''Musicais são um adorável risco''

''Musicais são um adorável risco''

Para o compositor inglês, o enorme talento das novas gerações de artistas compensa a aposta financeira

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

O diagnóstico de um câncer na próstata, 2009, não diminuiu o ritmo de trabalho de Andrew Lloyd Webber, decidido a finalizar Love Never Dies, como conta na entrevista a seguir.

Cats ainda lhe provoca fortes emoções?

Sim, sem dúvida. De alguma forma, os musicais são como meus filhos e, por isso, eu os amo de formas diversas. Cats sempre será especial para mim e não apenas por conter Memory, que permanece como minha canção mais conhecida e mais executada em todo o mundo.

É doloroso esperar que uma nova canção se torne outro megassucesso?

O mais difícil para mim é encontrar uma história que funcione no palco e que me inspire a escrever as canções. Como exemplo, lembro que Love Never Dies, que recém-estreou em Londres, me consumiu 20 anos de trabalho.

É possível dimensionar quantas produções com sua assinatura são encenadas atualmente?

Para ser honesto, não sei. Até porque sempre há alguma produção de um de meus espetáculos sendo montada no planeta - grande ou pequena, profissional ou amadora.

Musicais tornaram-se muito caros. O que diria sobre o futuro dessas produções?

De fato, musicais são muito dispendiosos e representam um fenomenal risco financeiro para os produtores. Espero que os investidores continuem dispostos a enfrentar esse risco e que o público esteja preparado para pagar um preço justo para acompanhar uma grande apresentação ao vivo.

Outra exigência é a presença de artistas versáteis para atender à demanda dos atuais espetáculos. Qual é a dificuldade de se escalar um elenco?

Fico constantemente assombrado com o talento das pessoas que participam das audições. No Reino Unido, fui pioneiro ao escalar um elenco de televisão para os musicais de teatro e, por meio desse processo, descobri alguns talentos que não acredito encontrar similares no tradicional processo de seleção. Para se ter uma ideia, cinco dos finalistas do nosso programa de TV estrelavam produções teatrais.

E Love Never Dies?

Como já disse, foi um processo criativo de 20 anos. Por volta de 1990, tive a ideia de continuar a história do Fantasma e de Cristine, situando-a agora em Nova York no início do século passado. Discuti a ideia com a falecida Maria Bjornson, que criou os brilhantes figurinos do Fantasma da Ópera, e também com Frederick Forsyth, que desenvolveu minhas ideias e publicou sua própria versão no romance O Fantasma de Manhattan. Vi um documentário sobre Coney Island, parque de Nova York com grandes atrações, e percebi que ali poderia ser a nova casa do Fantasma, entre loucos e esquisitos. Pensei ainda que talvez Christine pudesse ter vindo para a América com seu filho, o que me ajudaria a finalizar o projeto. Mas não consegui dar continuidade à trama e passei para outros trabalhos mais urgentes.

E quando você percebeu que podia retomar?

Em 2006, decidi retomar a ideia e só continuaria com os mesmos problemas se não tivesse pedido a opinião de meu velho amigo Ben Elton, que descobriu como desbloquear minha estrada mental. Assim, o libreto final é resultado da enorme colaboração comigo de Ben, do letrista Glenn Slater e do diretor Jack O"Brien. Love Never Dies retoma a história do Fantasma e Christine Daaé dez anos depois. Ela aceita uma oferta para se apresentar no maior playground dos Estados Unidos, em Coney Island. E chega a Nova York ao lado marido Raoul e do filho Gustave. Lá, eles conhecem Madame Giryu e a filha dela, Meg, até descobrir a identidade do empresário anônimo que a convidou a vir da França para cantar. É o máximo que posso dizer.

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