Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Musical celebra obra de Dickens que festeja o Natal

Com direção de Fernanda Chamma, ‘A Christmas Carol’ reúne elenco de 132 pessoas na clássica história de redenção

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2019 | 06h00

Um dos grandes méritos do livro A Christmas Carol (no Brasil, Um Conto de Natal), que o inglês Charles Dickens (1812-1870) publicou em dezembro de 1843, está no fato de valorizar a representatividade. “É uma história que abre nossos olhos para as diferenças que marcam a sociedade”, comenta Fernanda Chamma, diretora e coreógrafa que idealizou uma versão musical de A Christmas Carol, cujas apresentações especiais acontecem nesta segunda, 25, e terça, 26, além da sessão extra programada para o dia 2 de dezembro.

“É uma história de Natal que não precisa se apoiar em Papai Noel para transmitir sua boa mensagem”, continua Fernanda, que dirige o espetáculo ao lado de Daniela Cury, também responsável pela adaptação. De fato, logo que foi publicado, o livro de Dickens tornou-se um enorme sucesso e inspirou versões para o cinema e para o palco ao longo de décadas. O segredo está na essência de seu enredo baseado no poder de superação que modifica as pessoas, especialmente as más.

Ambientada em Londres, em um dezembro gelado da Inglaterra Vitoriana, a história acompanha o rabugento Ebenézer Scrooge (Arízio Magalhães), um avarento homem de negócios que não demonstra bons sentimentos ou compaixão por ninguém, daí ser solitário. Na véspera de Natal, Scrooge é visitado pelo fantasma de Jacob Marley (Sandro Christopher), seu sócio que morreu há sete anos. Acorrentado e condenado a vagar pela eternidade, Marley revela ao avarento que um destino semelhante o espera caso não mude de comportamento. 

Para convencê-lo, três espíritos o assediam: do Natal Passado (Nábia Vilela), do Natal Presente (Ana Araújo) e do Natal Futuro (John Seabra). Juntos, conduzem Scrooge por uma fascinante e também ameaçadora viagem pelo tempo. E, depois de percorrer passado, presente e futuro, vivendo situações que o levam do arrependimento à saudade, Scrooge recupera o amor e muda seu comportamento – especialmente quando descobre singeleza na vida pobre de seu empregado Bob Cratchit (Celso Zucatelli) e a mulher Emily (Carla Vasquez).

Com uma escrita vigorosa, Dickens foi feliz ao mostrar que o glorioso período vitoriano foi responsável pela concentração de renda, provocando a miséria de inúmeros britânicos, como o próprio Dickens. O sucesso extraordinário de sua obra, aliás, fez valorizar a expressão “Merry Christmas!” (Feliz Natal) e também o hábito de celebrar a data com reuniões em família e comidas especiais. Não bastasse isso, um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos criados por Walt Disney, o avarento Tio Patinhas, é conhecido, no original inglês, como Uncle Scrooge, ou Tio Scrooge.

“Como se trata de uma história que se passa no século 19, foi necessário um treinamento específico do comportamento das pessoas naquela época”, explica Fernanda Chamma, que comanda um elenco de 132 pessoas, a grande maioria de crianças e jovens que se iniciam na arte do musical. “Meu artista mais novo tem 6 anos e o mais velho é o Sandro Christopher, com 60. E os jovens são espertos, pois ficam de olho nos gestos dos veteranos.” No trabalho de ambientação, ela cuidou de detalhes como postura, respiração, forma de andar, o que é bem executado pelas crianças.

Um dos grandes trunfos da montagem de A Christmas Carol, além do trabalho do elenco, está na projeção comandada por Richard Luiz, da Protótipo Filme: da residência do avarento Scrooge ao momento em que ele é assombrado pelos espíritos de Natal, as imagens que ocupam um enorme telão localizado no fundo do palco facilitam a ambientação da trama passada nos anos 1840. “É uma projeção lúdica, que ganha realismo por ser em movimento”, acrescenta Fernanda, lembrando que o projeto foi executado sem leis de incentivo, fruto de sua parceria com a Time For Fun.

Seu plano, aliás, é colocar A Christmas Carol no calendário natalino de São Paulo, ou seja, repetindo as apresentações anualmente. Para isso, conta com a eficiência da produção – basta conferir a coreografia que abre o espetáculo e que reúne nada menos que 100 pessoas.

A CHRISTMAS CAROL

TEATRO RENAULT - AVENIDA BRIGADEIRO LUIS ANTONIO, 411. 2ª (25/11 E 2/12) E 3ª (26/11), 21H. R$ 50 / R$ 150

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