Música e ideias em Wagner

Volume reúne palestras do francês Alain Badiou sobre vida e obra do compositor

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2011 | 00h00

Poucos compositores produziram obra em prosa tão rica quanto o alemão Richard Wagner (1813- 1883). Ao mesmo tempo em que promovia uma revolução no drama musical, o autor de Tristão e Isolda criava um arcabouço teórico no qual lançava as bases conceituais de uma "obra de arte total", que levavam em conta o diálogo com questões sociais, religiosas e políticas, debatidas por ele em um outro punhado de textos. Por tudo isso, sua obra não entrou para a história apenas pelas belas melodias - também se tornou referência para artistas e filósofos do século 20.

Assim, talvez não provoque estranhamento que dois dos principais pensadores da esquerda contemporânea europeia - o francês Alain Badiou e o esloveno Slavoj Zizek - tenham se detido sobre a obra do compositor em Five Lessons on Wagner. As cinco lições do título foram oferecidas em forma de palestras por Badiou em um seminário realizado em Paris, transcritas e retrabalhadas pela tradutora Susan Spitzer. Zizek, por sua vez, assina um longo posfácio.

Há uma gama enorme de temas discutidos ao longo das lições. O principal deles é justamente a necessidade de debater a obra do compositor como uma mistura de música e filosofia. Badiou relaciona diversos autores do século 20 que sentiram necessidade de dialogar com Wagner. E se concentra em Theodor Adorno, cujo trabalho se colocaria em ponto privilegiado de intersecção de arte e política, uma vez que unia a percepção da importância do compositor para a criação da arte moderna com o nascimento do veto que recaiu sobre sua obra após a 2.ª Guerra. Sem disfarçar a incoerência de muitos dos escritos wagnerianos, Badiou injeta nova vida à produção do autor, encarando assuntos espinhosos tal como a presença de elementos antissemitas em sua música.

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