Museus iraquianos sofreram o mais grave desfalque desde a 2.ª Guerra

Representantes da Unesco e de alguns dos maiores museus do mundo reuniram-se hoje e formalizaram um apelo aos Estados Unidos para impedir que as antigüidades roubadas em Bagdá caiam no mercado negro de arte. "O controle americano das fronteiras é quase zero", acusou Donny George, diretor de pesquisa do Museu Nacional Iraquiano. "Qualquer um pode levar o que quiser para os outros países."O encontro aconteceu no British Museum, em Londres, e contou com a presença de diretores do Louvre (Paris), Metropolitan (Nova York), Hermitage (São Petersburgo), entre outros. A eles, Donny George disse que o saque à instituição iraquiana é uma "grande perda" para a humanidade. O diretor do museu inglês acrescentou acreditar que a pilhagem da coleção iraquiana é a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Funcionários da Unesco presentes à reunião informaram que seu diretor-geral Koichiro Matsuura irá se encontrar com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para tratar do caso.Donny George contou que, tão logo as tropas americanas tomaram Bagdá, fucionários do museu pediram a proteção dos soldados. "Um tanque a 50, 60 metros do museu teria impedido os saques", disse. Mas as tropas não atenderam, dizendo, segundo George, que não havia ordens para tanto. "Será que foi intencional?", questiona o diretor.O museu iraquiano tinha uma das mais preciosas coleções de arte antiga e de tesouros arqueológicos em todo o mundo. Com a queda de Saddam, saqueadores aproveitaram para levar cerca de 170 mil peças de até 7 mil anos. Muito pouco, até agora, foi recuperado.Veja o especial :

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