Música, a estrela, o que e por que os Dardennes mudam?

Crítica: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h07

JJJJ ÓTIMO

JJJJ ÓTIMO

Algo de novo se passa no cinema dos Dardennes. Jean-Pierre e Luc não apenas recorrem a uma estrela em O Garoto da Bicicleta. Eles já explicaram por que precisavam de Cécile de France (leia entrevista). Mas tem algo mais. Os irmãos Dardenne, sempre tão parcimoniosos no que se refere ao uso da música - em geral, não usam -, aqui se valem de Beethoven.

Existem momentos em que os acordes iniciais do segundo movimento do Concerto do Imperador prenunciam a tragédia. O piano entra como um signo de leveza. Como o sorriso de Cécile de France, a cabeleireira que vai salvar o garoto.

A bicicleta dele é roubada - reminiscência de Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica? Há algo de neorrealismo na depuração estilística dos Dardennes. Muitas vezes eles filmaram a infância em choque com o mundo adulto. O tema volta, mas renovado, com outras ressonâncias. Há tempos eles não faziam um filme tão bom.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.