Museus investigam origem de peças

Para polícia dos EUA, instituições como o Metropolitan Museum podem ter obtido obras com negociante procurado

ROBIN POGREBIN , E KEVIN FLYNN, NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h09

As autoridades federais norte-americanas estão pedindo aos museus dos Estados Unidos que examinem suas coleções com especial atenção aos itens que eles obtiveram de um suspeito negociador de obras de arte de Manhattan, acusado recentemente de posse de antiguidades roubadas da Índia e de outros países. Subhash Kapoor já está preso na Índia. Em Manhattan, um advogado que acompanha o caso também havia entrado com o pedido de um mandado de prisão contra ele, sob a acusação de posse de propriedade roubada.

Na última quinta-feira, os investigadores apreenderam mais de US $ 20 milhões de antiguidades asiáticas em depósitos localizados em Manhattan ligados a Kapoor. Várias das dezenas de itens apreendidos eram de bronze, além de estátuas de arenito que, acredita-se, foram sroubados de templos na Índia, de acordo com as investigações.

Antes de sua prisão, Kapoor, 63 anos, usou o site especializado em peças de colecionadores chamado Art of the Past (agora fechado) para anunciar o conteúdo de sua galeria de arte, que fica na Madison Avenue, e conseguir negociar vendas e doações.

"A única coisa que nós da Freer-Sackler compramos de Kapoor foi um colar do século 20 da Índia, adquirido em 1992", disse Allison Peck, porta-voz da empresa. "Felizmente não adquirimos nenhuma escultura."

Um porta-voz do Metropolitan Museum of Art, Harold Holzer, disse que possuía 81 peças que tinham sido doadas ou compradas por Kapoor desde 1991, incluindo várias antiguidades que estão em exibição atualmente. A maior parte desse conjunto refere-se a desenhos criados nos séculos 17, 18 e 19 que Kapoor entregou ao museu em 2008 e que foram objeto de uma exposição em 2009.

Holzer disse que, apesar das suspeitas, as autoridades federais não tinham feito ainda um pedido oficial para o museu sobre nenhuma revisão especial dos itens de Kapoor, especialmente porque muitas das doações recentes são desenhos e não antiguidades. "Estes não parecem ser o tipo de item com os quais os falsários estão preocupados", informou.

Ele também observou que o museu já havia postado há anos todos os itens que possui em seu site, uma prática que garante a transparência das peças.

Kapoor, que foi extraditado este mês da Alemanha para a Índia, onde enfrenta acusações relacionadas ao tráfico de antiguidades ilícitas, abriu sua galeria, atualmente fechada, em um espaço no andar térreo de um prédio de apartamentos na Madison Avenue em 1974. A galeria estava entre as participantes da Feira de Arte asiática no Park Avenue Armory, em 1996.

Em uma entrevista de 2009 à Revista Apollo, o indiano Kapoor afirmou que os desenhos que ele havia doado ao Met estavam entre aqueles que havia herdado de seu pai.

O que ainda não está claro é se Kapoor contratou um advogado para representá-lo nas acusações criminais nos Estados Unidos. Nenhum representante de sua galeria retornou os telefonemas dos repórteres.

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