Francisco Junior
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Musical aborda conflito de ideais que termina em tragédia na universidade

No Teatro Nair Bello, ‘Avesso’ mostra como o sequestro de professor faz com que objetivos justos se transformem em atos de radicalismo

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2019 | 03h00

Irritados com a negativa do reitor de recebê-los, estudantes universitários sequestram um professor a fim de forçar uma negociação para melhorar a qualidade do ensino. Logo, os bons ideais e os pensamentos sensatos são trocados por atitudes radicais e violentas, guiando a situação para um final indesejado. A trama de Avesso, o Musical, que reestreia nesta sexta-feira no Teatro Nair Bello, se sustenta no delicado jogo de poder – de um lado, os alunos que, inicialmente convencidos de que dominam a situação; do outro, a figura do professor e, por extensão, dos policiais que cercam o local onde todos estão, impondo a ordem pela força.

“Estamos em um mundo onde ninguém mais entende ninguém, onde não se pratica a empatia, e as confusões se tornam grandes torres de babel. Juca, meu personagem, traz isso, ele não consegue sair do conflito, nem tão pouco apaziguar as coisas”, explica o ator Jair Assumpção. “Avesso retrata a nossa atual sociedade, na qual as pessoas estão sempre lutando por algo, seja o bem comum ou individual”, pontua o diretor Hudson Glauber, também idealizador do projeto.

De fato, é justamente o choque entre desejo pessoal e o de uma comunidade que desequilibra o tênue limite entre paz e conflitos. E Glauber representa bem cada uma dessas figuras em seus personagens, divididos entre uma líder, um brutamontes, um recalcado e assim por diante. “Minha personagem não só lidera como tem um grande poder de persuasão. O problema é que está voltada para os seus próprios interesses”, comenta a atriz Vanessa Goulartt, que vive a líder da ação.

É justamente o conflito desses desejos que inspirou o autor do texto, Daniel Torrieri Baldi e, que contou com a colaboração de Maria Elisa Berredo e Gustavo Amaral. “Quando tudo parece estar do avesso, o que é que fazemos? Foi deste questionamento que meus parceiros e eu partimos para a criação desse musical, diante dos rumos de uma sociedade moderna que apresenta sinais claros de decadência”, observa Baldi.

O musical cresce em tensão e uma revelação chega a orientar a trama para outro rumo. E, ao final, independentemente de quem sai ganhando, resta o amargor provocado pela transformação de ideais em radicalismo. “Vemos isso nas fraudes políticas, nas leis desatualizadas e aplicadas erroneamente, naqueles que não se preocupam com o próximo. Tudo acaba por estimular as pessoas a se desligar do coletivismo e enxergar a real situação sem responsabilidade e consciência”, acredita Baldi.

Destinado principalmente aos jovens, o espetáculo tem canções originalmente compostas por Thiago Gimenez, que apostou em ritmos como o rap e o rock, além de estilos como MPB e até valsa. “Não se trata de levantar nenhuma bandeira, mas mostrar as reações das pessoas quando confrontadas com sua própria miséria humana”, completa Glauber.

AVESSO – O MUSICAL

Teatro Nair Bello. Rua Frei Caneca, 569 – 3º piso (Shopping Frei Caneca). 6ª e sáb., 21h. Dom., 19h. R$ 60. Até 24/2

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