Musical com boneco estréia sábado

Guiada por uma múmia alérgica que sofre de claustrofobia, além de uma robusta Vênus pré-histórica e uma simpática mãozinha, a boneca Maria é apresentada a uma realidade composta por pinceladas. Nela, uma Monalisa clama por uma cabeça para renascer, figuras de Guernica, de Picasso, tornam-se retratos de um pesadelo e bailarinas de Degas dançam para comemorar alegrias e vitórias. Todas essas figuras povoam o universo de A Mão, musical infantil protagonizado por bonecos que será apresentado em São Paulo a partir de sábado e até 4 de novembro. Depois, o espetáculo deverá viajar para diversas capitais brasileiras. Criado e dirigido por Fernando Anhê, a peça conta com trilha-sonora original do maestro Jamil Maluf. Na caverna "Eu estava enrolado com a montagem da ópera Carmem e outros projetos quando Fernando me chamou. Fiquei tão encantado que fiz questão de participar do projeto. Criei as músicas em uma semana", conta Maluf, que atualmente dirige a Orquestra Sinfônica Experimental de Repertório de São Paulo e a Orquestra Sinfônica do Paraná. Simultaneamente à estréia de A Mão, haverá o lançamento do CD contendo todos os diálogos e composições apresentados no espetáculo. "As canções são de influências clássicas, tribais e populares", diz o maestro. Idealizado em 99, o espetáculo é inspirado na descoberta de desenhos pré-históricos por uma menina na caverna de Altamira, Espanha, no final do século 19. "Estava ainda como espetáculo Imago em cartaz quando asisisti a um documentário sobre o assunto. Na hora veio a inspiração", diz Anhê. Segundo o autor, o objetivo do musical é introduzir, de forma bastante divertida e lúdica, a saga das artes plásticas. Teatro negro A história começa fiel ao fato verídico, com a boneca-menina Maria, 5 anos, explorando a caverna com a voz do pai ao fundo, em off, pedindo cuidado. Logo a garotinha avista desenhos tribais nas paredes, entre eles, uma mão. "Quando Maria toca no desenho, ele ganha vida e o palco é invadido por cores e fantasias que simbolizam o mundo das artes", adianta Anhê. Para representar esse universo, o autor utiliza o recurso do teatro negro. A técnica, em que o ator/manipulador não é visto, cria a ilusão de que os bonecos movem-se livremente. "A única atriz que aparece em cena é a Esfinge, a vilã da história. Os demais são brinquedos animados por pessoas", revela o autor. Além das obras-personagens que se movem, cantam e dançam em sincronia com os diálogos e com a trilha-sonora, há uma série de outros recursos visuais e projeções. "Chamei algumas crianças para assistir aos ensaios. Durante a apresentação, observava atentamente os olhares delas. Quando eles brilhavam, ficava tranqüilo: era sinal de que a montagem seguia no rumo certo", finaliza Anhê.Serviço - A Mão - , de Fernando Anhê com trilha-sonora de Jamil Maluf. Sáb. e dom. às 15 h. R$ 6. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho (R. Vergueiro, 1.000, tel. 3277 3611). Estréia sábado. Temporada até 4 de novembro. Ana Carolina Soares

Agencia Estado,

13 de setembro de 2001 | 12h26

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