Museu pode ser instalado na zona portuária

Se de fato ocorrer, a instalação do Museu Guggenheim no Píer Mauá poderá finalmente dar início à revitalização da zona portuária do Rio, num modelo que deu certo em Barcelona, na Espanha, Boston e Nova York, nos EUA, Marselha, na França, e até no Recife (PE). Os planos cariocas para o seu porto já têm duas décadas, mas sempre esbarraram na falta de verbas e em dificuldades nos entendimentos entre a Companhia Docas do Rio, maior proprietária do lugar, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), dona de 160 mil metros quadrados, e a prefeitura, que tem idéias, não dinheiro, para concretizá-las.A zona portuária entrou em decadência nos anos 60, quando os armazéns se tornaram obsoletos por causa do uso de contêineres para guardar mercadorias. Sua desativação coincidiu com a construção do viaduto da Avenida Perimetral, que facilitou o acesso dos carros às saídas da cidade, mas tornou desertas as redondezas do porto. Desde então, as escolas de samba grandes e pequenas passaram a ocupar alguns dos galpões em situação precária que, às vezes, resulta em incêndios, como o que ocorreu no da tricampeã do carnaval, Imperatriz Leopoldinense, em agosto.A própria delimitação da área é controversa. Oficialmente, são três bairros - Saúde, Gamboa e Santo Cristo -, com 18 mil habitantes, mas para urbanistas vai da Praça Mauá ao Caju e São Cristóvão, na zona norte, com 44 mil moradores. "Essa região se divide em duas. Os morros são habitados e têm imóveis pequenos e precários. A planície, separada do resto da cidade pelos morros, tem grandes terrenos, geralmente da União", explicou a diretora do Instituto Pereira Passos, Nina Rabah, no início do ano, ao deixar a direção da 1.ª Região Administrativa, que abrange a área.Na época, o Guggenheim tornou-se uma possibilidade e o secretário municipal de Urbanismo e diretor do IPP, Alfredo Sirkis, relacionou pelo menos 11 projetos para a zona portuária, que iam da construção da Cidade do Carnaval (que abrigaria os armazéns desocupados e estariam abertos à visitação), à criação de centros gastronômicos, passando necessariamente pela restauração dos morros. Este último projeto é o único já em realização, com a inauguração de conjuntos habitacionais na Gamboa e Saúde e revitalização do Largo da Prainha, porta de entrada do Morro da Conceição.Até agora, o poder público não queria contar com o Guggenheim, até porque o Píer Mauá está arrendado, há quatro anos, para um consórcio, que não conseguiu desenvolver nenhum projeto ali, mas ainda tem direitos sobre a área. Todos reconhecem a importância do museu (que virá com hotéis, shoppings e outros confortos urbanos). "O Guggenheim é importante, mas não é fundamental. O Rio só está atrasado porque a revitalização não era prioridade de administrações passadas. Agora é", garantiu Sirkis.

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