Museu preserva memória dos imigrantes

Entre 1882 a 1978, mais de 2,5 milhões de imigrantes de 60 nacionalidades desembarcaram na Hospedaria de Imigrantes, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo. Patrocinados pelo governo de seus países, os imigrantes chegaram ao Brasil para trabalhar nos cafezais e, depois da Segunda Guerra Mundial, em busca de um país onde houvesse mais chances. Atualmente, a hospedaria abriga o Memorial do Imigrante, um museu criado para preservar a história de todos que por ali passaram. Na antiga hospedaria, fundada em 1886 pelo governador da província de São Paulo, Antônio Queiróz Telles, estão guardados cerca de 150 livros com o registro manuscrito dos imigrantes que ficaram hospedados. Em 1982, o edifício foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Em 1986, foi criado o Centro Histórico do Imigrante e em 1993, surgiu o Museu da Imigração. O local serviu como cenário para algumas cenas da novela Terra Nostra, que contava a história da vinda de imigrantes italianos para São Paulo. Todo o acervo exibido foi formado a partir de doações de imigrantes. "Quando as pessoas deixavam suas casas em seus países, era comum trazerem objetos como panelas, xícaras, jarras porque era também uma maneira de trazer um pouco da história pessoal de cada um", conta Midori Kimuri Figuti, diretora do museu, que trabalha no local desde 1959. Mas nem todos os objetos doados são aceitos. Midori explica que há um museólogo que avalia cada peça e determina se ela pode vir a fazer parte do acervo. "Não estamos mais recebendo máquinas de costura, por exemplo."A grande atração do Memorial é a estação de trem por onde chegavam os imigrantes diretamente para a hospedaria. Atualmente, os visitantes podem fazer um passeio de oito minutos em uma autêntica maria-fumaça, uma locomotiva a vapor inglesa de 1927. Há ainda um carro bagagem, correio e chefe-de-trem e outro, de passageiros, de segunda classe, de 1931, inteiramente restaurados no Memorial. A operação fica a cargo dos membros da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária - Regional São Paulo), que trabalham voluntariamente. Outro destaque do museu é o passeio de bonde que faz o trajeto Memorial - Estação Bresser do Metrô, ida e volta. A máquina foi construída pela empresa inglesa Hurst Nelson, em 1912.Quem quiser, pode solicitar uma certidão atestando o desembarque de imigrantes no Porto de Santos, entre 1882 e 1978. A pesquisa é feita com base nos registros da antiga hospedaria. O documento tem valor legal para recadastramento na Polícia Federal, solicitação de passaporte estrangeiro, naturalização, retificação de nome, pedido de pensão e identificação do local de origem. Midori Kimuri Figuti conta que já foram feitos mais de 800 mil solicitações. "Recebemos pedidos de todo o Brasil, inclusive do exterior".Os registros do arquivo do museu são digitalizados, o que facilita a pesquisa. O visitante não pode ter acesso direto aos livros com os registros. No museu, há salas de exposições permanentes e temporárias, além de uma biblioteca especializada em imigração. Há também um grande acervo de fotografias e depoimentos de imigrantes contando suas experiências em vídeo. Uma réplica de uma casa de madeira, junto com a horta, demonstra como geralmente era a moradia dos imigrantes que iam trabalhar nos cafezais.Em média, o Memorial do Imigrante recebe 10 mil visitantes por mês. Midori conta que há pessoas de todas as faixas etárias, desde crianças até grupos de terceira idade. O preço modesto do ingresso - R$ 2,00 a entrada inteira e R$ 1 para estudantes e aposentados - foi escolhido justamente para permitir que as pessoas com um poder aquisitivo menor também pudessem conhecer o museu. Os alunos de escolas públicas que agendam uma visitação não pagam ingresso. "Às vezes, uma criança vem visitar o museu com a escola e depois quer voltar para mostrar o que viu aos pais. Queremos que toda a família possa visitar o Memorial", completa Midori.Memorial do Imigrante - Rua Visconde de Parnaíba, 1316. Tel: 6692-2497 ou 6692-7804. De terça a domingo, das 10h às 17h. A composição ferroviária e o bonde, funcionam todos os domingos e feriados, no mesmo horário do museu. A entrada custa R$ 2,00. O passeio de bonde e trem custa R$ 2,00 cada um. Site oficial: www.memorialdoimigrante.sp.gov.br.

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2000 | 21h44

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