Música e pátria

O maestro e pianista russo Vladimir Ashkenazy rege Shostakovich, Beethoven e Mahler em visita ao Brasil

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2012 | 03h09

Ele avisa logo de cara: não fala sobre música ou política - o que, tratando-se de um dos principais músicos russos do século 20, que na antiga União Soviética chegou a atuar como espião da KGB, diminui consideravelmente os tópicos de conversa. Mas Vladimir Ashkenazy exagera - e, durante a entrevista, explica: "Se não gosto de falar de música, é porque parece sempre que, ao analisar uma peça, estou tentando convencer você de alguma coisa. E, no fundo, não vou jamais convencer ninguém de nada. Cabe ao ouvinte interpretar o que ouve. Minha função é fazer música".

E música ele fará a partir da semana que vem, quando desembarca em São Paulo com a Sinfônica Alemã de Berlim para uma série de concertos que abre a temporada do Mozarteum Brasileiro. Além de duas apresentações no Teatro Municipal, nos dias 14 e 15, ele fará dois concertos no Auditório Ibirapuera - um destinado às crianças, no dia 12, e o outro, no dia 13, com as portas abertas para o parque.

O concerto infantil terá no programa a Suíte Quebra-nozes, de Tchaikovski; no dia 13, para a apresentação ao ar livre, somam-se a ela peças curtas como o poema sinfônico Don Juan, de Strauss. Já no Municipal, ele rege três monumentais sinfonias: a Pastoral, de Beethoven, a décima de Shostakovich e a quinta de Mahler.

Se o episódio da KGB - de onde saiu pela simples incapacidade de dar ao serviço secreto russo alguma informação relevante - virou anedota, a relação com a música na União Soviética, de sua deserção à gravação de seus principais autores, é especial em sua carreira. Quando Shostakovich estreou sua décima sinfonia, Ashkenazy estava no teatro. "Momentos assim mudam a gente", diz, em entrevista ao Estado.

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