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Música inédita de Chico Buarque congestiona site

Cadastro para ouvir uma promeira música do novo disco de inéditas do cantor demorou horas

AE, Agência Estado

21 de junho de 2011 | 10h57

"Chicólatras" congestionaram o site de Chico Buarque, à espera da primeira música do seu novo disco de inéditas. A primeira canção, publicada ontem, foi "Querido Diário", homônima de composição de João Bosco e Aldir Blanc (1982, do disco "Comissão de Frente"). Muitos levaram horas para se cadastrar no site. Os responsáveis alegaram problemas no servidor.

A pré-compra pela internet (por R$ 29,90 em chicobastidores.com.br) dá a vantagem de receber o disco em 22 de julho. Intitulado "Chico", possui dez faixas e sairá pela Biscoito Fino. Segundo anunciado, tem participação de João Bosco em "Sinhá"; de Thais Gulin em "Se Eu Soubesse"; e Wilson das Neves em "Sou Eu" (de Chico e Ivan Lins). Chico anunciou que celebrará o blues e a bossa, "sem esquecer o samba". Pelo menos uma das músicas inéditas, "Nina", é uma valsa.

A nova canção tem 2 minutos e 50 segundos. A percussão entra após um minuto e meio, e o arranjo orquestral, no final. "Querido Diário" mostra Chico com a velha pegada poética. Versos simples conduzem a conclusões existenciais sofisticadas - André Luiz Câmara, no blog "Esquinas e Quintais", lembrou que o compositor parece se referir à saga de Pigmalião, escultor cipriota que se apaixonou por uma das imagens femininas que esculpiu. "Por uma estátua ter adoração/ Amar uma mulher/ Sem orifício", diz o trecho. O último disco de inéditas de Chico, "Carioca", saiu em 2006, também pela Biscoito Fino. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Confira a letra de "Querido Diário":

"Hoje topei com alguns conhecidos meus/ me dão bom dia cheios de carinho/ dizem pra eu ter muita luz, ficar com Deus/ eles têm pena de eu viver sozinho. Hoje a cidade acordou toda em contramão/ Homens com raiva, buzinas, sirenes, estardalhaço/ De volta a casa na rua/ Recolhi um cão/ Que de hora em hora me arranca um pedaço/ Hoje pensei em ter religião/ De alguma ovelha, talvez, fazer sacrifício/ Por uma estátua ter adoração/ Amar uma mulher/ Sem orifício/ Hoje afinal conheci o amor/ E era o amor uma obscura trama/ Não bato nela, não bato/ Nem com uma flor/ Mas se ela chora/ Desejo me inflama/ Hoje o inimigo feliz veio me espreitar/ Armou tocaia lá na curva do rio/ Trouxe um porrete e um porreta pode me quebrar/ Mas eu não quebro não/ Por que sou macio, viu?"

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