Música e comédia no palco do Municipal

Nova produção, contemporânea, de O Morcego, de Strauss, encerra temporada lírica

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 03h11

Uma nova produção da opereta O Morcego, de Johann Strauss II, encerra a partir de hoje a temporada lírica do Teatro Municipal, sob o comando do maestro Abel Rocha e do diretor William Pereira. "A opereta foi sempre um contraponto à ópera séria", lembra o maestro. "E, dentro do espírito de diversidade que pautou a programação de 2011, é bom podermos fechar a temporada com um espetáculo desse tipo."

Finalizar o ano com O Morcego é uma tradição mundo afora, lembra o maestro Rocha, ressaltando a possibilidade de utilizar, nesta última produção do ano, além da Sinfônica Municipal, o Coral Lírico e um time de solistas que inclui cantores convidados e outros pertencentes à companhia do Municipal. Entre eles, estão os tenores Fernando Portari, Juremir Vieira, Rubens Medina e Paulo Queiroz; as sopranos Rosana Lamosa, Carmen Monarcha e Edna D'Oliveira; e a meio-soprano Regina Elena Mesquita. O ator Fulvio Stefanini faz participação especial como o carcereiro Frosch.

Pereira assina, além da concepção cênica, a tradução e adaptação não apenas dos números musicais como também dos diálogos falados. "Optamos, desde o início, por uma linguagem moderna, contemporânea. O espírito da opereta, afinal, permite isso, inclusive, por meio da comédia, fazendo relações com o mundo atual, com personagens de nossa época. É uma maneira de aproximar o espetáculo do público. E isso se soma à música de Strauss, que criou um discurso musical que gruda nos nossos ouvidos. A técnica de repetição de alguns temas faz com que a gente saia do teatro cantarolando melodias que acabamos de ouvir pela primeira vez."

Encerrando seu primeiro ano como diretor artístico do Municipal, posto que assumiu em fevereiro após a demissão repentina do maestro Alex Klein, Rocha faz um balanço positivo. "Desde o início, a preocupação foi com a consolidação institucional do Municipal e, por outro lado, devolver o ritmo de trabalho a uma estrutura que havia ficado parada por conta da reforma", diz. "Foi preciso levar em conta o que já havia sido programado, fazer alterações onde era necessário e, além disso, aprender a lidar com a nova tecnologia, o que nem sempre facilitou o esquema de trabalho. Mas acredito que, com mais de cem espetáculos em pouco mais de seis meses, o teatro cumpriu o seu papel e está pronto para seguir adiante."

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