Museu que teve quadros roubados vai reabrir após carnaval

A direção do Museu Chácara do Céu, que teve quatro quadros e um livro de pintores mundialmente famosos roubados na sexta-feira, pretende abrir as portas da instituição logo após o Carnaval, na quinta-feira. Mas isso só será possível, conta a diretora da instituição, Vera de Alencar, se o circuito interno de TV não tiver sido danificado durante o assalto. A verificação do sistema de segurança começou a ser feita ontem. A Polícia Federal (PF) do Rio informa que as investigações "estão adiantadas", com três equipes no caso. Na sexta-feira, quatro homens armados de pistolas e granada renderam cerca de 9 pessoas no museu, entre visitantes, funcionários e seguranças. Eles levaram os quadros A Dança, de Pablo Picasso, Marine, de Claude Monet, Jardim Luxemburgo, de Matisse, Dois Balcões, de Salvador Dalí, e o livro Tioros, com gravuras de Picasso. Segundo depoimento do segurança Roberto Machado, de 61 anos, à PF, o quadro de Picasso teria sido furado na fuga. Segundo Vera, um dos assaltantes encostou o revólver na cabeça de um segurança e ordenou que ele desligasse o circuito interno de TV. Após a ação, os assaltantes aproveitaram a confusão gerada pela passagem do bloco de carnaval Carmelitas, em Santa Teresa, onde fica o museu, para fugir. A Polícia Federal do Rio já tem o retrato falado de dois bandidos. Aeroportos e portos estão em alerta para impedir a saída das obras de arte do País. "Isso não é uma questão de segurança de museu, mas de segurança pública. Temos o que há de mais moderno em termos de segurança de museu", afirma Vera. Ela diz que já foi realizado um levantamento para averiguar se mais obras de arte haviam sido levadas, mas foram roubados somente os quatro quadros e o livro, que não tinham seguro. "Nenhum museu público tem seguro", acrescenta. A PF informou que Vera será intimada para explicar os procedimentos de segurança adotados para bens públicos sob sua guarda.A diretora do museu, acrescenta a assessoria de imprensa da PF, não compareceu à Polícia Federal para prestar esclarecimentos técnicos "relevantes para a investigação". Vera diz que tem mantido contato telefônico com a delegada Isabele Vasconcelos, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, que está investigando o caso. A diretora do museu afirma que "há várias conjecturas" sobre o assalto, como se ele foi cometido por bandidos comuns ou uma quadrilha especializada. Há suspeitas de que o crime possa ter sido um seqüestro de obras de arte, o que seria inédito na história do País. "Não me lembro de ter ouvido falar de um caso desses", diz Vera.

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