Música para sair desta dimensão

O Rock Hipnótico do Fuck Buttons vem a São Paulo

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

A hipnose sonora praticada pelo duo britânico Fuck Buttons tem tantos céticos quanto seguidores. Vastos lençóis de distorção e lirismo, criados sobre batidas eletrônicas, fazem da banda a ira de vanguardistas que a veem como uma tentativa fracassada de trazer sons experimentais para um público maior.

Já os fãs, talvez não imunes ao transe eletrônico, louvam a dupla pela mistura de experimentalismo com a melancolia do pop independente.

Purismo e hype à parte, Tarot Sport, o último disco do duo que se apresenta no Museu da Imagem e do Som no dia 12 de agosto (parte da programação musical, que tem início essa semana, do festival de arte contemporânea Nova) tem momentos de delicada beleza induzidos pela vagarosa e meditativa progressão das canções.

"A repetição é uma parte muito importante do nosso trabalho", conta Andrew Hung, uma das metades do Buttons. "Quando a música fica muito interessante para nós, os ciclos desencadeiam uma imensidão de planícies, cores e imagens", diz Hung, que trabalha em parceria com o guitarrista Benjamin Power.

Juntos, os dois se valem de sintetizadores, pedais de distorção e um apanhado de objetos cotidianos que inclui brinquedos infantis (mini teclados, um Gameboy e um karaokê Fisher Price) para realizar o som do Fuck Buttons. "No começo, usávamos brinquedos porque não tínhamos dinheiro. Juntávamos coisas achadas na rua e isso acabou criando a identidade do nosso som", conta Hung.

A dupla se conheceu em Bristol, cidade famosa por ser o berço do trip hop e do acid house. Foi o primeiro endereço de bandas como Massive Attack, Tricky e Portishead, o que traz lógica ao fato de a cena local ter produzido, ao invés de mais um expoente do britpop, uma boa banda de música eletrônica.

Hung e Power eram conhecidos da época do colegial mas só deram início à colaboração musical na faculdade, onde Hung cursava artes plásticas e Powers buscava diploma de ilustrador. Hung precisava de música para um filme experimental e os dois acabaram por se encontrar para algumas jams sessions. "Na terceira vez, a química criativa deu certo e ficamos muito empolgados com que estava acontecendo. Eu fiquei mais ainda por ter sido a minha primeira experiência com um grupo. Antes disso só havia feito música no meu computador", diz Hung.

Tarot Sport traz um Fuck Buttons mais ameno comparado ao imeiro disco do duo Street Horrrsing, onde Hung e Power se aventuram por planícies ásperas num rally de texturas sonoras. O novo tem produção mais elaborada e emprega o pulsar constante da dance music em suas faixas. No entanto, Hung não vê nisso uma tentativa de atingir um público mais amplo. "Chegamos ao ponto em que um trabalho inspira o outro. É um moto perpétuo. Street Horrrsing simplesmente criou novas perguntas para Tarot Sport."

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