Museu Sacaca resume vida amazônica

O Estado do Amapá ganhou na semana passada um novo museu. Diferente dos museus tradicionais, o Museu Sacaca do Desenvolvimento Sustentável, em Macapá, é um resumo da vida amazônica exposto a céu aberto. Primando pela diversidade natural e cultural, o museu reconstitui casas típicas de ribeirinhos, caboclos, seringueiros, castanheiros e índios. E conta também com auditório com capacidade para 200 pessoas, uma praça de alimentação e salas de exposição. O museu foi batizado em homenagem a Raimundo dos Santos, o Sacaca, curandeiro da região morto há um ano e meio que era conhecedor das propriedades medicinais de ervas e raízes da vegetação amazônica. O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá, que coordena o museu, dedicou parte da área total de 21,5 mil metros quadrados a expor o resultado de pesquisas que seguem a linha do trabalho de Sacaca.As maiores atrações do museu estão ao ar livre e a visita pode ser feita a pé em duas horas. Ali podem ser vistas as réplicas de habitações das comunidades do Amapá e de um igarapé. Nada faz lembrar as visões consagradas de índios e demais habitantes da Amazônia: ali está um retrato atual de seu modo de vida e seu entorno. Assim, por exemplo, o visitante pode ver casas de ribeirinhos que dormem em esteiras e uma oficina de farinha de mandioca, mas também encontra a réplica do Índia do Brasil. O Índia foi o primeiro regatão ? embarcação de comércio que comercializa produtos ao longo do Rio Amazonas - no Amapá. O interior do barco é usado para exibir o projeto Navegar, iniciativa do governo do estado para levar a Internet a comunidades distantes das principais cidades do Estado. Na praça de alimentação, a pedida é a comida regional, o que significa um cardápio de açaí (muito diferente do que se come no sul do País), derivados da Castanha do Brasil, peixes e sorvetes de frutas como cupuaçu e taperebá. E nas salas de exposição, fotos mostram o cotidiano dos habitantes e plantas com caraterísticas medicinais manipuladas pelo Iepa. A inauguração do Museu Sacaca, ao mesmo tempo que ajuda a preservar a identidade do povo e a natureza do Amapá, é também uma defesa do desenvolvimento auto-sustentável. A exposição de réplicas de casas, meio ambiente, meios de transporte e de produção apontam para a idéia de que a floresta em pé pode produzir muito mais do que devastada, além de ser bem mais bonita.

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