo: aos atores cabe apenas interpretar o texto. "Eu também não queria remontar Cambaio simplesmente como se esperaria que eu fizesse", diz Gomes. "Eu não queria ter de trabalhar com atores que cantam, queria trabalhar com atores com quem eu queria trabalhar." Guilherme e Mayara são do elenco de Música para Cortar os Pulsos e Geraldo, que atuou no filme Linha de Passe, de Walter Salles, já estava na mira do diretor há algum tempo.

Essa escolha conceitual de Gomes foi possível com entrada do 5 a Seco no projeto e evidencia a proposta de se fazer uma "peça-show" ou um "show-peça". "Tem como você perceber que é também um show do 5 a Seco à parte do espetáculo", comenta Léo Bianchini, membro do coletivo.

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